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Comércio ilícito potenciado pela pandemia

O Fórum Económico Mundial (WEF, pela sua sigla em inglês) estima que mais de 2,2 biliões de dólares, cerca de 3% do PIB global, tenham sido perdidos, em 2020, devido ao comércio ilícito.

A pandemia de Covid-19 causou um aumento destas práticas em vários sectores, como o farmacêutico, o tabaco, as bebidas alcoólicas, os produtos de proteção individual, os artigos de higiene pessoal e do lar, os bens de luxo e os produtos de beleza e cuidados pessoais. Os consumidores podem, até, estar a potenciar estas práticas sem que disso tenham conhecimento, comprando contrabando ou falsificações de marcas reconhecidas a preços mais baratos.

De facto, de acordo com a consultora Euromonitor, a grande questão emergente com a pandemia foi a necessidade de produtos de qualidade a preços acessíveis, o que ditou as atitudes dos consumidores tanto nos mercados legítimos, como nos ilícitos. A seleção de marcas, a frequência de compra e a tolerância ao preço são ainda os principais “drivers” das decisões de compra. Contudo, a oportunidade de comprar bens muito abaixo do seu preço de mercado, muitas vezes, empurrou os consumidores para compras ilícitas, sem que, talvez, o soubessem.

Em tempos económicos ditos normais, o comércio ilícito é comum numa ampla variedade de bens, desde os produtos premium e de luxo que são contrabandeados ou contrafeitos, a artigos básicos como vestuário, bens alimentares embalados e medicamentos. “Como resultado da pandemia, os consumidores estão a dar prioridade, nos seus gastos, a bens essenciais, como alimentação, produtos para o lar e saúde. De acordo com as nossas previsões macroeconómicas, o PIB mundial deverá ter caído 3,8% em 2020”, diz a consultora.

A escassez de produtos através dos canais formais, devido aos confinamentos e interrupções na cadeia de abastecimento, também está a favorecer a aceitação social dos produtos comprados ilicitamente, devido ao mantra da “necessidade de sobrevivência” interiorizado durante a pandemia.

 

Cadeia de abastecimento

O fornecimento ineficiente de matérias-primas é outro dos catalisadores do mercado ilícito, durante a Covid-19. Em alturas normais, as disrupções na cadeia de abastecimento são normalmente potenciadas pelo roubo de bens, pelo encerramento de fronteiras ou pela rutura de stocks. Durante a pandemia, o fecho das fronteiras e as restrições com os confinamentos decretadas pelos governos foram a principal causa dessa disrupção.

 

Foram detetadas consequências negativas nos países onde os governos, durante a Covid-19, implementaram políticas relacionadas com a restrição de acesso a determinadas matérias-primas, a proibições temporárias da comercializado de determinados produtos, ao controlo dos canais onde os produtos são vendidos e à implementação ou subida de impostos sobre os bens. Uma vez que estas medidas têm um impacto direto nos preços de venda dos produtos legítimos, incentivam os consumidores a procurar opções mais baratas no mercado ilícito.

 

Ações preventivas

As bebidas alcoólicas e o tabaco foram dos produtos que, em 2020, enfrentaram maior disrupção e migração para o comércio ilícito. Estas indústrias foram afetadas pelos impostos e subidas nos preços das matérias-primas, assim como por algumas medidas governamentais, como as implementadas pelos governos do Panamá, Sri Lanka e África do Sul, que proibiram a sua comercialização no âmbito do combate à Covid-19.

A recuperação desta recessão global irá depender da duração da pandemia. Os negócios necessitarão de reaprender as dinâmicas da sua própria indústria, preferências do consumidor, condições do mercado e concorrência.

A Euromonitor considera, ainda, que o comércio ilícito não pode ser considerado uma prioridade menor e que são necessárias ações efetivas para prevenir mais ganhos por parte destes operadores ilegítimos. “O diálogo sobre o comércio ilícito entre todos os ‘staleholders’, públicos e privados, terá de continuar, porque se trata de um tema que a todos interessa. Os recursos e ações dos governos terão de ser balanceados na abordagem às implicações da Covid-19, prestando atenção ao controlo daquelas atividades. Globalmente, os governos terão de continuar a estar conscientes dos efeitos negativos do vírus e do comércio ilícito, uma vez que estão proximamente interligados”.

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