A Jerónimo Martins registou vendas de 27,8 mil milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, um crescimento de 4,8% face ao período homólogo, ou de 3,8% a taxas de câmbio constantes. O EBITDA aumentou 7,6%, para 1,95 mil milhões de euros, com a margem a subir de 6,8% para 7%.
Em contrapartida, o resultado líquido atribuível ao grupo recuou 14,5%, para 414 milhões de euros. A evolução refletiu, entre outros fatores, o aumento dos custos financeiros líquidos, que passaram de 243 para 302 milhões de euros, e o impacto de uma contribuição extraordinária de 40 milhões de euros para a Fundação Jerónimo Martins, destinada a apoiar as comunidades afetadas pela tempestade Kristin, em Portugal, e pelo sismo na Colômbia.
O grupo, que detém insígnias como Biedronka, Pingo Doce, Recheio e Ara, operou “num ambiente de elevada incerteza geopolítica, marcado, no retalho alimentar, por desinflação – que, na Polónia, passou a deflação -, pelo foco mais forte dos consumidores em preços baixos e promoções, pela grande intensidade concorrencial, e pelo aumento dos custos relacionados com os combustíveis“, refere em comunicado.
Biedronka cresce em volume
Na Polónia, a Biedronka alcançou vendas de 18,9 mil milhões de euros, mais 0,7% em euros e 1,3% em moeda local. Apesar da deflação do cabaz, os volumes cresceram cerca de 5%. As vendas comparáveis (like-for-like, LFL) recuaram 0,4% nos primeiros nove meses e 1,8% no terceiro trimestre, refletindo o agravamento da pressão sobre os preços.
O EBITDA da insígnia aumentou 4,2%, em euros, para 1,54 mil milhões de euros, com a margem a passar de 7,9% para 8,2%. No período, abriu 54 lojas, com 25 adições líquidas, inaugurou um centro de distribuição e remodelou 155 estabelecimentos.
Hebe reforça rentabilidade
A Hebe registou vendas de 469 milhões de euros, mais 4% do que no período homólogo, ou 4,7% em moeda local. As vendas comparáveis cresceram 1,7%, apesar da pressão concorrencial sobre os preços. No terceiro trimestre, as vendas aumentaram 2,1%, para 157 milhões de euros.
O EBITDA subiu 22,3%, para 46 milhões de euros, e a margem avançou de 8,4% para 9,8%, beneficiando da gestão do mix de vendas e dos custos. A insígnia abriu 25 lojas na Polónia, terminando setembro com 419 localizações.
Pingo Doce cresce 4,1%
Em Portugal, o Pingo Doce aumentou as vendas em 4,1%, para 4,1 mil milhões de euros. Excluindo os combustíveis, as vendas comparáveis cresceram 2,4% nos primeiros nove meses, num período em que a inflação alimentar se fixou em 3,1%. A insígnia reforçou a oferta de refeições prontas, as campanhas promocionais e o programa de remodelação de lojas.
No terceiro trimestre, as vendas cresceram 2%, para 1,4 mil milhões de euros, enquanto as vendas comparáveis, excluindo combustíveis, ficaram estáveis. Entre janeiro e setembro, foram remodeladas 25 lojas e abertas duas novas localizações.
Recheio mantém vendas
O Recheio aumentou as vendas em 1,5%, para 1,1 mil milhões de euros, com as vendas comparáveis a crescerem 0,2%. A insígnia manteve a diferenciação da oferta para os canais HoReCa e Retalho Tradicional, num contexto de concorrência intensa e de uma base de comparação mais exigente a partir do segundo trimestre.
No terceiro trimestre, as vendas permaneceram estáveis nos 391 milhões de euros, enquanto o indicador LFL recuou 1,6%, num período também marcado pelo abrandamento da inflação do cabaz.
No conjunto da distribuição em Portugal, o EBITDA cresceu 6,4%, para 306 milhões de euros, e a margem aumentou de 5,8% para 5,9%.
Ara acelera crescimento
Na Colômbia, a Ara registou vendas de 3,2 mil milhões de euros nos primeiros nove meses, um aumento de 37,9% em euros e de 20,6% em moeda local. As vendas comparáveis cresceram 8,2%, com os volumes a assumirem o papel principal no desempenho, num contexto de inflação reduzida do cabaz.
No terceiro trimestre, as vendas avançaram 52,7%, para 1,2 mil milhões de euros, ou 19,8% em moeda local. O EBITDA aumentou 62,6%, para 151 milhões de euros, e a margem passou de 4% para 4,7%. A Ara abriu 85 lojas, correspondentes a 68 adições líquidas, e inaugurou um centro de distribuição.
O grupo refere que o sismo de 10 de agosto provocou danos em algumas lojas, que permaneceram encerradas, mas que o impacto global nas operações da Ara durante o trimestre não foi material.








