Frederico_Falcao_Presidente_da_ViniPortuga.original Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal
Bebidas

Wine Paris como palco da afirmação global dos Vinhos de Portugal

A participação de Portugal na Wine Paris & Vinexpo, um dos palcos mais relevantes do comércio global de vinhos, tem-se transformado de uma mera presença numa estratégia de afirmação global meticulosamente planeada. Esta mudança de paradigma, focada em valor, autenticidade e sustentabilidade, é o pilar da visão da ViniPortugal, a entidade responsável pela promoção da marca Wines of Portugal.

Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, detalha a ambição de posicionar o país não apenas como um produtor de excelência, mas como um dos players mais influentes no mercado internacional, consolidando a sua posição como o terceiro país em dimensão no evento, a par de Espanha, apenas atrás de França e Itália.

A meta é clara e estratégica: aumentar o valor das exportações e consolidar a perceção de que Portugal é um país de vinhos de grande qualidade e identidade única. Para tal, a ViniPortugal tem orquestrado uma presença massiva e estratégica na Wine Paris, que serve de barómetro para as tendências e oportunidades do sector, mas também como um catalisador de negócios concretos. O desafio é complexo, exigindo um equilíbrio entre a promoção da diversidade intrínseca do país e a necessidade de uma mensagem coletiva e coerente que ressoe junto dos compradores globais.

Wine Paris como plataforma estratégica

A Wine Paris & Vinexpo é encarada pela ViniPortugal como um instrumento indispensável para o crescimento internacional do sector. Frederico Falcão é categórico ao descrever o evento: “A Vinexposium, e em particular a Wine Paris, é hoje o evento mundial mais relevante no sector das bebidas, reunindo compradores, distribuidores, sommeliers e decisores de dezenas de mercados estratégicos. Estar presente neste evento é, por isso, absolutamente fundamental para Portugal”.

O crescimento do evento, impulsionado pela entrada contínua de novos países expositores, tem atraído compradores de geografias cada vez mais diversificadas, tornando a feira uma alavanca fundamental para a exportação. Para Frederico Falcão, estar presente significa não apenas mostrar vinhos, mas posicionar Portugal como ator relevante nas grandes discussões do sector, da sustentabilidade à adaptação às novas preferências do consumidor.

Essa estratégia reflete-se também nos números. Portugal posiciona-se entre os quatro países com maior presença na Wine Paris 2026, com 12 pavilhões coletivos e cerca de 300 empresas expositoras. “Nos últimos três anos, o espaço coletivo da Wines of Portugal cresceu 2,5 vezes, demonstrando não só o dinamismo do sector, mas também o interesse crescente dos mercados internacionais pela nossa oferta”, aponta Frederico Falcão.

Para a ViniPortugal, esta dimensão tem um valor prático: facilita o acesso a compradores, importadores, distribuidores e decisores de mercados considerados prioritários. “Para além de uma maior visibilidade sob a marca Wines of Portugal, toda a logística é tratada pela ViniPortugal”, refere o presidente, sublinhando o papel central da entidade na organização da presença nacional.

No entanto, o desafio para o produtor individual mantém-se: afirmar a sua identidade e proposta de valor dentro do coletivo. O objetivo final é mútuo: “Trabalhamos todos com o mesmo propósito: fortalecer a marca Vinhos de Portugal. Quanto maior for o reconhecimento e o prestígio do coletivo, maior será a probabilidade de cada produtor criar oportunidades reais de negócio”, conclui Falcão.

A organização da presença portuguesa assenta num modelo misto que conjuga regiões vitivinícolas, produtores individuais e espaços temáticos. Estão representadas todas as principais regiões nacionais, do Vinho Verde ao Algarve, passando pelo Douro, Dão, Alentejo, Lisboa, Tejo, Bairrada, Beira Interior, Península de Setúbal, Madeira e Açores.

Portugal é um dos países com maior diversidade vitivinícola do mundo, com mais de 250 castas autóctones e uma multiplicidade de terroirs. Esta riqueza, que constitui uma vantagem clara, representa também um desafio de comunicação num mercado global altamente competitivo

Diversidade como trunfo competitivo

Portugal é um dos países com maior diversidade vitivinícola do mundo, com mais de 250 castas autóctones e uma multiplicidade de terroirs. Esta riqueza, que constitui uma vantagem clara, representa também um desafio de comunicação num mercado global altamente competitivo.

