Vista panorâmica de uma vinha em socalcos numa encosta rural, com vegetação mediterrânica, muros de pedra e estruturas agrícolas sob céu limpo

Relatório internacional alerta indústria do vinho para crise da água

Estudo global desafia sector vitivinícola a reduzir consumo de água e adaptar-se às alterações climáticas extremas

A indústria do vinho enfrenta uma pressão crescente para repensar o uso da água perante o agravamento das alterações climáticas e a intensificação dos fenómenos meteorológicos extremos. O alerta é deixado pelo novo relatório internacional “Saving Every Drop In Wine”, promovido pela Fundação Porto Protocol.

O documento reúne contributos de especialistas internacionais e propõe soluções práticas para reduzir o consumo de água em toda a cadeia de valor do vinho, desde a vinha até à adega e à distribuição.

Segundo o relatório, a agricultura é atualmente responsável por cerca de 70% do consumo global de água doce e a viticultura encontra-se particularmente vulnerável ao stress hídrico, sazonalidade das chuvas e degradação dos solos.

A Fundação Porto Protocol defende que a água deve deixar de ser encarada como um recurso abundante e passar a ocupar um lugar central nas estratégias de sustentabilidade do sector vitivinícola.

Alterações climáticas

O estudo destaca que as alterações climáticas estão a transformar profundamente as condições de produção em várias regiões vinícolas, obrigando produtores e empresas a adotarem sistemas agrícolas mais eficientes, resilientes e preparados para o futuro.

Entre as medidas sugeridas estão a melhoria da gestão da irrigação, práticas regenerativas nos solos, reutilização de água e maior integração de tecnologia e monitorização no processo produtivo.

O relatório contou com a participação de especialistas internacionais ligados ao sector do vinho e da sustentabilidade, incluindo investigadores, produtores e entidades ligadas à inovação agrícola.

Para a Fundação Porto Protocol, a gestão eficiente da água deverá tornar-se uma prioridade estratégica para garantir a viabilidade económica e ambiental da produção vitivinícola nas próximas décadas.

A organização acredita que o documento poderá servir de referência para produtores, distribuidores e decisores políticos na construção de uma indústria do vinho mais sustentável e resiliente face aos desafios climáticos.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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