A REVISTA DOS NEGÓCIOS DA DISTRIBUIÇÃO

A REVISTA DOS NEGÓCIOS DA DISTRIBUIÇÃO

Clube do Grande Consumo

Domingos Esteves, especialista em retalho

Estamos numa situação complexa, com o contínuo aumento de fenómenos não expectáveis e muitos dos quais, até há pouco, previsíveis. Só para recordar alguns mais marcantes: tudo o que vivemos durante a pandemia, sobretudo nos períodos de confinamento total, a tempestade Filomena, a Ómicron, a inflação e a deflação económicas, a invasão da Ucrânia (guerra na Europa), as dificuldades de aprovisionamento de produtos e materiais, problemáticas de toda a ordem nas cadeias logísticas… E tudo isto vai ocorrendo com uma rapidez enorme, as empresas lutam para se adaptar e sobreviver.

Como consequência primeira, surge a urgente necessidade de acelerar os processos de transformação no retalho, e não me refiro somente aos temas digitais, mas igualmente às organizações, aos seus líderes e aos propósitos de negócio.

Mas não podemos deixar-nos absorver pelo negativismo e só dar destaque aos problemas atuais. Como diz um ditado chinês: onde há um problema há, igualmente, uma oportunidade.

Não conservamos muita memória, esquecemo-nos da história e de outras grandes crises vividas pelos nossos antepassados e não recordamos como sempre foram encontradas soluções. Hoje em dia, estamos muito mais bem preparados para o fazer num espaço de tempo mais curto. Não só temos mais dados, como temos uma melhor capacidade de os analisar e ver o que funciona, ou não, de uma forma ágil e assertiva.

Por outro lado, e considerando os altos níveis de poupança dos últimos anos, a pressão atual da inflação irá levar os investidores a procurarem outras vias de investimento. Ter o dinheiro parado no banco não vale de nada, uma das melhores opções será investir em negócios e produtos atrativos. É, pois, aqui que reside a oportunidade para alguns “retailers”, não só das startups, de atraírem investidores que apoiem os seus processos de transformação. 

Temos de novo, agora mesmo, uma excelente oportunidade de rever os modelos de negócio do nosso sector e de introduzir as melhores práticas, que ponham as pessoas e o planeta no eixo principal dos propósitos das empresas. 

 

Quais as tendências que predominam atualmente no retalho

As tendências atuais passam, claramente, por um contínuo aumento da tecnologia e digitalização em todas as áreas organizativas das empresas e, principalmente, nos processos de transação de compra e venda e de experiência de compra do cliente.

Uma outra tendência atual muito marcante é a valorização da proximidade, da personalização e um grande sentido de conveniência em todos os canais de venda.

Ainda que a venda digital e o comércio eletrónico tenham subido substancialmente, da mesma maneira se reforçou a relevância da loja física, pela necessidade social e humana de ir às lojas. O fator humano sempre será um fator de diferenciação importante e os “retailers” têm de descobrir qual a melhor maneira de chegar às diferentes gerações que representam os consumidores atuais. 

Vai ser fundamental a capacidade de proporcionar uma ótima experiência de compra, em todos os canais de venda. Mais do que falar da importância do omnicanal, os “retailers” devem focar-se no que realmente é importante: os CLIENTES. Aqui, não se deve esquecer que, primeiro, estão os clientes internos, as equipas, e só se servirmos bem estes, eles poderão dar um melhor serviço aos clientes.

Por último, a relevância de consumir produtos sãos e naturais, que tenham sido produzidos com boas práticas respeitadoras do meio ambiente.

 

A sustentabilidade continua a ser tema muito relevante na sociedade e nos “retailers” e, por isso, muito mais que uma tendência

Muitos “retailers” estão a fazer um trabalho muito importante, no sentido de aumentar a transparência em toda a sua cadeia de valor e na rastreabilidade dos seus produtos e, dessa maneira, poderem permitir ao consumidor uma boa e responsável decisão de compra. 

Mas atenção para o grande “gap” que existe entre o que dizemos e o que fazemos. Os consumidores verbalizam claramente preocupações ambientais, mas ainda não são coerentes nas suas decisões de compra. Só quando estes hábitos de compra passarem a ser suportados por princípios de responsabilidade, então, sim, a mudança no “retail” será enorme.

O aumento da regulamentação, a nível nacional e internacional, será outra razão mais que suficiente para que as empresas alterem os seus modelos de negócio e introduzam na sua estratégia os princípios de economia circular.

Há que dar prioridade clara ao bom uso dos recursos naturais (escassos) e tentar o aproveitamento máximo dos desperdícios, tanto na hora da produção, da confeção e, principalmente, no pós-venda, descobrindo formas de dar uma segunda ou terceira vida aos produtos. Assegurar os princípios-chave de Reduzir, Reciclar e Reutilizar.

Esperar que a regulamentação nos obrigue a mudar é esperar para ter mais dificuldade e complexidades, pelo que é urgente que a economia circular passe a ser um ponto estratégico das empresas.

 

Principais desafios do retail a curto e médio prazo

Um dos desafios será o de conter ao máximo a subida de preços, não penalizando o poder de compra dos consumidores. Neste momento, já não é possível pensar que os preços não vão subir, têm mesmo de subir!! Mas que isso seja feito com equilíbrio e em categorias selecionadas, onde exista a possibilidade de crescer sem ir acima do valor correto do produto.

Será necessária uma maior planificação na aquisição de stocks, segundo as reais necessidades dos consumidores, e os retalhistas devem apoiar-se na tecnologia, para melhorar a experiência de compra do cliente, usar a tecnologia e a digitalização como áreas que apoiam o crescimento do negócio.

É muito urgente compreender e entender melhor os diferentes tipos de consumidores, respeitando os seus valores e necessidades, e planificar estratégias corretas de comunicação que permitam a criação de relações. Sem esquecer a melhoria e evolução do conceito de loja física, com foco principal na experiência de compra, com o uso de tecnologia que permita dar mais soluções e proporcionar maior nível de conveniência aos consumidores. Reforçar conceitos de proximidade, personalização e conveniência.

Apostar claramente no desenvolvimento de talento nas equipas de gestão e vendas, aumentando a sua capacidade de autonomia e de decisão, e reforçar as políticas e estratégias de negócio baseadas nos princípios da economia circular, investir sem perder tempo no aumento da transparência e rastreabilidade dos produtos, desde a sua produção, são também desafios do retalho. 

Sobretudo, conseguir ser competitivos, sem voltar a entrar em guerras de preços ou de promoções.

Vivemos num mundo mais digital, mais global, mais rápido e instantâneo, mas onde não deixa de ser relevante a proximidade e a personalização e onde o mais importante continua a ser o mesmo de sempre: as PESSOAS.

6 Junho 2022
Domingos Esteves, especialista em retalho
Domingos Esteves
Especialista em retalho

A renovação da marca própria do Minipreço conta com a Sara Prata

O Minipreço apresenta, hoje, ao mercado a sua mais recente campanha publicitária que destaca o processo de renovação em curso na sua oferta de marca própria. Ao todo, o Minipreço já procedeu à renovação de mais de 600 referências de marca própria, com o objetivo assumido de transformar, no decurso deste ano, mais 1.000 referências.

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