“A marca Wines of Portugal foi criada precisamente para isso, é um veículo central para comunicar não apenas a origem nacional, mas a diversidade que define o nosso país”, afirma. A estratégia passa por definir castas embaixadoras, investir na educação dos profissionais e contar histórias que ligam o vinho ao território, ao clima e à cultura. Masterclasses, provas comentadas e ações formativas dirigidas a sommeliers, importadores e distribuidores são parte essencial deste trabalho.

Reconhecimento internacional

O feedback recolhido junto dos compradores internacionais tem sido claramente positivo. A diversidade de estilos, a autenticidade e a qualidade consistente dos vinhos portugueses são apontadas como fatores distintivos. O reconhecimento em concursos internacionais, onde cerca de 80% dos vinhos portugueses inscritos são premiados, reforça a confiança do trade e abre portas a novas oportunidades comerciais, incluindo regiões até agora menos conhecidas.

Este reconhecimento tem impacto direto no retalho internacional, facilitando novas listagens, reforçando parcerias e ampliando a presença dos vinhos portugueses em supermercados, garrafeiras especializadas e plataformas de e-commerce.

Reconhecimento que nasce do trabalho dos últimos anos. Como aponta Frederico Falcão, e como forma de contrariar a complexidade inerente à vasta gama de castas, a ViniPortugal adotou uma abordagem pragmática: definiu um núcleo de castas embaixadoras que ajudam a tornar a oferta mais reconhecível e acessível do ponto de vista internacional. Na opinião do responsável esta estratégia permite que o trade e o consumidor tenham pontos de referência claros, facilitando a entrada no universo dos vinhos portugueses. “Parte do nosso trabalho passa por educar profissionais no terreno (sommeliers, importadores, distribuidores) para que compreendam e valorizem a diversidade das castas portuguesas”.

Sustentabilidade e inovação no centro da estratégia

A sustentabilidade é hoje um critério determinante na decisão de compra e Portugal tem vindo a posicionar-se como referência nesta área. O Referencial Nacional de Certificação de Sustentabilidade do Sector Vitivinícola estrutura práticas ambientais, sociais e económicas, abrangendo desde a gestão da água e da energia até à responsabilidade social.

Para além das certificações, práticas concretas como a redução do peso das garrafas, a otimização de recursos, o controlo mecânico de infestantes e a aposta na economia circular são cada vez mais valorizadas pelos mercados internacionais.

Frederico Falcão aponta que a sustentabilidade não se limita à certificação; manifesta-se em práticas concretas que são cada vez mais valorizadas pelos consumidores e pelo trade. O responsável destaca várias destas ações: “O que estamos a levar à Wine Paris não é só a tradição, as castas e o terroir, é também a modernidade e o compromisso com o futuro. Estamos a mostrar vinhos que nascem em vinhas trabalhadas de forma responsável, em adegas que apostam na eficiência energética e na economia circular e a apresentar uma narrativa coletiva consistente, sob a marca Wines of Portugal”.

A par da sustentabilidade, a inovação assume um papel estratégico. O sector português tem vindo a investir em viticultura de precisão e tecnologia, procurando responder às exigências do mercado sem perder o carácter único dos seus vinhos. “Acreditamos que a sustentabilidade, a responsabilidade e a capacidade de adaptação às novas exigências do mercado global serão cada vez mais decisivas no posicionamento internacional dos nossos vinhos”, reforça.

Globalmente, o mercado NoLo tem vindo a registar um crescimento bastante significativo, atingindo cerca de 12 milhões de dólares, um aumento que se deve sobretudo às gerações mais jovens”

Novas tendências: do no & low ao enoturismo

A Wine Paris tem vindo a dar maior visibilidade a categorias emergentes, como as bebidas com baixo ou zero teor alcoólico. Embora ainda em fase inicial, o sector vitivinícola português está atento a esta tendência, impulsionada por novas gerações e por estilos de vida mais focados no bem-estar.

