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Holanda resiste à Alteração 171 do Parlamento Europeu

Com menos de 24 horas para o Parlamento Europeu tomar uma decisão sobre o futuro da rotulagem dos produtos de origem vegetal na União, a Upfield e Associação Vegetariana Portuguesa estão, mais uma vez, a unir forças para apelar ao governo português se opor à Alteração 171.

Este apelo já teve lugar nos Países Baixos e a unidade dos Estados-membro poderá significar que, finalmente, a incerteza regulamentar na União Europeia chegará ao fim.

Após conversações entre 21 e 26 de abril, espera-se que hoje, quinta-feira, seja finalmente tomada a decisão a nível europeu sobre a alteração que pretende proibir informações fundamentais sobre a rotulagem de alternativas de origem vegetal a produtos lácteos, tornando difícil aos consumidores tomar uma decisão de compra consciente e informada.

Caso não exista apoio das instituições europeias, as informações sobre a pegada ambiental de um produto poderiam também deixar de ser permitidas, dados esses que interessam a cada vez mais cidadãos e produtores de marcas que defendem a total transparência na rotulagem. “Os portugueses não se confundem no supermercado e querem continuar a poder escolher o que compram. 95,9% dos portugueses sabe distinguir produtos lácteos e produtos de origem vegetal quanto à origem dos seus ingredientes e não se confundem com as diferentes alternativas. A Upfield, como membro da European Alliance for Plant-based Foods (EAPF) e no âmbito da estratégia ‘Do Prado ao Prato’, pede ao Governo português que se oponha a esta Alteração para mostrar o seu apoio a todas as indústrias e continuar a contribuir para uma transição para uma alimentação, produção e economias mais sustentáveis“, afirma Álvaro Carrilho, Sales Manager da Upfield em Portugal.

 

Consequências da aprovação da alteração

Se aprovada, para além de proibir qualquer comparação entre alimentos de origem vegetal com alimentos de origem animal para referência do consumidor, como “tipo iogurte” ou “alternativa ao queijo”, a Alteração 171 proibiria a inclusão de informação sobre a sustentabilidade do produto nas embalagens. Assim, os consumidores não poderiam saber se um produto tem uma pegada de carbono mais baixa do que outro.

Esta decisão vai contra a tendência atual da população, cada vez mais preocupada com o ambiente e empenhada no consumo responsável, tendo, por exemplo, 96% dos consumidores portugueses confirmado que a oferta de produtos deve ser cada vez mais alargada, possibilitando opções de escolhas para todos os gostos, tipos de alimentos e intolerâncias. Note-se ainda que, em Portugal, 40% da população é intolerante à lactose.

A Alteração 171 é um exemplo eminente de uma interferência supérflua do aparato burocrata europeu na liberdade dos mercados e, em última análise, na própria liberdade dos consumidores  de fazerem escolhas de consumo que se distanciam dos padrões alimentares mais tradicionais, optando por alimentos de base vegetal, com menor pegada ecológica, como é o caso das alternativas aos lacticínios, sejam as bebidas ou iogurtes vegetais. Uma União Europeia que preze a inovação e a sustentabilidade deve opor-se firmemente a diretrizes legislativas que sufoquem a indústria de produtos vegetarianos ou veganos, ao invés de mostrar subserviência aos lóbis da agropecuária. Fazê-lo não só evidencia um compromisso com a proteção ambiental, como também com as próprias metas da União Europeia traçadas no Pacto Verde Europeu e na estratégia do Prado ao Prato”, afirma Nuno Alvim, presidente da Associação Vegetariana Portuguesa.

 

Portugueses sabem distinguir entre produtos de origem vegetal e animal

A maioria dos portugueses (96,4%) sabe que os produtos de origem vegetal (plant-based) são produtos com ingredientes maioritariamente provenientes de origem vegetal e 95,9% sabe identificar corretamente a diferença entre produtos lácteos e produtos de origem vegetal quanto à origem dos ingredientes com que são produzidos. Estas são as conclusões de um estudo levado a cabo pela Universidade Católica para a Upfield.

Com o objetivo de avaliar perceções dos consumidores sobre produtos de origem vegetal a partir de diferentes nomenclaturas e a sua capacidade para os distinguir de produtos de origem animal, o estudo demonstra que os portugueses não ficam confusos no supermercado e sabem identificar e diferenciar os produtos de origem vegetal, como no caso da alternativa de soja ao iogurte (95,1% dos inquiridos considerou que este é um produto de origem vegetal) ou do queijo vegan onde 97,2% classificou corretamente como alternativa vegetal ao queijo.

Assim, a respeito da rotulagem, 76,4% dos consumidores entende que termos como cremoso ou não contém lactose poderão aparecer nos rótulos para qualificar alternativas de origem vegetal, o que, segundo a Alteração 171 sugerida pela União Europeia, não poderá ser permitido.

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