Ilustração sobre phishing e cibersegurança, com e-mail, mensagem, palavra-passe protegida e telemóvel fisgados Foto Shutterstock

Microsoft é utilizada em um terço dos ataques de phishing que imitam marcas

A Microsoft continua a ser a marca mais imitada em campanhas de phishing, num contexto em que os cibercriminosos recorrem cada vez mais à identidade de empresas tecnológicas reconhecidas para tentar obter dados pessoais, credenciais profissionais e acesso a equipamentos.

Segundo o “Brand Phishing Report” relativo ao terceiro trimestre de 2026, divulgado pela Check Point Research, a Microsoft representou 33% das tentativas de imitação de marcas identificadas pela empresa de cibersegurança.

O valor corresponde a um aumento de dez pontos percentuais face aos 23% registados no segundo trimestre, colocando a empresa numa posição destacada relativamente às restantes marcas.

A Apple e a Google surgem nas posições seguintes, ambas com 8%, enquanto o LinkedIn representa 6% e a Amazon 4%. Em conjunto, estas cinco marcas concentram 59% das tentativas de phishing com imitação de marcas acompanhadas pela Check Point Research.

As dez marcas mais imitadas

A evolução do ranking revela também alterações nos alvos preferidos dos atacantes. A Apple subiu duas posições relativamente ao trimestre anterior, enquanto o LinkedIn desceu duas.

A Dropbox registou uma das maiores progressões, avançando dez posições até ao oitavo lugar, enquanto o YouTube subiu cinco posições e passou a ocupar o sexto lugar.

A tecnologia mantém-se como o sector mais utilizado nas campanhas de imitação de marcas, seguida pelas redes sociais e pela banca.

Contas empresariais representam alvos de elevado valor

A concentração dos ataques em plataformas tecnológicas utilizadas no contexto profissional constitui um dos principais motivos de preocupação identificados pela Check Point.

As credenciais de uma conta Microsoft podem permitir o acesso a diferentes serviços utilizados pelas organizações, incluindo correio eletrónico, armazenamento de ficheiros e ferramentas de colaboração.

Além disso, a utilização de uma identidade de marca reconhecida aumenta a probabilidade de o destinatário interpretar uma mensagem fraudulenta como uma comunicação legítima. Os atacantes reproduzem elementos visuais, logótipos e formatos de comunicação, criando páginas e endereços que procuram imitar os serviços verdadeiros.

A Check Point sublinha, contudo, que a utilização de uma marca nestas campanhas não significa que os sistemas da empresa imitada tenham sido comprometidos. O objetivo é explorar a confiança dos utilizadores para os levar a fornecer informação ou realizar ações prejudiciais.

Falsos avisos de pagamento utilizam identidade do Claude

A investigação identificou também campanhas que exploram a crescente popularidade das ferramentas de inteligência artificial. Num dos exemplos observados em outubro, os atacantes utilizaram a identidade visual do Claude, assistente de IA da Anthropic, para enviar mensagens fraudulentas sobre alegadas falhas de faturação. O e-mail informava o destinatário de que um pagamento de 500 euros tinha sido recusado e ameaçava suspender o acesso à API e às licenças de utilização caso não fosse atualizado o método de pagamento. A mensagem encaminhava o utilizador para um processo fraudulento que poderia comprometer dados financeiros e credenciais de acesso. A combinação de um valor concreto, uma aparente falha de pagamento e a ameaça de interrupção do serviço procurava criar um sentimento de urgência.

A Check Point identificou igualmente páginas fraudulentas que imitavam o Google Antigravity, uma plataforma de desenvolvimento de software com agentes de inteligência artificial. Uma dessas páginas apresentava instruções aparentemente legítimas para instalar a ferramenta em sistemas Linux. No entanto, o comando sugerido descarregava e executava um programa a partir de um servidor externo, permitindo potencialmente a execução remota de código no dispositivo.

Os investigadores identificaram também uma página falsa de suporte da Apple que prometia melhorar o desempenho dos computadores Mac. O site procurava convencer os utilizadores a executar comandos no terminal do sistema operativo, apresentando essas instruções como se fossem recomendações oficiais.

Estes exemplos demonstram uma alteração nos métodos utilizados: os atacantes deixam de depender exclusivamente de formulários destinados ao roubo de palavras-passe e procuram levar as próprias vítimas a executar instruções maliciosas.

Docusign utilizada como pretexto para instalar acesso remoto

Outro caso identificado pela Check Point envolveu páginas que imitavam a plataforma de assinatura eletrónica Docusign. Os sites apresentavam documentos supostamente disponíveis para assinatura, mas informavam que seria necessário atualizar o software para conseguir abrir os ficheiros. Ao aceitar a alegada atualização, o utilizador descarregava um instalador associado ao FleetDeck, uma ferramenta legítima de monitorização e gestão remota. Segundo os investigadores, a utilização desta ferramenta num contexto fraudulento sugeria uma tentativa de obter acesso remoto não autorizado ao equipamento da vítima.

O caso demonstra como programas legítimos podem ser utilizados para fins maliciosos quando são instalados através de páginas fraudulentas.

A Check Point alerta que as ferramentas de IA generativa estão a facilitar a criação de mensagens fraudulentas e páginas clonadas em grande escala. Para Omer Dembinsky, responsável de investigação de dados da Check Point Research, o phishing com imitação de marcas está a entrar numa nova fase.

O especialista considera que os atacantes continuam a explorar a confiança nas plataformas digitais mais utilizadas, mas estão também a acompanhar a adoção de novas ferramentas de IA e desenvolvimento. O objetivo já não se limita à obtenção de credenciais, podendo incluir a instalação de programas de acesso remoto ou a execução de comandos maliciosos.

Empresas precisam de proteger toda a sequência do ataque

Rui Duro, country manager da Check Point Software para Portugal, considera que a prevenção deve abranger todas as etapas de uma tentativa de fraude. “Um falso aviso de pagamento ou uma página de suporte convincente pode abrir a porta a muito mais do que o roubo de uma palavra de acesso” alerta. O responsável acrescenta que estas campanhas podem levar os próprios utilizadores a instalar ferramentas capazes de proporcionar acesso aos seus computadores.

Para as empresas, a proteção deve abranger tanto as mensagens recebidas por correio eletrónico como os sites visitados e os programas executados pelos colaboradores. A Check Point recomenda a utilização de mecanismos capazes de identificar mensagens e páginas fraudulentas, a proteção das plataformas de colaboração empresarial e a monitorização da instalação de ferramentas de gestão remota não autorizadas.

A investigação reforça a necessidade de verificar a autenticidade dos endereços e das comunicações recebidas, especialmente quando envolvem pedidos urgentes de pagamento, atualização de credenciais ou instalação de software.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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