A União Europeia e a China reforçaram a sua cooperação em matéria ambiental, assumindo novos compromissos para acelerar a proteção da biodiversidade, combater a poluição por plásticos e fortalecer a governação ambiental global. O entendimento foi alcançado durante o 11.º Diálogo UE-China sobre Política Ambiental, realizado em Bruxelas.
A reunião foi copresidida pela comissária europeia para o ambiente, resiliência hídrica e economia circular competitiva, Jessika Roswall, e pelo ministro chinês da Ecologia e Ambiente, Huang Runqiu, num momento considerado decisivo para a preparação de importantes cimeiras internacionais previstas para os próximos meses.
Entre os temas centrais esteve a implementação do Quadro Global para a Biodiversidade Kunming-Montreal, aprovado em 2022, e a preparação da próxima Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), que terá lugar na Arménia. As duas partes analisaram os progressos realizados e identificaram áreas onde será necessário acelerar a ação para cumprir as metas globais definidas para 2030.
O financiamento da proteção da natureza ocupou igualmente um lugar de destaque nas discussões. A União Europeia apresentou a sua estratégia para mobilizar mais recursos para a biodiversidade, incluindo o roteiro europeu para os chamados créditos de natureza, instrumentos destinados a incentivar o investimento privado em projetos de conservação e recuperação de ecossistemas.
As delegações abordaram ainda o papel do Fundo Cali, criado para assegurar uma repartição mais justa dos benefícios associados à utilização de informação digital sobre recursos genéticos, considerado um elemento importante no financiamento da biodiversidade.
Outro dos pontos centrais do encontro foi a luta contra a poluição por plásticos. Bruxelas e Pequim reiteraram o compromisso de concluir as negociações de um tratado global juridicamente vinculativo destinado a eliminar a poluição plástica ao longo de todo o ciclo de vida destes materiais.
As duas partes defenderam uma resposta global coordenada, reconhecendo que o aumento contínuo da poluição por plásticos representa um desafio que nenhum país conseguirá resolver isoladamente. O diálogo incluiu também a prevenção da poluição química, com destaque para substâncias persistentes e potencialmente perigosas, como os PFAS, conhecidos como “químicos eternos”, devido à sua elevada resistência à degradação ambiental.
No plano da governação internacional, União Europeia e China sublinharam a importância do multilateralismo ambiental e da formulação de políticas baseadas em evidência científica. Ambas reconheceram o papel fundamental de organismos internacionais como o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) e o Painel Internacional de Recursos.
A comissária europeia Jessika Roswall destacou que, num contexto geopolítico complexo, a cooperação internacional é indispensável para alcançar resultados concretos. Segundo a responsável, União Europeia e China devem continuar a trabalhar em conjunto para concluir o tratado global sobre plásticos, cumprir os compromissos em matéria de biodiversidade e reforçar as instituições multilaterais dedicadas ao ambiente.
O encontro serviu também para preparar futuras iniciativas conjuntas, incluindo o 7.º Diálogo de Alto Nível sobre Ambiente e Clima entre a União Europeia e a China, previsto para 2026. Ambas as partes comprometeram-se a manter uma cooperação estreita nos planos político e técnico, procurando desempenhar um papel ativo nas negociações ambientais internacionais e na promoção de soluções globais para os desafios ecológicos do século XXI.








