REDUNIQ
Tiago Oom, diretor da REDUNIQ
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“A REDUNIQ está totalmente comprometida em promover um tecido empresarial mais informado, mais digitalizado e, deste modo, mais eficiente”

2020 foi o ano com maior redução de pagamentos em numerário de sempre, pelas contas de Tiago Oom, diretor da REDUNIQ. Fruto da pandemia, houve uma forte aceleração da adoção dos pagamentos digitais, com os consumidores cada vez mais à vontade com esta transformação. Para o gestor, a próxima década será de uma exponencial adesão e procura dos métodos digitais, o que permite antever que o conceito 100% “cashless” venha a ser uma realidade.

 

Grande Consumo – Quais são os principais eixos de ação da Estratégia Nacional para os Pagamentos de Retalho | 2020-2022? Quais os seus objetivos qualitativos e quantitativos?

Tiago Oom – Parafraseando o próprio Banco de Portugal, promotor desta iniciativa, a Estratégia Nacional para os Pagamentos de Retalho | 2020-2022 visa contribuir para a implementação de soluções de pagamentos seguras, eficientes e inovadoras no mercado português, promovendo a sua acessibilidade generalizada, assente em quatro pilares, sendo eles promover uma sociedade mais informada, potenciar os benefícios da transformação digital, contribuir para um enquadramento regulamentar que promova a inovação e a eficiência e promover a adoção de soluções de pagamento mais seguras.

 

GC – Como é que a REDUNIQ vê a aplicação dos mesmos? Que procedimentos, solicitações ou boas práticas defende, ou recomenda, para a sua correta implementação?

TO – A REDUNIQ, como parte do Fórum para os Sistemas de Pagamentos, está totalmente comprometida em promover e cimentar um tecido empresarial mais informado, mais digitalizado e, deste modo, também mais eficiente, mais seguro e, acima de tudo, que possa oferecer aos cidadãos e turistas uma melhor experiência de pagamento.

Para isso, temos vindo a criar várias iniciativas de apoio à digitalização dos negócios, nomeadamente, através da criação de soluções de pagamento à distância prontas a utilizar, sem necessidade do cliente ter um site para, nos dias de hoje, receber pagamentos online com toda a segurança. Temos, também, uma solução de terminal de pagamentos Smart, que integra softwares de gestão, de faturação ou outros que os comerciantes queiram aplicar no terminal, além da solução de pagamento por cartão, também com tecnologia “contactless”, tão requisitada nos dias de hoje. Assim, os negócios podem ter todas as funcionalidades de gestão num único terminal, dispensando equipamentos adicionais, como, por exemplo, caixas registadoras.

Por último, temos investido muito, como complemento a toda esta oferta, numa ferramenta de literacia na área dos pagamentos através do blog da REDUNIQ, por forma a que todos os negócios em Portugal possam contar com a REDUNIQ para não apenas terem soluções de pagamento, mas também saber que tipo de soluções se adaptam ao seu negócio, de que forma podem escolher modelos de pagamentos mais seguros, quais os cuidados a ter no momento do pagamento ou de que forma proteger os seus clientes de algum tipo de errada utilização de dados de cartão, entre tantas outras informações que vamos divulgando regularmente, para dar conforto aos negócios no momento de se digitalizarem.

 

GC – Qual o impacto no sistema transacional do sector retalhista português? Esta estratégia traz grandes ruturas ou é uma evolução na continuidade?

TO – O sector retalhista representa 92% da faturação da REDUNIQ, totalizando, em 2020, mais de 16,6 milhões de euros.

Ainda assim, sendo um sector estratégico e em constante desenvolvimento, há muito para crescer na oferta de soluções de pagamentos. Acreditamos que esta estratégia é uma aceleração do curso natural da digitalização dos negócios. Não só os pagamentos digitais têm vindo a crescer, ano após ano, com a evolução tanto a nível da oferta como da procura, como, em 2020, acelerados pela pandemia que vivemos, os hábitos dos consumidores alteraram no sentido de evitar o contacto na utilização de numerário ou, mesmo, manuseamento de terminais de pagamento, privilegiando o “contactless” em compras presenciais ou a escolha pela compra online em detrimento do físico.

Esta aceleração é fortemente potenciada por esta iniciativa, na medida em que a mesma promove uma eficaz parceria entre várias entidades ligadas ao sector financeiro português, garantindo que todos os agentes contribuem para este projeto de aceleração digital.

