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“O impacto da pandemia veio provar a urgente necessidade dos negócios darem o próximo passo na digitalização da sua atividade, por forma a tornarem-se mais resilientes”

Tiago oom, diretor da REDUNIQ

Um Portugal totalmente cashless é, no entender de Tiago Oom, diretor da REDUNIQ, uma possibilidade cada vez mais real, embora ainda distante. O numerário, quer em Portugal, quer na Europa, ainda representa mais de 70% do total dos pagamentos, de acordo com o Banco Central Europeu. Há vários dados que demonstram que Portugal está bastante abaixo da média europeia no processo de transformação digital e no acompanhamento de tendências de consumo. Sobretudo os pequenos negócios que, perante a conjuntura atual, têm demonstrado alguma dificuldade em apostar neste processo, uma vez que implica, incontornavelmente, custos financeiros. Para ajudar a eliminar algumas das barreiras, a rede de aceitação de cartões lançou o REDUNIQ Easy, que acredita poder vir a ser um contributo para o acesso à digitalização de pagamentos para muitos negócios portugueses.

 

Grande Consumo – Em que consiste a solução REDUNIQ Easy e a quem se dirige?

Tiago Oom – O REDUNIQ Easy é uma nova solução da REDUNIQ, a maior rede nacional de aceitação de cartões nacionais e estrangeiros, que foi desenvolvida com o objetivo de facilitar a aceitação de pagamentos com cartão pelos pequenos negócios, sobretudo a comerciantes que ainda não dispõem de uma solução de pagamentos.

Podendo ser estes negócios de reduzida atividade transacional, ou que querem ter um custo fixo e controlado para a aceitação de pagamentos, foi necessário apostar numa solução de pagamentos com todos os cartões, simplificada e de baixo custo, neste caso, um terminal de pagamento que permite a aceitação das marcas internacionais Visa e Mastercard, já com transações incluídas (50 transações ou 1.500 euros por mês), e sem custos de adesão ou período de fidelização.

 

GC – O que distingue esta solução da restante oferta da REDUNIQ? Quais as suas principais vantagens?

TO – O REDUNIQ Easy difere de outras soluções da REDUNIQ, como uma solução de um terminal de pagamentos automático (TPA) standard ou o REDUNIQ Smart, nomeadamente, pelo “target” que esta pretende atingir, neste caso, os pequenos comerciantes ou quem quer ter um custo fixo e controlado, que não demonstra mnecessidade de usufruir de uma solução mais complexa, ou outros negócios que ainda não apostaram numa solução de pagamentos além do numerário, o qual está claramente cada vez mais em desuso, sendo o que os cliente finais, hoje em dia, exigem.

Ao nível das vantagens para o comerciante que adere ao REDUNIQ Easy, destaco a simplicidade aportada por esta solução, que, por um valor fixo mensal de apenas 19,99 euros, permite a aceitação de pagamentos por via de um terminal de pagamentos de cartões de crédito e débito, nacionais e internacionais, que inclui, além do terminal, 50 transações ou 1.500 euros em compras por mês.

Para além disso, o REDUNIQ Easy inclui ainda a tecnologia de conversão de moeda DCC, que permite aos clientes estrangeiros pagar com cartão na sua moeda de origem, bem como o acesso dos negócios a uma área do comerciante, onde é possível consultar as transações, documentos financeiros e outras informações para melhor gerir os pagamentos e, importante referir, com tecnologia contactless.

 

GC – Em que estado estamos no caminho para a transição digital, nomeadamente, no que aos pequenos negócios diz respeito? Portugal está muito atrasado, comparativamente com os seus pares europeus?

TO – Há vários dados que demonstram que Portugal está bastante abaixo da média europeia no processo de transformação digital e no acompanhamento de tendências de consumo. Agora, cabe ao tecido económico, como um todo, e ao sector financeiro, em particular, identificar as barreiras que se colocam e apontar as soluções mais convenientes para oferecer a melhor experiência possível, quer de aceitação de pagamentos e gestão do processo transacional pelo comerciante, quer de pagamento junto do consumidor, cada vez mais exigente. Acreditamos que o REDUNIQ Easy pode ser um contributo para o acesso à digitalização de pagamentos para muitos negócios portugueses.

 

GC – Quais as principais dificuldades que os negócios de menor dimensão enfrentam nesse caminho?

TO – Perante a conjuntura atual, os pequenos negócios têm demonstrado alguma dificuldade em apostar no processo de transição digital da sua atividade, uma vez que este implica, incontornavelmente, custos financeiros que, como bem sabemos, estão mais racionados junto das empresas desta tipologia. Em muitos casos, os comerciantes acreditam que a sua atividade transacional não compensa a utilização de um terminal de pagamentos tradicional, uma vez que a sua maioria desconhece os custos associados ao seu usufruto, julgando-os mais elevados.