Paralelamente, há uma crescente valorização de vinhos com identidade forte, intervenção mínima, castas autóctones e histórias bem contadas. O enoturismo surge também como oportunidade estratégica, reforçando a ligação emocional entre consumidor e marca e acrescentando valor à experiência do vinho.

Na verdade, e como refere o presidente da ViniPortugal, o crescimento da procura por bebidas com baixo ou zero teor alcoólico (NoLo) é um fenómeno real e estrutural, impulsionado por novas sensibilidades de bem-estar e estilos de vida, especialmente entre as gerações mais jovens. “Globalmente, o mercado NoLo tem vindo a registar um crescimento bastante significativo, atingindo cerca de 12 milhões de dólares, um aumento que se deve sobretudo às gerações mais jovens”.

No entanto a tendência global mais marcada é a valorização de castas autóctones e perfis vínicos com identidade própria. Os consumidores procuram vinhos que reflitam autenticidade, origem e uma ligação real ao território. É aqui que, na opinião de Frederico Falcão, Portugal tem uma vantagem competitiva clara, com a sua diversidade vitivinícola única e uma cultura milenar ligada ao vinho.  

O responsável acrescenta ainda que “os compradores valorizam cada vez mais histórias bem contadas: quem produz, onde produz, quais as tradições por detrás daquele vinho. Portugal consegue entregar tudo isto, não oferecendo apenas um produto, mas oferecendo contexto, cultura e experiência”.

O enoturismo surge também como uma oportunidade estratégica em franca expansão, reforçando a ligação emocional entre consumidor e marca. A diversidade geográfica do país traduz-se em experiências distintas e complementares, de Norte a Sul, acrescentando valor à promoção do vinho português.

Do volume ao valor: o desafio do futuro

Portugal tem beneficiado historicamente de uma forte relação qualidade-preço, mas o desafio atual passa por evoluir para um crescimento sustentado em valor. A estratégia da ViniPortugal é clara: mais do que aumentar volumes, importa aumentar o preço médio por litro. “Apesar de Portugal ser amplamente reconhecido pela excelente qualidade dos seus vinhos a preços muito competitivos, o sector sabe que o futuro não passa por competir pelo preço. O objetivo estratégico é claro: aumentar o preço médio por litro, reforçando a perceção de valor dos Vinhos de Portugal”, afirma, categórico, Frederico Falcão, que acrescenta que “só assim garantimos sustentabilidade económica para os produtores e continuamos a afirmar Portugal como um país de vinhos de grande qualidade”.

Este posicionamento exige consistência, qualidade e preservação da identidade. A resposta à crescente procura não pode passar pela padronização, mas sim pela valorização das diferenças regionais, das castas e das práticas que tornam os vinhos portugueses únicos.

Portugal no centro do mapa mundial do vinho

A evolução da presença portuguesa na Wine Paris nos últimos anos demonstra uma trajetória de crescimento sólido. Hoje, Portugal é já o terceiro país em dimensão no evento, a par de Espanha, apenas atrás de França e Itália. Consolidar esta posição exige continuidade estratégica, investimento na marca coletiva, inovação e capacidade de transformar notoriedade em resultados comerciais.

Para a ViniPortugal, o sucesso mede-se tanto pela perceção qualitativa do mercado como pelos resultados concretos em exportações e presença no retalho internacional. A Wine Paris afirma-se, assim, como uma montra privilegiada de um sector que conjuga tradição e modernidade, identidade e inovação, num percurso de afirmação global sustentada dos Vinhos de Portugal.

“A nossa participação na Wine Paris tem-se traduzido num maior reconhecimento da marca Wines of Portugal e numa maior abertura de portas no retalho internacional que se converte em contratos de exportação, fornecimento a retalhistas internacionais e crescimento das vendas”, constata Frederico Falcão, que refere que o trabalho contínuo de promoção tem provocado uma mudança significativa na perceção internacional. “Ao longo dos anos, temos vindo a assistir a uma mudança significativa, quando se fala em vinho português no estrangeiro, já não se pensa apenas no Vinho do Porto ou nos Vinhos Verdes. Os consumidores e compradores internacionais começam a conhecer e a valorizar a diversidade das nossas regiões, das castas autóctones e dos estilos de vinho produzidos em todo o país, do norte ao sul”.

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