 

O sector retalhista representa 92% da faturação da REDUNIQ, totalizando, em 2020, mais de 16,6 milhões de euros. Ainda assim, sendo um sector estratégico e em constante desenvolvimento, há muito para crescer na oferta de soluções de pagamentos. Acreditamos que esta estratégia é uma aceleração do curso natural da digitalização dos negócios

 

GC – No futuro, dever-se-á se esperar um aumento da implementação da tecnologia “contactless”? Quais os canais que poderão estar mais disponíveis para a sua implementação, se é que a sua adoção pode ser vista deste modo?

TO – Acredito que sim. Neste momento, a grande maioria dos terminais e dos cartões está já equipada com tecnologia “contactless”. Tal como foi possível ouvir no webinar Estratégia Nacional para os Pagamentos de Retalho – Horizonte 2022, promovido pelo Banco de Portugal no passado dia 21 de janeiro, o que ainda podemos assistir, em Portugal, é que alguns terminais não têm acordo para aceitação de marcas internacionais, que são as que permitem os pagamentos “contactless”. Com as soluções de pagamento da REDUNIQ, que permitem aos negócios aceitar pagamentos de cartões nacionais e internacionais, os comerciantes podem aceitar pagamentos “contactless” no seu negócio. Estes acordos podem também ser ativados junto do banco do comerciante. A REDUNIQ trabalha com a maioria dos bancos portugueses para ativar acordos de aceitação de marcas internacionais e, deste modo, de “contactless” nos comerciantes.

 

GC – As transações em numerário ainda representam a grande maioria das transações de capital nos mais diversos e distintos atos de compra?

TO – A REDUNIQ não tem visibilidade sobre as compras em numerário, na medida em que os serviços que fornecemos são todos assentes na aceitação de cartões como forma de pagamento. Mas acredito, e até pelo que já veio escrito na imprensa, que houve uma enorme redução de pagamentos em numerário. Era algo que se tinha vindo a notar nos últimos tempos, mas 2020 foi o ano com maior redução de pagamentos em numerário de sempre.

 

GC – Trata-se de uma mudança de mentalidade geracional? Ou os dados de adoção aos meios de pagamento eletrónicos, sobretudo no período da pandemia e no arranque deste novo ano, refletem uma mudança do paradigma?

TO – De facto, até a esta pandemia, dir-lhe-ia que seria uma mudança geracional, mas, nos últimos meses, acredito que se assiste a uma preferência crescente em todas as gerações por pagamentos mais seguros numa perspetiva sanitária, sendo essa segurança, naturalmente, reforçada quando se opta por um método de pagamento digital em detrimento de numerário. E, obviamente, quando uma experiência é bem-sucedida, torna-se rapidamente um hábito.

Tanto para o cliente como para o comerciante, o uso de pagamentos eletrónicos traz inúmeras vantagens, não só a higiene, como evita a multiplicidade de moedas e trocos nas carteiras e até a necessidade de trocos em caixa e, consequentemente, a acumulação de filas no momento do cliente tirar da carteira o dinheiro, escolher as notas e/ou moedas corretas para o pagamento, entregar ao comerciante, que deve conferir o valor e ainda dar o troco correspondente. Tudo isto passa a ser, especialmente se utilizarmos o “contactless”, um processo de um só passo e de poucos segundos.

 

GC – A mesma leitura poderá ser feita à utilização de cheques? Esta figura de pagamento tende ao desuso ou à utilização restrita em ocasiões muito concretas?

TO – Eu diria que esta tendência já é muito mais notada no uso dos cheques bancário, além do elevadíssimo custo que estes têm para os consumidores, são algo que caiu completamente em desuso e os que há é no mercado empresarial. Tanto os particulares, como os empresários já entenderam muito bem que a crescente oferta de soluções digitais torna o pagamento mais barato, fácil e seguro.

 

GC – O aumento das compras online trouxe consigo preocupações acrescidas com as autenticações dos pagamentos? A questão da segurança ao nível das transações no e-commerce ainda se coloca, ao dia hoje?

TO – Não há pagamentos sem risco, começando pelo dinheiro, que, se é roubado, ninguém vai conseguir encontrar a nota roubada. O e-commerce tem sofrido deste preconceito, ao longo de tempos, mas posso referir que, na grande maioria dos casos, é o meio mais seguro de pagamento. Tem sido uma das nossas maiores preocupações (e dos sistemas como um todo) e um dos maiores focos de investimento que os vários “stakeholders” têm feito, mas trabalhamos com as mais robustas soluções ao nível de segurança.

As nossas soluções utilizam o protocolo 3D Secure, que garante a autenticação forte do cliente nas compras online, o que lhes confere máxima segurança. Adicionalmente, a REDUNIQ e os seus parceiros são certificados PCI-DSS, um standard de segurança que tem como principais objetivos proteger os titulares de cartões de pagamento, de forma a assegurar a confidencialidade e integridade dos dados sensíveis associados à utilização de cartões.

