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Confiança no sector alimentar aumenta com a pandemia de Covid-19

Foto Shutterstock

A confiança dos consumidores no sector alimentar aumentou no decurso da pandemia de Covid-19, indica um estudo do EIT Food junto de 20 mil cidadãos de 18 países europeus. Contudo, a maioria não considera que o sector está a trabalhar em nome do interesse público.

O estudo, conduzido por um consórcio pan-europeu de parceiros académicos, reporta um aumento da confiança do consumidor em todas as áreas do sector alimentar e nos produtos, com crescimentos globais entre 3% e 8%.

De todos os operadores do sector alimentar, os agricultores são os que geram maior confiança, com dois terços dos consumidores europeus a confirmá-lo. O segundo grupo em que os consumidores mais confiam são os retalhistas, com 53% a expressá-lo, numa subida de 7% desde 2018, potencialmente associada à Covid-19 e à gratidão que sentem pelo sector do retalho ter conseguido manter o abastecimento e o acesso a bens essenciais.

 

Fabricantes e autoridades em queda

Por seu turno, a confiança nas instituições governamentais e nos fabricantes de alimento caiu, com menos de metade dos consumidores a afirmar que confia nestes grupos (47% e 46%, respetivamente). 29% e 26% dos consumidores ativamente desconfia de, respetivamente, as autoridades e os fabricantes.

O estudo nota que as exigências dos consumidores em matéria de saúde e sustentabilidade não estão a ter resposta por parte da indústria. No que concerne a confiança nos produtos, em si, os consumidores consideram que a segurança alimentar melhorou globalmente, com uma subida de 8% face a 2018, para os 55%.

Relativamente à saúde, contudo, apesar de 71% indicar que opta por soluções mais saudáveis sempre que pode, menos de metade (43%) dos consumidores europeus acredita que os produtos alimentares são, de um modo geral, saudáveis. Apenas quatro em cada 10 confiam que os produtos que compram são, geralmente, autênticos, em vez de artificiais.

De igual modo, apenas três em cada 10 consumidores confiam que os produtos alimentares são, genericamente, produzidos de um modo sustentável (no sentido ambiental, de eficiência de recursos e responsabilidade ética). 42% considera mesmo que não são sustentáveis.

Perceções que vão em sentido contrário com os valores dos consumidores, com 76% dos europeus a reportar que sente uma obrigação moral para usar produtos amigos do ambiente e seis em cada 10 a confirmar que, sempre que lhes é dada essa hipótese, prefere produtos sustentáveis.

 

Oportunidades

Com a população global a atingir os 10 mil milhões em 2050, necessitamos de tecnologias inovadoras e abordagens colaborativas do prado à mesa para oferecer produtos alimentares acessíveis e saudáveis de um modo sustentável. O ‘EIT Food Trust Report’ revela claras oportunidades para a indústria alimentar demonstrar de que modo está a agir em nome do interesse público e a ir ao encontro das necessidades dos consumidores em matéria de saúde e sustentabilidade”, destaca Klaus Grunert, professor no departamento de gestão da Universidade de Aarhus.

Já Saskia Nuijten, responsável de comunicação no EIT Food, considera que, numa altura em que se trabalha para a recuperação económica, será ainda mais importante reforçar a confiança no sector alimentar. “Os acontecimentos de 2020 mostraram a muitos consumidores o quão vital é a nossa infraestrutura alimentar, desde assegurar a disponibilidade dos produtos nas prateleiras dos supermercados à consideração do impacto da sua produção no ambiente”, afirma. “Em última análise, para criar um sistema alimentar à prova do futuro, devemos colocar os consumidores no centro do desenvolvimento, produção, distribuição e promoção alimentar”.

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