Wine Paris
Bebidas

Wine Paris, o grande palco global do vinho

Num mercado em constante transformação, a Wine Paris consolida-se como ponto de encontro incontornável para os profissionais do sector do vinho e das bebidas espirituosas. A sua história, que remonta a 1981, reflete uma evolução estratégica que culminou na criação de um evento de dimensão global. Nicolas Cuissard, diretor do evento, desvenda as chaves do sucesso do salão, as tendências que marcam o consumo, o papel crucial da diversificação de categorias e a importância crescente de Portugal neste palco internacional.

A Wine Paris afirmou-se no calendário internacional como um momento decisivo para o negócio. Realizado no início do ano, o evento reúne em Paris a totalidade dos atores do mercado – de produtores a compradores, distribuidores e retalhistas – para um intenso período de encontros, descobertas e decisões comerciais. “É um momento onde os compradores, distribuidores e retalhistas vêm encontrar os seus parceiros, descobrir novidades e tomar decisões comerciais importantes para o ano que se inicia”, sublinha Nicolas Cuissard.

Mas a importância da Wine Paris vai muito além da simples reunião de profissionais. Segundo o diretor, o evento ocupa um lugar central no ecossistema Vinexposium. “Reúne, num período curto e num contexto claro, a totalidade dos atores do mercado. Num contexto em que a fileira atravessa muitas transformações, esta capacidade de reunir toda a gente no mesmo local, no mesmo momento, tornou-se essencial”, afirma Nicolas Cuissard. Esta centralidade reflete a importância estratégica que o evento conquistou no sector global de vinho e bebidas espirituosas.

De Bordéus a Paris: uma evolução estratégica de quatro décadas

A história da Wine Paris está intrinsecamente ligada à da Vinexpo, cuja primeira edição remonta a 1981, em Bordéus. Organizada pela Câmara de Comércio e Indústria local, a feira reuniu na sua estreia 500 expositores e 11 mil visitantes. Ao longo das décadas, a Vinexpo expandiu-se globalmente, consolidando-se como referência incontornável do sector. A expansão internacional foi estratégica: em 1998, chegou à Ásia com a primeira edição em Hong Kong e, em 2002, estabeleceu-se na América do Norte, em Nova Iorque.

O ano de 2019 marcou um ponto de viragem com o lançamento da Wine Paris, fruto da fusão dos salões Vinisud e Vinovision. Em 2020, a aliança entre a Wine Paris e a Vinexpo Paris deu origem ao primeiro grande encontro anual do sector, consolidando a capital francesa como o novo epicentro do negócio.

Esta fusão culminou na criação do grupo Vinexposium, hoje o maior organizador mundial de eventos dedicados ao vinho e às bebidas espirituosas. A transformação não foi apenas administrativa, mas representou uma reconfiguração estratégica do calendário internacional, com a Wine Paris a emergir como o primeiro grande evento do ano para os profissionais do sector.

Paris: muito mais do que logística

A escolha de Paris como anfitriã permanente foi um fator determinante para a projeção global do salão. A capital francesa, com a sua acessibilidade e imagem icónica, atrai profissionais de todo o mundo. No entanto, para Nicolas Cuissard, a cidade oferece muito mais do que apenas conveniência logística. “Paris desempenhou claramente um papel determinante. É uma cidade imediatamente identificável a nível internacional, de fácil acesso e naturalmente atrativa para os profissionais de todo o mundo”, reconhece.

Mas a verdadeira força de Paris reside na sua atmosfera única. “Para além do aspeto logístico, Paris é uma cidade viva. Os bares, os restaurantes, a energia da cidade contam enormemente na experiência global. Vem-se à Wine Paris para trabalhar, mas aprecia-se também vir a Paris por tudo o que se passa à volta do salão”, explica Nicolas Cuissard. Esta atmosfera vibrante prolonga-se para além dos pavilhões da feira, fomentando relações mais humanas e duradouras entre os participantes. “Estes momentos informais prolongam as trocas, facilitam os encontros e criam relações mais humanas entre expositores, compradores e distribuidores. Sente-se, aliás, esta atmosfera humana e convivial nas ruas do salão, como em nenhum outro lugar”, acrescenta.

O resultado desta abordagem é tangível: uma “frequência internacional em forte progressão e trocas mais fluídas, mais diretas, frequentemente inscritas numa lógica de parceria duradoura”. Os números da última edição comprovam este sucesso, com a presença de 52.622 visitantes profissionais de 154 países e 5.437 expositores.

