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Grupo Lusiaves aposta nos mercados externos

Um percurso que originou um saldo positivo”. É assim que Avelino Gaspar, fundador e presidente do Grupo Lusiaves, avalia o caminho percorrido pela empresa que celebrou o seu 30º aniversário com a comunicação de um investimento de 200 milhões de euros. Além do reforço da liderança do mercado em Portugal, o Grupo Lusiaves, empresa 100% portuguesa no sector avícola, que aposta na produção, transformação e comercialização a partir do território nacional, vai expandir-se para novos territórios sempre com o mesmo mote: a adaptação ao mercado.

O Grupo Lusiaves irá investir 200 milhões de euros, nos próximos cinco anos, com o objetivo de aumentar a capacidade de produção, disponibilizar novos produtos, integrar novas áreas de negócio e apostar na internacionalização. Mais uma investida do grupo fundado em 1986, na Marinha das Ondas, na Figueira da Foz, por Avelino Gaspar, para quem este foi “um percurso com muito trabalho e muita dedicação. O que de mais importante tem é que conseguimos criar um projeto, acreditar nele ao longo de todos estes anos e conseguir que outros também acreditassem nele”.

O Grupo Lusiaves foi crescendo através da aquisição de várias empresas que permitiram verticalizar a sua atividade, tais como a Racentro, produtora de rações que fabrica anualmente mais de 450 mil toneladas de rações, a Campoaves, produtora de frangos do campo e detentora de centro de abate próprio, e a Lusifrota, a empresa de transportes do grupo, criada em 1999, para assegurar que o transporte dos seus produtos é realizado de forma adequada e de acordo com as especificidades próprias de cada etapa do ciclo de vida do produto e respeito integral das condições higiénico-sanitárias. “Neste mercado, temos de controlar muito bem todas as etapas para garantirmos que não há uma contaminação ou desperdícios”, explica o presidente. “Temos frota própria para todas as matérias-primas. Para o transporte da matéria-prima, do produto acabado, transporte para as fábricas de ração, transporte de animais vivos, de produtos transformados e dos ovos. Queremos ter um controlo absoluto de todo o processo.”

Mercados
Hoje, o Grupo Lusiaves é constituído por 20 empresas que asseguram todo o processo produtivo e que opera em todas as etapas da cadeia de valor. Sem presença física, por enquanto, fora de Portugal, o abastecimento dos mercados internacionais é efetuado a partir da produção realizada em território nacional. “Produzimos e transformarmos tudo a partir de Portugal. Sempre o fiz, e seguramente continuará a ser, porque estes investimentos que estão em curso, e outros que estão previstos, vêm mostrar um crescimento assinalável na produção nacional. Assim, mantemos cá os postos de trabalho e criamos cá a maior parte da riqueza”, afirma o fundador.

Mas também a expansão no território internacional, com especial foco no mercado espanhol, onde já tem uma presença comercial significativa, é aposta do crescimento do Grupo Lusiaves que já exporta para 21 países. “Tudo o que produzimos e comercializamos em Portugal também é exportável”, diz Avelino Gaspar. “Os nossos produtos têm aceitação. Mas em Espanha, tal como em outros mercados, temos que nos adaptar. Não vamos vender os nossos hábitos portugueses. Quando vamos a Espanha, temos que nos adaptar ao mercado espanhol e encontrar produtos específicos para esse mercado. Temos que nos antecipar a novos requisitos e, felizmente, não temos dificuldade em lado nenhum por não cumprir os requisitos que são exigidos ou hábitos de consumo. Temos sabido inovar, criar novos produtos e identificar as necessidades dos nossos consumidores”. Nomeadamente, o Grupo Lusiaves iniciou, em 2015, o contacto com o Instituto Halal de Portugal/Comunidade Islâmica de Lisboa, que visitou os centros de abate e delineou as necessidades de admissão de magarefes muçulmanos para fazerem o abate, subsequentemente assinando uma informação de autorização ao Grupo Lusiaves para dar início à comercialização de produtos Halal.

Futuro
Segundo uma intervenção do ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, presente no evento onde se celebrou os 30 anos do Grupo Lusiaves, as exportações avícolas cresceram dez vezes em valor entre 2005 e 2015, ascendendo a 38 milhões de euros no ano passado e tornando Portugal no décimo maior produtor europeu. Luís Capoulas Santos destacou ainda que Portugal é o maior consumidor europeu per capita de carnes de aves (37,5 quilogramas versus a média comunitária de 22,5 quilogramas anuais por habitante) e apresenta uma autossuficiência de 103% no frango (88% nas aves). A exportação de ovos incubáveis, aves e carne de aves e miudezas é responsável por quase 10% do Produto Agrícola Bruto nacional.

Avelino Gaspar mostra-se otimista quanto às perspetivas para o sector. “O sector agroalimentar, e em particular o sector avícola, tem muito potencial de crescimento porque é o mais sustentável. É o sector que menos contribui para a pegada ambiental e que menos recursos consome. Uma ave consome muito menos água e emite muito menos poluição do que outro tipo de animais. As carnes brancas são mais saudáveis. Diz-se que estão na moda, mas exatamente porque são boas, fiáveis, confiáveis e têm qualidade. Acho que é promissor.

E para os próximos 30 anos do grupo, as bases estão lançadas. “As empresas estão capitalizadas, temos equipas de excelência, que acreditaram em nós e que estão connosco porque temos tido condições para que o sucesso e o crescimento se permita.”

Este artigo foi publicado na edição 42 da Grande Consumo.

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