As questões de segurança colocam-se ainda à data de hoje, nomeadamente, ao nível da desinformação dos utilizadores e dos próprios negócios, cuja resposta também é uma aposta forte da REDUNIQ, garantindo uma maior informação, com transparência e simplicidade, nas várias plataformas de comunicação que temos ao dispor, para que todos os utilizadores e negócios possam saber exatamente que métodos de pagamento, e formas de utilização dos mesmos, devem escolher no momento da compra.

 

Não há pagamentos sem risco, começando pelo dinheiro, que, se é roubado, ninguém vai conseguir encontrar a nota roubada. O e-commerce tem sofrido deste preconceito, ao longo de tempos, mas posso referir que, na grande maioria dos casos, é o meio mais seguro de pagamento

 

GC- Seria importante olhar para a legislação em vigor de modo a poder antecipar eventuais desafios futuros decorrentes da progressiva digitalização do negócio? Ou a mesma possibilita uma resposta adequada a esses desafios?

TO – Um dos aspetos positivos do Banco de Portugal ter reunido tantas vozes diferentes do mercado de pagamentos – desde organizações de consumidores, retalhistas, entidades estatais, instituições de pagamento, etc. – é verificar que há essa vontade comum e que, por isso, a legislação não deve ser o obstáculo à digitalização dos negócios. A estratégia apresentada conta com iniciativas que visam determinar, por exemplo, a aceitação de, pelo menos, um meio de pagamento eletrónico a breve prazo, para já, em combinação com a aceitação de numerário que é hoje obrigatória. Será um primeiro passo, mas, olhando para os exemplos que nos chegam da Europa, é muito provável que, à medida que os consumidores estejam cada vez mais à vontade com esta transformação, o conceito de 100% “cashless” venha a ser uma realidade, otimizando a rapidez, a segurança e a conveniência para as pessoas e para os negócios, já que o numerário é, em si, um meio bastante caro e inconveniente.

 

GC – Como é que a REDUNIQ encara o surgimento de novas moedas digitais, através de serviços como, por exemplo, o Revolut ou o PayPal? São um desafio acrescido à organização do mercado e dos serviços de pagamentos? Ou uma consequência da digitalização e da desmaterialização do negócio?

TO – A REDUNIQ tem como objetivo aceitar todos os métodos de pagamento que existam e, nesse sentido, acreditamos que o surgimento destas soluções é também indicador da procura de um mercado cada vez mais digital, o que nos apoia também no nosso caminho.

No caso dos exemplos que refere, a REDUNIQ aceita as principais marcas internacionais e os cartões Revolut são aceites em todos os terminais da REDUNIQ. DE igual modo, a solução de e-commerce da REDUNIQ permite integração com o PayPal.

 

GC – Notícias dão conta de estudos promovidos pelo Banco Central Europeu para o desenvolvimento de um euro digital. Como é que encaram esta perspetiva?

TO – Tal como na questão anterior, a ambição da REDUNIQ é aceitar as principais moedas do mundo e, por isso, certamente tudo faremos para aceitar o euro digital caso o mesmo seja desenvolvido. Olhamos com positivismo para o surgimento desta “moeda”, pois facilitará, com toda a certeza, uma mais rápida a certeira digitalização dos pagamentos, da qual somos, claramente, muito entusiastas.

 

GC – Como é que a REDUNIQ perspetiva a próxima década, no que aos meios e serviços de pagamento eletrónico diz respeito?

TO – Com muita expectativa e, acima de tudo, muita responsabilidade. Acreditamos que a próxima década será de uma exponencial adesão e procura dos métodos digitais, o que nos traz enorme satisfação, porque acreditamos que os pagamentos digitais beneficiam todo o ecossistema de pagamentos, e até fiscal, quer do nosso país, quer a nível global, pela simplificação de gestão financeira das empresas.

Mas também nos traz um sentido de responsabilidade acrescido, para garantir que continuamos a entregar aos negócios portugueses as melhores soluções de pagamento, mais seguras, mais simples, mais eficientes e mais orientadas às necessidades de cada negócio.

 

Acreditamos que a próxima década será de uma exponencial adesão e procura dos métodos digitais, o que nos traz enorme satisfação, porque acreditamos que os pagamentos digitais beneficiam todo o ecossistema de pagamentos, e até fiscal, quer do nosso país, quer a nível global, pela simplificação de gestão financeira das empresas

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