Capa de relatório “Propet Insights – Panorama Empresarial da Saúde Animal” (março de 2026), com imagem de um cachorro em fundo escuro e identidade visual da Uppartner
Mercado

Mercado pet cresce em Portugal

Estudo da UPPartner revela expansão do mercado pet, mas aponta falhas estruturais e falta de resposta a consumidores mais exigentes

O mercado de animais de companhia em Portugal está em forte crescimento. Porém, continua desalinhado com a evolução dos tutores, cada vez mais informados e exigentes. Esta é a principal conclusão da primeira fase de um estudo da UPPartner, que analisa o sector a partir da perspetiva dos profissionais.

De acordo com os dados apresentados, o mercado pet nacional já representa cerca de 681 milhões de euros anuais. Aproximadamente 60% dos lares portugueses têm animais de companhia. Mesmo num contexto económico adverso, o sector regista um crescimento médio anual na ordem dos 15%.

Sinais de alerta

Apesar destes indicadores positivos, o estudo evidencia fragilidades estruturais que podem comprometer a evolução sustentada do sector. Entre os principais sinais de alerta está a predominância de um modelo reativo. De facto, 82% dos tutores levam os animais ao veterinário apenas uma vez por ano. Além disso, apenas cerca de 15% dispõem de seguro, refletindo uma baixa adoção de práticas preventivas.

Este desfasamento entre procura e oferta traduz-se numa tensão crescente. Por um lado, os consumidores procuram mais qualidade, informação e soluções integradas. Por outro, o sector mantém níveis ainda reduzidos de diferenciação e especialização, com respostas muitas vezes pouco ajustadas às novas expectativas.

A investigação sublinha também a distância entre intenção e comportamento. Embora exista maior consciência por parte dos tutores, essa evolução nem sempre se traduz em decisões mais informadas. Tal aponta para limitações ao nível da literacia e da informação disponível no mercado.

Segundo Bernardo Soares, médico veterinário e responsável pela área One Health da UPPartner, o sector enfrenta um momento decisivo. “Existe hoje um consumidor mais informado e mais atento. Mas o mercado continua, em muitos casos, a responder com modelos pouco diferenciados e ainda muito centrados na reação, e não na antecipação”.

A análise conclui que o futuro do mercado pet em Portugal dependerá da capacidade de transição para modelos mais preventivos, bem como de um maior investimento na profissionalização e inovação da oferta. Sem essa adaptação, o sector arrisca não acompanhar a sofisticação crescente da procura, mas, ao mesmo tempo, encontra aí uma das suas maiores oportunidades de crescimento.

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