O consumo mundial de vinho voltou a recuar em 2025, prolongando uma tendência de descida iniciada em 2018, enquanto Portugal contrariou o movimento global e atingiu um máximo histórico de consumo, segundo dados divulgados pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).
De acordo com a organização, o consumo global de vinho fixou-se em 208 milhões de hectolitros em 2025, o que representa uma redução de 2,7% face aos 214 milhões registados em 2024.
A OIV sublinhou que os volumes mundiais acumulam agora uma queda de 14% desde 2018, refletindo “mudanças estruturais de longo prazo nos mercados maduros, alterações no comportamento dos consumidores e pressões económicas recentes sobre o poder de compra”.
Portugal contraria tendência global
Entre os dez maiores mercados mundiais, nove registaram recuos no consumo. Nos Estados Unidos, principal mercado mundial, o consumo caiu 4,3%, para 31,9 milhões de hectolitros. Em França, a quebra foi de 3,2%, para 22 milhões de hectolitros, enquanto Itália registou uma descida de 9,4%, para 20,2 milhões.
Na Alemanha, o consumo recuou 4,3%, para 17,8 milhões de hectolitros, ao passo que a China voltou a apresentar uma forte contração, de 13%, para 4,8 milhões de hectolitros, mantendo a trajetória descendente iniciada em 2018.
Em sentido contrário, Portugal destacou-se com um aumento de 5,6% no consumo, para um recorde de 5,6 milhões de hectolitros. O Brasil registou a maior subida entre os principais mercados, com um crescimento de 41,9%, para 4,4 milhões de hectolitros, enquanto o Japão avançou 6,8%, para 3,3 milhões.

A organização atribuiu a continuação da quebra global ao impacto dos preços elevados, influenciados por três anos consecutivos de produção relativamente baixa e pelos efeitos persistentes da inflação.
O diretor-geral da OIV, John Barker, afirmou que o sector continua a enfrentar “desafios climáticos, económicos e sociais”, aos quais se juntaram, em 2025, “as perturbações no comércio internacional resultantes das políticas tarifárias”.
Produção mundial
A produção mundial de vinho foi estimada em 227 milhões de hectolitros, uma subida marginal de 0,6% face à fraca vindima de 2024, embora permaneça 9,4% abaixo da média dos últimos cinco anos.
Segundo a OIV, fenómenos climáticos adversos, incluindo geadas precoces, chuvas intensas e secas prolongadas, afetaram vinhas em ambos os hemisférios. Alguns produtores reduziram ainda deliberadamente a produção devido ao abrandamento da procura.
Também o comércio internacional registou uma contração em 2025. As exportações mundiais de vinho diminuíram 4,7%, para 94,8 milhões de hectolitros, enquanto o valor exportado caiu 6,7%, para 33,8 mil milhões de euros.
A OIV associou esta evolução ao enfraquecimento da procura, à incerteza gerada pelas tarifas comerciais e ao aumento das tensões no comércio internacional. Só as importações norte-americanas de vinho recuaram 11,6% em valor, para 5,5 mil milhões de euros.
Apesar do contexto adverso, John Barker considerou que o sector tem demonstrado capacidade de adaptação, ajustando a produção à procura e procurando novas oportunidades de mercado.







