Mais de oito em cada dez jovens trabalhadores reconhecem que tiveram um primeiro dia estruturado e formação inicial ao entrarem numa empresa. No entanto, apenas 26,6% afirmam que a organização avaliou posteriormente a sua experiência, revelando que o principal desafio do onboarding já não está na receção, mas na continuidade da integração.
A conclusão é do estudo Gen@Work, desenvolvido pela UPPartner, que analisou a perceção de profissionais de Recursos Humanos e de jovens trabalhadores sobre a experiência de integração, gestão de talento e proposta de valor das empresas.
Os resultados mostram que os processos formais de acolhimento estão relativamente consolidados. Cerca de 83,6% dos jovens inquiridos referem ter beneficiado de um primeiro dia estruturado, um valor próximo dos 85,5% dos profissionais de Recursos Humanos que afirmam implementar esta prática. A formação inicial é igualmente reconhecida por 80,9% dos trabalhadores, enquanto 71,1% dos responsáveis de RH indicam promovê-la de forma estruturada.
Contudo, quando a análise se estende para além dos primeiros dias, surgem lacunas significativas. Apenas 26,6% dos jovens dizem que a empresa avaliou a sua experiência de integração e só 23,1% reconhecem iniciativas destinadas a explicar a cultura organizacional e a proposta de valor da organização.
Segundo Filipa Lopes, PR & Influencer Marketing Director e especialista em estratégia e comunicação corporativa da UPPartner, os dados mostram que as empresas têm evoluído na forma como recebem novos colaboradores, mas precisam de prolongar esse acompanhamento.
“Os resultados mostram que as empresas estão a trabalhar cada vez melhor os momentos iniciais da experiência dos trabalhadores. O desafio passa agora por garantir que essa integração não termina após os primeiros dias ou semanas“, afirma.
A especialista considera que a adaptação a uma organização deve ser entendida como um processo contínuo, baseado em acompanhamento, feedback e numa ligação consistente à cultura empresarial.
O estudo identifica ainda margem para melhorar a adaptação dos processos às expectativas dos profissionais mais jovens. Apenas 39,5% das empresas afirmam dispor de práticas de onboarding especificamente desenhadas para trabalhadores entre os 25 e os 35 anos.
Para Filipa Lopes, esta é uma oportunidade para reforçar a retenção de talento num mercado cada vez mais competitivo. “O onboarding não deve ser visto apenas como um processo administrativo ou operacional. É um dos primeiros momentos em que a organização demonstra, na prática, aquilo que promete enquanto empregadora“, sublinha.
Na sua perspetiva, as empresas que prolongam a integração para além do primeiro dia conseguem criar experiências mais consistentes, acelerar a adaptação dos novos colaboradores e fortalecer o sentimento de pertença.
Num contexto de crescente competição pelo talento jovem, o estudo conclui que o sucesso do onboarding dependerá cada vez menos da receção inicial e mais da capacidade das organizações para transformar a integração num percurso estruturado e duradouro.








