As organizações em Portugal registaram uma média de 2.390 ciberataques por semana em julho, um aumento de 15% face ao mesmo mês de 2025. O valor fica acima das médias europeia, de 2.051 ataques semanais por organização, e mundial, de 2.336, segundo o Global Threat Intelligence Report de julho da Check Point Software.
A nível nacional, a Educação foi o setor mais atacado, seguida pela Administração Pública. As Telecomunicações subiram para a terceira posição, enquanto Serviços Financeiros, Serviços Empresariais, Bens e Serviços de Consumo e Indústria Transformadora completam os setores com maior volume de ataques.
O cenário nacional acompanha uma tendência europeia igualmente exigente. A Europa registou uma média de 2.051 ciberataques semanais por organização, mais 18% do que há um ano, uma das subidas mais expressivas entre as regiões analisadas.
Ciberataques aumentam em todo o mundo
A nível global, a Educação manteve se como o setor mais atacado a nível mundial, com uma média de 4.848 ataques semanais por organização, mais 14% num ano. A Administração Pública surge em segundo lugar, com 3.044 ataques, seguida pelas Telecomunicações, com 2.927. Energia e Utilities registaram 2.759 ataques semanais, mais 20%, enquanto Hotelaria, Viagens e Lazer entrou no grupo dos cinco setores mais atacados, com 2.614 ataques por organização e um crescimento de 28%.
Em termos regionais, a América Latina continua a apresentar o maior volume de ataques, com uma média de 3.561 por organização e por semana, mais 19% num ano. A região Ásia Pacífico registou 3.316 ataques, África 3.237, a Europa 2.051 e a América do Norte 1.613.
Ransomware dispara 87% num ano
O ransomware representa uma das evoluções mais expressivas observadas em julho. Foram identificadas 964 vítimas reportadas, mais 49% do que em junho e mais 87% do que em julho de 2025.
O crescimento quebra a relativa estabilidade observada durante a primeira metade de 2026, período em que a atividade de ransomware se situou numa média mensal de aproximadamente 672 incidentes. Os Serviços Empresariais foram o setor mais afetado, com 32,5% das vítimas reportadas, seguidos pela Indústria Transformadora, com 14,4%, e pelos Bens e Serviços de Consumo, com 13,4%.
A América do Norte concentrou 45% dos incidentes reportados, seguida pela Europa, com 28% das vítimas de ransomware, e pela região Ásia Pacífico, com 17%. Os Estados Unidos representaram 39,4% das vítimas identificadas, seguindo se Alemanha, Canadá, Reino Unido e Itália.
Entre os grupos de ransomware, The Gentlemen e Qilin foram os mais ativos em julho, cada um responsável por 14% dos ataques publicados. O grupo DeadLock surgiu em terceiro lugar, com 10% e 97 vítimas reportadas.
Inteligência artificial e email continuam a criar riscos
A utilização de ferramentas de inteligência artificial generativa está também a criar novas oportunidades para a exposição de informação empresarial. Em julho, um em cada 36 prompts enviados a partir de redes empresariais foi classificado como de elevado risco de fuga de informação. Cerca de 88% das organizações que utilizam regularmente ferramentas de GenAI registaram atividade de elevado risco e 22% dos prompts analisados continham informação potencialmente sensível.
Em média, cada organização utilizou oito ferramentas diferentes de GenAI e cada utilizador gerou aproximadamente 95 prompts durante o mês.
Os dados pessoais foram a categoria de informação sensível mais frequentemente identificada, presente em 70% das organizações. Seguiram se informação financeira e dados relacionados com redes e infraestrutura de IT, ambos presentes em 68%, informação jurídica e regulamentar, em 63%, e dados de colaboradores e Recursos Humanos, em 62%.
O email continua, por sua vez, a ser uma das principais portas de entrada. Em julho, um em cada 128 emails, correspondente a 0,78%, foi classificado como phishing, enquanto outros 20% foram identificados como mensagens indesejadas ou de risco, incluindo spam, mensagens suspeitas e graymail.
África apresentou a maior incidência de phishing, com um em cada 106 emails, seguida pela América do Norte, com um em cada 117. Na Europa, a taxa foi de 0,55%, equivalente a um email de phishing em cada 181.








