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Marcas procuram responder a um consumidor exigente, impaciente e confortável

Foto Shutterstock

O retalho internacional continua a adaptar-se ao novo consumidor, cada vez mais consciente do ambiente, mais sensível ao preço, mais informado e mais propenso a experiências. A sustentabilidade, a transparência e a saúde estão a marcar as novidades do grande consumo, de acordo com um relatório da Aecoc Retail Knowledge apresentado na Alimentaria.

O consumidor de hoje é mais exigente, mais impaciente e mais confortável”, avançou o responsável da área de Retail & Foodservice Knowledge da Aecoc, Pablo de la Rica, na apresentação do relatório “Tendências e desafios do retalho internacional”, que analisa as tendências que marcam a evolução do sector FMCG.

 

Vergonha ecológica

O estudo salienta que o desafio para as marcas será fornecer soluções personalizadas para este novo consumidor, que também tem novas prioridades nas suas compras, como saúde, sustentabilidade ou proximidade. “As marcas estão a direcionar os seus esforços para proporcionar transparência e rever todos os seus produtos para que os seus compradores possam consumir de forma sustentável, porque já existe uma sensação de vergonha ecológica no processo de compra“, indicou.

A prova do aumento de valores como a sustentabilidade e o foco na saúde, ao fazer a compra, é o facto de 50% dos lançamentos na área alimentar, que atualmente ocorrem no Reino Unido, serem produtos vegan e que há cada vez mais marcas que voltam a apostar em embalagens retornáveis e reutilizáveis, para que o consumidor possa enchê-las novamente com os seus produtos.

Pablo de la Rica referiu-se também à criação de secções próprias para alimentos vegetais, como é o caso da Giant (Ahold-Delhaize) nos Estados Unidos, que permitiu um espaço para produtos “plant-based”. Os retalhistas também estão a introduzir novos desenhos de lojas, como a Sainsbury’s, que removeu os cabeçalhos de prateleira para produtos menos saudáveis. Outro exemplo é o da Rewe, que instalou uma quinta no telhado de uma das suas lojas mais emblemáticas na Alemanha.

Consumidor hiperconectado

Esta análise também atrai um consumidor hiperconectado, que exige transparência no seu processo de compra. “Os compradores querem que tornemos as suas vidas mais fáceis e que as marcas ofereçam soluções que contribuam para isso, mas também estão ativamente a procurar informação, que vai além do planeamento da compra“, explicou a responsável pelo desenvolvimento comercial da Aecoc Retail Knwoledge, Natalia Marcó.

E-commerce, entrega, omnicanal, digitalização e tecnologia na loja fazem também parte das tendências, com Natalia Marcó a referir-se à Ocado, o primeiro e-retailer com armazéns automatizados e fornecedor de software, que está a crescer em todo o mundo através de acordos com outros operadores, como a Kroger, a Aeon ou a Auchan.

As entregas ultrarrápidas também estão a ganhar destaque em todo o mundo, impulsionadas por empresas como a Glovo, que se aliam aos distribuidores tradicionais.

Outros avanços nas entregas têm a ver com a introdução de robôs e drones autónomos. “Em Israel, por exemplo, são lançados 300 drones, em média, por dia, pelo que um dos desafios futuros será a gestão do espaço aéreo“, avançou Natalia Marcó, que também se referiu às entregas de encomendas quando o cliente não está em casa, e cujo serviço está a ser testado por empresas como a Asda ou a Walmart.

Durante a apresentação, estes especialistas garantiram que o futuro do sector será marcado pela nova configuração dos agregados familiares, que em 2035 terão até 30% de lares unifamiliares, com apenas 14% de agregados familiares com crianças e 50% da população com mais de 45 anos. “Estes parâmetros vão condicionar as novidades que veremos nos próximos anos“, sublinhou Pablo de la Rica. Por outro lado, “o protagonista da loja do futuro não é a tecnologia, mas os produtos frescos e os alimentos preparados, como se reflete nas denominações 7 Fresh (JD.com) e Amazon Fresh (Amazon). A tecnologia é muito importante, mas como facilitador da experiência“, acrescentou.

Até porque uma das tendências avançadas no relatório é a dinamização, atratividade comercial e os novos serviços. Aqui, Pablo de la Rica mencionou como exemplo de compromisso com o preço o projeto de subscrição do Carrefour em França. “Mas nem tudo é preço, é preciso surpreender o cliente noutras áreas“, destacou. Nesse sentido, referiu-se à estreia da Auchan Life em Portugal, um projeto experiencial que inclui todo o tipo de atividades, como palestras, desporto ou nutrição, entre outras.

 

Conveniência

No que se refere à conveniência, Natalia Marcó sustentou que o conceito está a evoluir no sentido da microconveniência, com mini-lojas itinerantes e permanentes, como no caso do Spar Mini Mobile ou da Auchan Minute. A isto acrescenta-se o lançamento de supermercados móveis, como a Grocery Neighbour, no Canadá.

A comida preparada continua, por outro lado, a ganhar seguidores, como mostram as experiências da Colruyt, com os seus pontos de recolha para refeições Collect & Go.

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