Nesse sentido, o REDUNIQ Easy surge como reforço da estratégia que a REDUNIQ tem vindo a implementar de apoio à transição digital do sector económico nacional, a qual se intensificou com a emergência da pandemia, da qual se despoletou a necessidade de aceleração digital. E esta solução permite-nos oferecer aos negócios portugueses uma resposta adaptada à sua realidade, não descurando a garantia de uma melhor experiência de aceitação de pagamento, agilizando o seu processo de transição digital e, ao mesmo tempo, permitindo-lhes acompanhar as atuais exigências dos novos consumidores, que cada vez mais procuram simplicidade, comodidade e segurança no ato de pagamento.

O impacto da pandemia, no processo de transformação digital a que assistimos, veio provar a urgente necessidade dos negócios darem o próximo passo na digitalização da sua atividade, por forma a tornarem-se mais resilientes e competitivos, resistindo de forma mais consistente às quebras de consumo.

 

Perante a conjuntura atual, os pequenos negócios têm demonstrado alguma dificuldade em apostar no processo de transição digital da sua atividade, uma vez que este implica, incontornavelmente, custos financeiros que, como bem sabemos, estão mais racionados junto das empresas desta tipologia. Em muitos casos, os comerciantes acreditam que a sua atividade transacional não compensa a utilização de um terminal de pagamentos tradicional, uma vez que a sua maioria desconhece os custos associados ao seu usufruto, julgando-os mais elevados.

 

GC – Pelos dados de que a REDUNIQ dispõe, como analisa o impacto da pandemia no sistema retalhista português e que perspetivas se podem desenhar no curto a médio prazo?

TO – Através da mais recente edição do REDUNIQ Insights, o nosso relatório que analisa a evolução transacional registada pelos negócios portugueses, desde o início da pandemia de Covid-19, concluímos que, recentemente, o sistema retalhista português obteve uma ligeira recuperação nos níveis de faturação nacional, que, apesar de ainda se encontrarem abaixo dos valores pré-pandemia (menos 8% face a 2019), subiram quatro pontos percentuais entre os meses de fevereiro e março deste ano.

Contudo, este crescimento é ainda residual e está dependente de um conjunto de fatores, desde logo, a evolução do processo de vacinação e a evolução do próprio cenário epidemiológico português, que ditará quais os negócios que poderão estar em atividade e de que forma.

Apesar do real impacto da pandemia nos diferentes sectores ser ainda difícil de quantificar, dada a imprevisibilidade do cenário atual, há uma coisa que estamos convictos de que irá mudar – e, aliás, já estamos a ter provas disso: a forma como consumimos. A digitalização da economia é já uma missão do sector financeiro, há largos anos, como forma de aproveitar as vantagens da evolução tecnológica para trazer valor para as soluções e serviços que disponibilizamos diariamente aos nossos clientes. Contudo, antes da pandemia, a perspetiva era de uma mudança mais lenta para os pagamentos digitais. Com a emergência da pandemia, veio uma maior necessidade de segurança no ato de pagamento e, portanto, assistimos a um aumento de tendências, como o e-commerce e o contactless. Com isto, acreditamos que a tendência se mantenha e que tanto os consumidores como os comerciantes venham a procurar cada vez mais soluções de pagamentos que tornem o ato de pagamento mais simples, cómodo, eficiente, seguro e, mais importante ainda, orientado para as suas necessidades.

 

O sistema retalhista português obteve uma ligeira recuperação nos níveis de faturação nacional, que, apesar de ainda se encontrarem abaixo dos valores pré-pandemia (menos 8% face a 2019), subiram quatro pontos percentuais entre os meses de fevereiro e março deste ano. Contudo, este crescimento é ainda residual e está dependente de um conjunto de fatores, desde logo, a evolução do processo de vacinação e a evolução do próprio cenário epidemiológico português, que ditará quais os negócios que poderão estar em atividade e de que forma.

 

GC – O confinamento imposto em janeiro deste ano refletiu-se ao nível das vendas?

TO – Bastante, infelizmente. No primeiro trimestre de 2021, notámos uma nova enorme desaceleração da faturação dos nossos comerciantes, isto porque muitos negócios foram forçados uma vez mais a fechar. ,

Por outro lado, se alguns negócios tinham já se dotado de soluções de vendas à distância no primeiro confinamento em 2020, outros tantos percebemos que ficaram inativos, demonstrando não conseguir manter a sua atividade a funcionar neste confinamento.

 

GC – Acredita que alguns comerciantes poderão não voltar a abrir portas no desconfinamento? 

