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Líder da Danone acredita que a Covid-19 sublinha a importância da produção local

A pandemia da Covid-19 irá representar uma mudança para uma outra forma de globalização e, muito provavelmente, para outro modo de vida

 

A pandemia da Covid-19 irá representar uma mudança para uma outra forma de globalização e, muito provavelmente, para outro modo de vida.

A opinião é de Emmanuel Faber, CEO da Danone, que em entrevista ao jornal espanhol El País confirmou que a empresa está a enfrentar o desafio de responder sob tensão à elevada procura pelos seus produtos.

Há quem diga que o que está a acontecer agora não é, de modo algum, uma consequência da globalização. Mas penso que é a consequência de não se ter tido em conta, desde há um século, um fator essencial no nosso modo de desenvolvimento: a nossa relação com a natureza. Foi considerada como um recurso e mais nada, quando é muito mais do que isso: é o fundamento da nossa capacidade de viver, de desenvolver-nos e de sermos resilientes”, considera.

No entender de Emmanuel Faber, a perda da biodiversidade, a urbanização e a agricultura intensiva aproximaram as espécies e ecossistemas selvagens dos habitats humanos, uma proximidade que acabou por facilitar a transmissão de vírus como o SARS-Cov-2, causa da doença Covid-19.

 

Sector agrolimentar visado

Para o sector agroalimentar, o vírus tem um efeito mais imediato e tangível, com muitas empresas e trabalhadores a terem de, em situação de risco, continuar a produzir e a distribuir ao mesmo tempo que tentam reorganizar-se. “Os restaurantes, as escolas, as cantinas das empresas estão encerrados. Os formatos, as receitas e os produtos não são os mesmos. Em todos os países, o isolamento traduziu-se numa forte acumulação de stocks por parte dos consumidores, que durou mais ou menos uma semana. Depois, chegou a digestão desses stocks, se podemos dizer assim, e o comércio recuou durante uma semana. E, de seguida, o ritmo do novo sistema entrou em marcha”.

Para a Danone, a dificuldade destes “efeitos de acordeão” na cadeia é que, nos dias de hoje, os pequenos formatos na água quase já não funcionam, porque normalmente se consomem fora do lar. “Como resultado, teremos de adaptar as nossas linhas de produção para oferecer formatos maiores”, como packs de água ou iogurtes destinados ao consumo no lar e para venda nos supermercados ou e-commerce.

 

Produção ajustada

O encerramento das fronteiras na Europa levou o sector agroalimentar a ter de adaptar-se para manter a produção, o que leva Emmanuel Faber a insistir ainda mais num dos princípios que já proclamava antes desta crise: o carácter local da produção, mesmo tratando-se de empresas globais. “95% do que produzimos é consumido nos países onde é produzido. Esta crise, não apenas na fase de isolamento, mas também depois, acentuará este fenómeno de relocalização da agricultura e da alimentação. Isto não quer dizer que se tenham de encerrar as fronteiras. As fronteiras devem continuar abertas”, sustenta.

Emmanuel Faber insiste que, embora não seja desejável que o coronavírus termine com a globalização, esta necessitará de ser distinta. “Obrigatoriamente, isto traduzir-se-á numa maior tomada de consciência da importância e da urgência de duas coisas, em simultâneo: a justiça climática, por um lado, com a inclusão da agenda climática nas nossas atividades económicas e sociais, e a justiça social, por outro. Não pode haver uma sem a outra”.

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