A qualidade do emprego na Europa está a melhorar, com menos trabalhadores sujeitos a longas jornadas e condições físicas exigentes, mas continuam a existir desigualdades significativas entre géneros, gerações e sectores. As conclusões são do mais recente inquérito europeu às condições de trabalho, divulgado pela Eurofound.
Segundo o estudo, a percentagem de trabalhadores que cumprem mais de 48 horas semanais caiu de 19% em 2005 para 11% em 2024, refletindo uma evolução positiva nas condições laborais. Ainda assim, o relatório alerta para a persistência de desigualdades, com destaque para a deterioração do ambiente social no trabalho entre as mulheres.
O inquérito, baseado em mais de 36 mil entrevistas realizadas em 35 países, traça um retrato detalhado do mercado laboral europeu, analisando dimensões como condições físicas, rendimentos e perspetivas de carreira.
Apesar dos desafios, a força de trabalho europeia continua a crescer, impulsionada sobretudo pela maior participação feminina, pelo aumento de trabalhadores mais velhos e pela contribuição de migrantes. O número de trabalhadores com 55 ou mais anos aumentou significativamente na última década, enquanto as mulheres representam cerca de dois terços dos novos empregos criados.
Os dados mostram ainda níveis elevados de satisfação: 85% dos trabalhadores sentem-se tratados de forma justa e mais de 80% consideram o seu trabalho útil. A maioria reporta também um bom estado de saúde.
Novos riscos
No entanto, surgem novos riscos. A exposição a temperaturas elevadas, materiais infeciosos e pressões psicossociais está a aumentar, substituindo progressivamente os riscos físicos tradicionais. Além disso, quase um terço dos trabalhadores desconhece as medidas existentes para combater o stress laboral.
Para Ivailo Kalfin, diretor executivo da Eurofound, garantir empregos de qualidade será essencial para o futuro da Europa: “Se a Europa quer enfrentar com sucesso as transições verde e digital, tem de assegurar que os trabalhadores se sentem informados, apoiados e valorizados”.
O relatório conclui que, para além do crescimento do emprego, será necessário reforçar políticas que combatam desigualdades persistentes, nomeadamente ao nível do acesso a cargos de liderança e da proteção dos trabalhadores em setores com escassez de mão de obra.














