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Comércio global em risco de perturbação sem medidas urgentes de descarbonização

Foto Shutterstock

Um novo estudo Lloyd’s Register aponta para uma potencial reviravolta futura na cadeia de abastecimento, devido à incerteza da transição energética. Líderes de toda a cadeia de abastecimento global pedem medidas imediatas para a descarbonização marítima, para que seja alcançada uma transição energética bem-sucedida para cadeias de abastecimento de carbono zero.

O relatório da organização de serviços profissionais marítimos, intitulado “How To Make Shipping’s ‘Decade of Action’ a Reality”, diz que a transição para o transporte de carbono zero será uma das mais significativas na história do sector, com investimentos feitos hoje para prevenir futuras interrupções na cadeia de abastecimento e minimizar a perturbação na espinha dorsal do comércio mundial.

 

Descarbonização

Atualmente, cerca de 80% das mercadorias transportadas em todo o mundo depende do transporte marítimo e o sector marítimo representa quase 3% das emissões globais de gases com efeito de estufa. No entanto, apesar do compromisso generalizado de abordar a descarbonização do sector, a falta de certeza regulamentar e o apoio dos responsáveis políticos poderiam assistir a uma transição apressada e descoordenada, o que poderia conduzir a uma perturbação significativa da cadeia de abastecimento. “A nossa indústria já não está a perguntar ‘se’ ou ‘quando’ deve ocorrer a descarbonização. Sabemos que temos de agir agora e muitos de nós estamos a fazê-lo. Resta saber ‘como’ a indústria marítima irá proporcionar mudanças significativas durante esta década crucial de ação. Este relatório reúne pontos de vista e ‘insights’ do sector público e privado sobre o que a indústria marítima global precisa de fazer para tornar esta década de mudança uma realidade. O desafio é imenso, mas o compromisso é real, de muitas organizações e governos. Todos os envolvidos na cadeia de abastecimento marítimo devem desempenhar o seu papel“, afirma Nick Brown, diretor executivo da Lloyd’s Register.

 

Trabalho conjunto

O estudo, produzido em associação com a Longitude, a unidade de investigação do Financial Times, encontrou consenso entre os peritos marítimos de que as companhias marítimas, os seus clientes e governos precisam de trabalhar em conjunto em soluções globais, antes que a urgência da crise climática force o sector a mudanças disruptivas e fragmentadas. Os contribuintes do relatório apelaram a uma maior regulamentação global do transporte marítimo para evitar o surgimento de políticas nacionais inconsistentes.

Os participantes do estudo exortaram também os sectores público e privado a trabalharem em uníssono para impulsionar o financiamento para as tecnologias emergentes mais promissoras e para apoiar as pequenas empresas incapazes de descarbonizar por si próprias. Além disso, sublinharam a importância das infraestruturas, como a disponibilização de combustíveis de transporte alternativos nos portos, para garantir que os navios do futuro possam fornecer mercadorias numa base verdadeiramente global.

Houve consenso entre os peritos de que a próxima década apresenta um desafio fundamental para o futuro do transporte marítimo. Com os consumidores, os investidores e os governos a exigirem cada vez mais soluções de carbono zero do sector privado, os inquiridos sublinharam o risco de ativos encalhados, perdas financeiras e complexidade regulamentar se o sector marítimo não conseguir resolver proativamente a crise climática. No entanto, também observaram que a transferência para o transporte de carbono zero proporcionaria benefícios concorrenciais a um custo relativamente baixo que pode ser confortavelmente absorvido através da cadeia de abastecimento.

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