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Alteração história no retalho em 2021

Vendas online ultrapassam as das lojas físicas na China

Foto Shutterstock

A China está prestes a observar um acontecimento inédito na história do comércio: este ano, as vendas online do país asiático poderão superar as realizadas nas lojas físicas.

De acordo com as previsões da consultora eMarketer, em 202, as vendas digitais na China poderão representar 52,1% do total das vendas no retalho. Em 2020, o online já somava 2,29 biliões de dólares, representando 44,8% do total das operações no retalho.

Projeções

A China é o mercado online que mais cresce no mundo. Possui um ecossistema digital próprio, com novas formas de comercialização dos produtos e um sistema que se adapta ao comportamento dos utilizadores para otimizar a sua experiência de compra. A cada dia, expande-se o comércio eletrónico social, que mistura a participação nas redes sociais com a eficiência do comércio eletrónico.

De acordo com as projeções da consultora, a quota das vendas online continuará a crescer e representará 55,6%, em 2022, 57%, em 2023, e 58,1%, em 2024. Em comparação, as vendas de e-commerce da Coreia do Sul, neste ano, chegarão a 28,9%, no Reino Unido a 28,3%, na Dinamarca a 19,1% e na Noruega a 17,6%. Nos Estados Unidos, a quota do e-commerce não ultrapassará, este ano, os 15% e no conjunto da Europa Ocidental os 12,8%.

 

Liderança no e-commerce

Há algum tempo que a China lidera, a nível mundial os valores agregados das vendas online e da quota do e-commerce no total das vendas a retalho. Mas não há muito tempo, concretamente em 2018, a sua quota não chegava sequer aos 30% (20,9%, relativamente próximo do valor da Coreia do Sul e do Reino Unido, em 2021).

Nestes últimos três anos, o e-commerce acelerou fortemente e a pandemia veio dar um contributo ainda maior para este desenvolvimento. Em 2020, as vendas nas lojas físicas caíram 18,6% e as estimativas da eMarketer é que este cenário se mantenha, com uma queda de 9,8%, em 2021. Comparativamente, o e-commerce cresceu, em 2020, 27,5% e irá continuar a crescer (21%), este ano.

 

Como é que a China chegou a este ponto?

O sucesso do comércio eletrónico na China deriva de muitos fatores idiossincráticos que tornam difícil a qualquer outra região do mundo demonstrar este nível de transformação.

Há 10 anos, a quota do e-commerce no total das vendas a retalho era idêntica na China e nos Estados Unidos, com 5% e 4,9%, respetivamente. A emergência do Alibaba deu aos consumidores  acesso a quase tudo o que se possa imaginar, assim como facilitou as entregas de quase tudo. Pouco tempo depois, a JD.com procurava replicar a fórmula de sucesso do Alibaba, proporcionando outra opção fácil e massiva para os novos compradores.

O ecossistema de pagamentos digitais inovadores, como o providenciado pelo Alibaba (Alipay) e pela Tencent (WeChat Pay), está anos à frente da oferta ocidental concorrente em termos de acessibilidade, facilidade de utilização e rapidez e embebido quer no momento do “checkout” quer do online, quer das lojas físicas. Acresce, ainda, o facto de muitos shoppers terem passado completamente ao lado da era do PC e mergulhado na Internet diretamente através dos dispositivos móveis. 83,1% das transações online na China, em 2021, serão assentes no m-commerce.

Drivers de crescimento

Se os fatores anteriormente mencionados conduziram a China a este ponto, um novo conjunto de questões terá contribuído para que a quota do e-commerce ultrapasse, agora, os 50%.  A eMarketer estima que o social commerce tenha crescido, na China, 44,1%, em 2020, devendo continuar a evoluir 35,5% este ano. Outra tendência, associada ao comércio eletrónico social, é o “live commerce”, por definição, uma das atividades que os utilizadores chineses de redes sociais levam a cabo.

A consultora perspetiva que, em 2022, as vendas online na China cresçam mais 11%, ultrapassando a barreira dos três biliões de dólares.

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