TO – Acredito que os próximos tempos, um pouco por todos os sectores, sejam de regresso à normalidade, mas sempre com a devida precaução, pois o futuro ainda é muito incerto, e a recuperação económica irá depender, em grande medida, da continuidade e velocidade do processo de vacinação e consequente alívio das medidas restritivas.

Contudo, infelizmente, todos os dias conhecemos casos de negócios que não têm condições de manter as portas abertas e se veem obrigados a encerrar a sua atividade. Ainda assim, tenho esperança de que, em breve, estes “guerreiros” se voltem a reinventar e a abrir portas com o negócio que tinham, ou outro qualquer. O povo português é muito forte, resiliente e inovador.

 

GC – Quanto vale atualmente o contactless no universo dos pagamentos em Portugal? O que poderá representar no final do ano?

TO – Outra das tendências que confirmamos através do relatório da REDUNIQ é o crescimento dos pagamentos por contactless, que, desde o início da pandemia, têm vindo a crescer exponencialmente e a tornar-se uma forma de pagamento cada vez mais enraizada junto dos consumidores. Só em março deste ano, 42% dos pagamentos efetuados na rede de aceitação da REDUNIQ foi através desta tecnologia, uma percentagem que contrasta com os 4% em janeiro de 2019 ou os 10% em janeiro do ano passado.

É evidente que o contactless mostrou ser uma alternativa fácil e segura para os consumidores, especialmente no momento atual. Mas esta tecnologia é também a perspetiva de um futuro dos pagamentos digitais cada vez mais procurado pelo consumidor e pelo tecido empresarial português.

Já o ritmo do seu crescimento e adesão depende de uma série de fatores, nomeadamente, a procura por se manter uma tendência crescente, mas acredito que estamos num bom caminho para que ultrapasse bem mais que metade do nosso universo de pagamentos até ao final do ano.

 

Só em março deste ano, 42% dos pagamentos efetuados na rede de aceitação da REDUNIQ foi através desta tecnologia, uma percentagem que contrasta com os 4% em janeiro de 2019 ou os 10% em janeiro do ano passado. É evidente que o contactless mostrou ser uma alternativa fácil e segura para os consumidores, especialmente no momento atual. Mas esta tecnologia é também a perspetiva de um futuro dos pagamentos digitais cada vez mais procurado pelo consumidor e pelo tecido empresarial português.

 

GC – Acredita que a meta do Banco de Portugal para que todos os cartões de pagamento passem a ter incorporada a tecnologia contactless, até 2023, será cumprida?

TO – Estou convicto de que Portugal irá alcançar com facilidade esta meta definida pelo regulador nacional. Atualmente, a maioria dos terminais de pagamentos e cartões já inclui a tecnologia contactless. Alguns terminais, no entanto, não têm ainda acordo de aceitação de marcas internacionais, as quais viabilizam o pagamento contactless, mas certamente que esta discrepância será cada vez mais reduzida.

No caso da REDUNIQ, todas as nossas soluções de aceitação de pagamentos permitem tanto cartões nacionais quanto internacionais, possibilitando, desta forma, o pagamento por contactless nos nossos terminais.

 

GC – Algum dia regressaremos ao normal pré-Covid ou as mudanças trazidas com a pandemia não terão retorno?

TO – É normal que muitos aspetos da nossa vida tenham mudado para sempre. Mas isso não tem de ser um aspeto negativo, pelo contrário. Se a pandemia fez com que muitas pessoas experimentassem, pela primeira vez, uma compra online, e tendo sido esta uma experiência positiva após perceber os benefícios, muitos dos consumidores passarão a adotar este método para muitas das compras que, até aqui, eram físicas. 

Acima de tudo, precisamos é ter a capacidade de nos adaptar à mudança e encontrar novos caminhos e soluções para enfrentar todas as alterações a que assistimos.

 

GC – Podemos vir a equacionar um Portugal totalmente cashless?

TO – É uma possibilidade cada vez mais real, mas ainda distante. Os pagamentos por cartão, smartphone ou através de wearables são uma opção mais simples, cómoda e segura de pagamentos, que traz vantagens também para os comerciantes, que, ao evitar a utilização de dinheiro, previnem erros em trocos ou mesmo roubos, além de que facilita imenso a integração dos pagamentos com os vários softwares de faturação e gestão existentes.

Contudo, o numerário, quer em Portugal, quer na Europa, ainda representa um importante método de pagamento dos consumidores – mais de 70% do total dos pagamentos, de acordo com o Banco Central Europeu. A pandemia veio reforçar as vantagens dos pagamentos digitais, de facto, mas ainda teremos uma grande expressão dos pagamentos cash nos próximos anos.

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