Os números da última edição confirmam a dimensão global do evento:

IndicadorDados da última edição
Visitantes Profissionais52.622
Países Representados154
Expositores5.437
Reuniões de Negócios20.229
Sessões Academy176

Tendências que moldam o futuro do sector

O salão funciona como um espelho das grandes tendências que atravessam o sector. A procura por produtos de gama alta (premiumização), a sustentabilidade, a rastreabilidade e as práticas responsáveis continuam a ser temas centrais. “A Wine Paris é um excelente reflexo das evoluções do mercado. Observamos sempre uma forte atenção dedicada à subida de gama, mas também à sustentabilidade, à rastreabilidade e às práticas responsáveis”, refere Nicolas Cuissard.

Contudo, a diversificação da oferta é, hoje, uma das evoluções mais visíveis e significativas. A Wine Paris, em conjunto com os salões Be Spirits e Be No, oferece uma visão de 360 graus sobre o mercado, integrando bebidas espirituosas, cervejas, sidras e as cada vez mais populares opções de baixo ou nulo teor alcoólico (no/low). “A diversificação é também muito visível. Com a Wine Paris, Be Spirits e Be No, três salões colocalizados, os profissionais podem compreender o mercado de forma mais ampla, integrando bebidas espirituosas, cervejas, sidras, ofertas no/low e uma valorização do universo da mixologia”, explica o diretor. “Isto corresponde à realidade dos compradores, que já não raciocinam em silos, mas procuram uma visão global, coerente e que responda diretamente à procura dos consumidores finais”, acrescenta.

Esta abordagem holística responde diretamente às novas lógicas de consumo. “O primeiro sinal é o de um consumo mais refletido, mais seletivo, com usos muito diferenciados consoante os mercados. Os profissionais devem lidar com novas expectativas, constrangimentos económicos e regulamentares, e ritmos de consumo que evoluem”, afirma Nicolas Cuissard.

Para ajudar o sector a navegar estas mudanças, a Wine Paris aposta num forte programa de conferências e masterclasses, a Academy, que na última edição contou com 176 sessões para partilha de conhecimento e experiências. “A Wine Paris também desempenha um papel importante através do seu programa Academy, com conteúdo rico em conferências, mesas redondas e masterclasses. Este ano acolhemos mais de 180 animações. Estes tempos de troca permitem aos atores da fileira partilharem as suas análises, confrontarem as suas experiências e compreenderem melhor como o comércio internacional já se está a adaptar, de forma muito concreta, a estas mudanças”, sublinha Nicolas Cuissard.

“Portugal ocupa um lugar muito importante na Wine Paris, figurando entre os quatro primeiros países expositores internacionais, com uma presença marcada de pavilhões institucionais e regionais. É um país que combina diversidade de perfis, identidade forte e uma real dinâmica de exportação. Esta presença reforçada reflete tanto a confiança dos produtores no salão como a sua capacidade de responder às expectativas dos mercados internacionais”

Portugal: exemplo de visão e compromisso internacional

A presença portuguesa na Wine Paris tem vindo a reforçar-se de forma significativa, posicionando o país entre os quatro principais expositores internacionais. A participação de pavilhões institucionais e regionais, com destaque para a ViniPortugal, evidencia a confiança dos produtores nacionais no salão como plataforma de exportação estratégica.

Nicolas Cuissard elogia explicitamente a capacidade de Portugal em aliar diversos fatores de sucesso. “Portugal ocupa um lugar muito importante na Wine Paris, figurando entre os quatro primeiros países expositores internacionais, com uma presença marcada de pavilhões institucionais e regionais, nomeadamente a ViniPortugal. É um país que combina diversidade de perfis, identidade forte e uma real dinâmica de exportação. Esta presença reforçada reflete tanto a confiança dos produtores no salão como a sua capacidade de responder às expectativas dos mercados internacionais”, afirma o diretor.

Para Nicolas Cuissard, o exemplo português transmite uma mensagem importante sobre o futuro do sector. “Portugal mostra que, para além dos volumes de produção, é a visão e o compromisso internacional que contam. A sua presença na Wine Paris é uma ilustração muito concreta disso”, sublinha. Esta perspetiva reflete uma mudança paradigmática no sector, onde a qualidade, a diferenciação e a estratégia internacional superam o simples volume de produção.

O papel dos produtores europeus

Olhando para o futuro, os produtores europeus continuarão a ser um pilar essencial para a estratégia do Vinexposium. “Trazem profundidade de oferta, riqueza de estilos e capacidade de adaptação. O nosso papel é oferecer-lhes um quadro eficaz para encontrarem os mercados e favorecer as trocas com compradores vindos do mundo inteiro“, conclui Nicolas Cuissard.

Esta missão reflete o compromisso do Vinexposium em servir como uma ponte eficaz entre os produtores europeus e os mercados globais. A Wine Paris, neste contexto, não é apenas um evento comercial, mas um catalisador de inovação, conexão e transformação no sector global de vinho e bebidas espirituosas. Com a sua presença crescente, Portugal exemplifica como os produtores europeus podem prosperar neste ambiente dinâmico e competitivo.

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