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Invasão russa da Ucrânia causou crise “massiva” de segurança alimentar, diz a FAO

Foto Shutterstock

A invasão da Ucrânia pela Rússia provocou uma “crise massiva e ainda maior deterioração” da segurança alimentar, na Ucrânia e no estrangeiro, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Num artigo de 26 páginas, intitulado “Implicações na segurança alimentar mundial e agricultura, incluindo os preços globais dos alimentos, decorrentes da agressão da Federação Russa contra a Ucrânia”, que foi apresentado numa conferência em Lodz, na Polónia, na semana passada, a FAO observa que as cadeias de abastecimento de alimentos enfrentam grandes perturbações, numa altura em que os preços dos alimentos “subiram para novos patamares“, em resultado do conflito.

Isto agrava o “já pesado fardo para a segurança alimentar global“, com os preços dos produtos alimentares a terem já atingido um máximo de sempre, antes da invasão, e os preços da energia, fertilizantes, matérias-primas agrícolas e serviços a subirem.

 

Impactos da guerra

A Ucrânia e a Rússia foram responsáveis por cerca de 30% do mercado global de trigo em 2021, bem como por 63% das exportações combinadas de óleo de girassol. Além disso, a Ucrânia é o quarto maior exportador de milho, a nível global. “Estes países estão, portanto, altamente expostos aos impactos da guerra“, indica a FAO. “Há cada vez mais indícios de estes se espalharão para além dos limites da região, apresentando um desafio cada vez maior à segurança alimentar global, em particular para grupos populacionais vulneráveis e países de baixo rendimento, dependentes das importações de alimentos“.

O organismo tem apelado a esforços para evitar que a guerra afete a produção alimentar e as infraestruturas da cadeia de abastecimento, incluindo a proteção das culturas, pecuária, matérias-primas e maquinaria. Isto deve também estender-se a infraestruturas de processamento de alimentos, nomeadamente cereais e oleaginosas, bem como sistemas auxiliares de armazenamento, transporte e distribuição.

 

Diversificação

Além disso, a FAO salienta a necessidade de diversificar o abastecimento de determinados produtos alimentares, observando que os países fortemente dependentes das importações da Ucrânia e da Rússia tiveram de lidar com choques de abastecimento.

Isto pode ser alcançado explorando outras fontes comerciais internacionais, uma vez que os países que importam géneros alimentícios de muitos parceiros comerciais diferentes são menos vulneráveis a choques específicos“, observa a FAO.

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