A amizade de longa data entre as famílias Amorim e Cotarella transforma-se agora numa colaboração enológica que cruza geografias, gerações e saberes, unindo Portugal e Itália – dois dos mais antigos e influentes países produtores de vinho do mundo.
Mais do que uma parceria técnica, trata-se de um diálogo profundo entre culturas vitivinícolas que partilham séculos de observação empírica, respeito pelo património genético e valorização de práticas ancestrais.
No centro deste encontro está Riccardo Cotarella, uma das figuras mais respeitadas da enologia internacional, cuja experiência e sensibilidade chegam, pela primeira vez, à viticultura portuguesa. O desafio é ambicioso: interpretar a diversidade das castas autóctones e a complexidade da viticultura de montanha, num país onde o vinho é feito de micro-territórios, nuances e equilíbrio.
Três regiões distintas, três expressões de terroir
A colaboração estende-se a três propriedades emblemáticas lideradas por Luísa Amorim – a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, no Douro, a Taboadella, no Dão, e a Herdade Aldeia de Cima, no Alentejo, este último um projeto pessoal da produtora. Três regiões distintas, três expressões de terroir, unidas por uma mesma visão de autenticidade, rigor e respeito pela identidade de cada lugar.
“Nos projetos liderados por Luísa Amorim encontrei uma profunda atenção ao detalhe e ao saber-fazer local”, afirma Riccardo Cotarella. O enólogo destaca a filosofia da viticultura em mosaico, assente na exploração de nano e micro-parcelas de castas nativas, conduzidas por equipas experientes e profundamente ligadas ao território. Para o responsável, Portugal revela uma inteligência rara na arte do lote: “A forma natural como os enólogos portugueses combinam dezenas de variedades autóctones, preservando equilíbrio e identidade, é algo que nunca tinha visto no mundo. Trabalhar aqui é inspirador – há rigor, sensibilidade e uma harmonia que transforma a complexidade em beleza”.
Do lado português, Luísa Amorim sublinha a dimensão humana e intelectual da parceria. “Trabalhar com Riccardo Cotarella é ganhar sabedoria e transmitir conhecimento com a confiança de um grande amigo”, afirma. A sua abordagem meticulosa à maturação fenólica, à microvinificação e à pureza varietal, aliada a uma carreira construída em propriedades icónicas em Itália e noutros países, faz dele uma referência incontornável na elevação de cada terroir à sua mais alta expressão.
O trabalho desenvolve-se em estreita colaboração com os enólogos residentes das propriedades: António Bastos e Eduardo Leite na Quinta Nova (Douro), Rodrigo Costa na Taboadella (Dão) e António Cavalheiro na Herdade Aldeia de Cima (Alentejo). Um diálogo contínuo entre conhecimento local e visão internacional, onde cada origem mantém a sua identidade e cultura próprias.
Esta parceria insere-se no percurso singular de Luísa Amorim, uma das figuras mais inovadoras do vinho português contemporâneo. Desde muito jovem, desafiou convenções, ao lançar uma gama de Vinho do Porto pensada para novas gerações, ao afirmar um tinto do Douro sem madeira e ao apostar nos grandes brancos, contribuindo para a renovação da imagem do vinho português no exterior. À frente de três propriedades de referência, tem promovido uma visão integrada e holística, ancorada na valorização das castas antigas, na viticultura de precisão e numa abordagem pioneira ao enoturismo.







