Os ciberataques têm consequências que vão além dos sistemas informáticos e dos prejuízos financeiros, afetando também o bem-estar dos colaboradores. De acordo com o Hiscox Cyber Readiness Report 2026, 81% das empresas portuguesas inquiridas que sofreram ciberataques identificam impactos negativos nos colaboradores, um aumento de 13 pontos percentuais face a 2025.
Nomeadamente, 44% das empresas referem níveis elevados de stress entre os trabalhadores, 32% identificam uma cultura de trabalho tóxica e outros 32% registam um aumento das baixas por doença. O burnout surge também entre as consequências identificadas, sendo mencionado por 24%.
Aumentam o stress e as baixas
A comparação com 2025 revela um agravamento de vários indicadores. A percentagem de empresas que associa os ciberataques a ambientes de trabalho tóxicos passou de 22% para 32%, enquanto a proporção que reporta um aumento das baixas por doença subiu de 20% para 32%. Também os níveis elevados de stress registaram um crescimento, de 41% para 44%. Em contrapartida, as situações de burnout diminuíram de 33% para 24%.
Estes dados mostram como a pressão para recuperar operações, gerir informação comprometida e assegurar a continuidade do negócio pode prolongar-se no tempo, afetando o bem-estar dos trabalhadores, a produtividade e a capacidade de resposta das organizações.
Entre o desgaste e a entreajuda
Os efeitos dos ciberataques nas equipas não são exclusivamente negativos. Segundo o relatório, 71% das empresas portuguesas afetadas identificam um reforço da entreajuda ou da lealdade entre colaboradores após um ataque, um crescimento significativo face aos 45% registados em 2025.
A Hiscox conclui que os ciberataques podem ter efeitos distintos na dinâmica das organizações. A empresa sublinha que a comunicação interna, a distribuição de responsabilidades e o apoio às equipas durante os períodos de maior pressão são fatores importantes para enfrentar a crise e recuperar após um incidente.
Recuperação além dos sistemas
O relatório da Hiscox, divulgado em outubro, destaca a importância de olhar para a cibersegurança também como uma questão de bem-estar dos trabalhadores. Embora a proteção de dados e o restabelecimento das operações continuem a ser encaradas como prioridades, as consequências dos ataques sobre as equipas demonstram que a recuperação de uma empresa não se esgota na dimensão tecnológica.
A Hiscox defende, assim, que integrar a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores nas estratégias de resiliência cibernética pode contribuir para reduzir o stress, o absentismo e o desgaste das equipas, protegendo simultaneamente a produtividade e a retenção de talento. Para a empresa, a recuperação de um ciberataque exige, assim, não só o restabelecimento dos sistemas, mas também a capacidade de apoiar as pessoas envolvidas na resposta ao incidente.








