Retrato do empregador alegre da empresa empresarial desfrutando de processo de trabalho criativo no escritório moderno dentro de casa, jovem gerente administrativo satisfeito com projeto de planeamento de ocupação usando computador Foto Shutterstock

Trabalho híbrido divide trabalhadores na UE

O trabalho híbrido já abrange um em cada quatro trabalhadores na UE, mas a autonomia, o stress e a perceção de justiça variam entre modelos

O trabalho híbrido está a consolidar-se no mercado laboral europeu, mas a forma como é organizado influencia significativamente a autonomia, o bem-estar e a perceção de justiça dos trabalhadores. É o que revela uma análise da Eurofound, que aponta também para diferenças importantes entre profissões e níveis de flexibilidade.

Cerca de um em cada quatro trabalhadores na União Europeia trabalha atualmente num regime híbrido. No entanto, as condições em que esse modelo é aplicado variam consideravelmente entre organizações e funções.

Autonomia marca a diferença

Entre os trabalhadores em regime híbrido, 48% têm autonomia significativa para decidir tanto quando como onde trabalham. Outros 17% podem escolher o local de trabalho, mas têm pouca margem de decisão sobre o horário, enquanto 13% têm flexibilidade relativamente ao tempo de trabalho, mas não quanto ao local.

Para 22%, o regime híbrido é mais controlado, existindo pouca influência sobre quando e onde trabalham.

A flexibilidade está, contudo, longe de estar distribuída de forma uniforme pelo mercado de trabalho. O trabalho híbrido continua sobretudo concentrado em profissões qualificadas: 56% dos gestores trabalham neste regime, contra apenas 1% dos trabalhadores em profissões elementares.

Mais flexibilidade, maior perceção de justiça

A forma como o trabalho híbrido é estruturado parece também ter impacto na experiência dos trabalhadores. Entre os profissionais abrangidos por modelos totalmente flexíveis, 93% consideram ser tratados de forma justa. A percentagem desce para 83% entre os trabalhadores sujeitos a modelos híbridos mais controlados.

Também os níveis de stress variam consoante o grau de flexibilidade. Entre os supervisores, 38% dos que trabalham em modelos controlados afirmam sentir stress no trabalho sempre ou na maior parte do tempo. Entre os supervisores com flexibilidade quanto ao local de trabalho, a percentagem é de 21%.

Gestão é determinante

Para Ivailo Kalfin, diretor executivo da Eurofound, a questão já não se resume ao local onde o trabalho é realizado, mas à forma como é organizado e gerido.

A investigação aponta para a inexistência de um modelo único aplicável a todas as organizações ou profissões. Uma utilização eficaz do trabalho híbrido exige, por isso, regras organizacionais claras, mas também margem para que as equipas adaptem os modelos às suas tarefas e necessidades.

Os gestores assumem um papel particularmente relevante neste processo. A investigação indica que nem sempre recebem o apoio necessário para desenvolver competências de gestão de pessoas essenciais para criar confiança, coordenar equipas dispersas, apoiar o bem-estar e garantir a inclusão. Do lado dos trabalhadores, a maior autonomia exige igualmente competências digitais e de autogestão que permitam trabalhar de forma eficaz num contexto menos supervisionado.

Regras comuns, aplicação flexível

A Eurofound defende que as organizações devem estruturar o trabalho híbrido em função das tarefas e dos resultados, envolvendo as próprias equipas na definição das práticas. O diálogo ao nível das equipas pode ajudar a conciliar as necessidades dos trabalhadores e das empresas com objetivos de desempenho, inclusão e bem-estar.

Para os decisores políticos europeus e nacionais, as conclusões apontam para a necessidade de criar enquadramentos comuns, em vez de impor modelos uniformes. Esses enquadramentos deverão estabelecer condições claras em áreas como tempo de trabalho, saúde e segurança no trabalho, proteção de dados e direitos e responsabilidades de trabalhadores e empregadores. Ao mesmo tempo, deverão manter flexibilidade suficiente para que empresas e profissionais adaptem o trabalho híbrido às características de cada função e setor.

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