51% das empresas portuguesas já adotaram ferramentas de inteligência artificial (IA), um crescimento de 24% face ao ano anterior. Os dados são do estudo “Desbloquear o Potencial de IA em Portugal 2026”, realizado pela Strand Partners para a Amazon Web Services (AWS), que identifica como principal desafio a passagem da utilização básica para uma integração mais avançada e estratégica da tecnologia.
Entre as empresas que utilizam IA, 80% reportam ganhos de produtividade e 85% esperam que a tecnologia contribua para o crescimento da organização no próximo ano. No entanto, apenas 16% atingiram um nível avançado de integração, recorrendo a múltiplos modelos, sistemas personalizados ou IA agêntica e autónoma.
A maioria das empresas que adotaram IA, 58%, continua focada em utilizações básicas, como chatbots de acesso público, ferramentas prontas a usar ou automação de tarefas rotineiras. Este valor representa uma melhoria face aos 65% registados no ano anterior, mas revela que a maioria das empresas ainda não acompanha o ritmo da inovação tecnológica.
Preparação para a próxima geração de IA
Este fosso entre adoção e transformação surge num contexto em que os sistemas agênticos, a automação avançada, a robótica e a IA física estão a comprimir os ciclos de inovação e a reduzir a margem de resposta das organizações que ainda não avançaram para uma utilização mais aprofundada da tecnologia.
Entre as empresas que já adotaram IA, 62% afirmam que o ritmo de inovação acelerou nos últimos dois anos. Esta percentagem sobe para 78% entre as startups. Ainda assim, apenas 14% das empresas afirmam sentir-se totalmente ou muito preparadas para adotar tecnologias de próxima geração, em contraste com 38% das startups.
“Portugal tem vindo a consolidar as condições necessárias para se afirmar como um país de referência na área da IA, graças à utilização crescente desta tecnologia e a um ecossistema de startups inovador. O desafio agora é garantir que a adoção se traduz em transformação”, afirma André Rodrigues, Head of AWS Portugal.
Startups lideram a adoção de IA
Apesar de liderarem a adoção e a experimentação, 42% das startups portuguesas afirmam que equacionariam sair da Europa para escalar o negócio. Entre os fatores apontados estão o acesso a capital de crescimento, mercados de maior dimensão, competências especializadas em IA e um enquadramento regulatório mais ágil.
Entre as startups que equacionariam a relocalização, 56% permaneceriam na Europa se tivessem melhor acesso a capital de risco e de scale-up; 47% se existisse regulação mais clara e harmonizada; e 43% se houvesse melhor acesso a competências especializadas em IA.
A AWS aponta a OutSystems como exemplo de uma empresa portuguesa com capacidade para desenvolver soluções de IA à escala global. Com uma comunidade de mais de 900 mil programadores, presente em mais de 75 países e em mais de 20 setores, a empresa desenvolveu mais de 19 mil agentes de IA com recurso ao Amazon Bedrock.
Também a Credibom recorreu ao Amazon Bedrock para criar uma plataforma reutilizável de IA generativa. A solução permitiu identificar e priorizar cerca de 30 oportunidades de aplicação da tecnologia, atualmente em diferentes fases de implementação nas áreas de operações de negócio, experiência dos colaboradores e tecnologias de informação.
Barreiras estruturais travam a transformação
A escassez de competências em IA e tecnologias digitais é o obstáculo mais referido pelas empresas portuguesas, apontado por 45% dos inquiridos, face aos 42% do ano anterior. A necessidade de profissionais especializados deverá aumentar: 91% das empresas antecipam que estas competências serão importantes para o respetivo setor nos próximos cinco anos.
Para responder a esta necessidade, a AWS disponibiliza programas como o AWS Activate, que oferece às startups até 200 mil dólares em créditos AWS, apoio técnico e formação para desenvolverem e escalarem os seus negócios na cloud. O AWS re/Start é outro dos programas da empresa, com formação gratuita destinada a pessoas desempregadas ou subempregadas.
O financiamento é outro obstáculo significativo. Entre as empresas, 40% apontam a insuficiência de recursos financeiros internos e 54% afirmam não dispor de um orçamento dedicado à IA.
A complexidade regulatória também condiciona a capacidade de investimento. De acordo com o estudo, 43% do investimento total em tecnologia das empresas destina-se ao cumprimento de regulamentação nacional e internacional, e 67% afirmam que estes custos aumentaram nos últimos três anos.
A flexibilidade tecnológica é outro fator relevante para acelerar a adoção de IA. De acordo com o relatório, 78% das empresas em Portugal consideram importante ter acesso a fornecedores tecnológicos globais, enquanto 72% classificam a possibilidade de escolher e alternar entre fornecedores como muito ou extremamente importante.








