Ilustração de smartphone com ícones financeiros flutuantes, incluindo símbolo de percentagem, gráfico ascendente e valores em dólares, representando investimentos ou finanças digitais

2025: fraudes em ascensão no Telegram

Relatório da Revolut indica que a aplicação foi a que registou maior número de fraudes com pagamentos autorizados em tempo real - casos dispararam 233% a nível global desde 2024

A Revolut divulgou os resultados do seu quarto “Relatório de Segurança do Consumidor e Crime Financeiro” que monitoriza a rápida evolução das táticas dos burlões tanto em Portugal como no resto do mundo.

O documento revela que burlas estão a proliferar em aplicações de mensagens privadas. Além disso, o Telegram é identificado como a fonte de fraude com o crescimento mais acentuado no que diz respeito aos Pagamentos Autorizados em Tempo Real.

Apesar de as plataformas da Meta continuarem a representar 44% das burlas reportadas, os casos com origem no Telegram dispararam 233%. O documento aponta que os burlões exploram a natureza privada da plataforma para escalar fraudes rapidamente.

Mudança nas tendências

Os dados reportados à Revolut apresentam uma mudança clara nas tendências criminais, que passaram das redes sociais tradicionais para as plataformas de mensagens encriptadas. Esta mudança reforça a necessidade de uma responsabilidade multissetorial em todos os ecossistemas digitais e de telecomunicações para proteger os consumidores.

De facto, as fraudes com origem no Telegram representam agora um quinto das burlas reportadas (21%). Os consumidores podem acreditar que estas plataformas são seguras devido à sua natureza encriptada. Embora esta seja comercializada como uma funcionalidade de segurança, tornou-se uma ferramenta primordial para os burlões que procuram operar fora do radar. Assim, este ambiente provou ser particularmente eficaz para esquemas complexos. Com efeito, 58% de todas as burlas de emprego a nível global têm agora origem no Telegram.

Não obstante, as plataformas da Meta, em conjunto, representam quase metade (44%) das burlas globais reportadas à Revolut em 2025. Este é o quarto período consecutivo do relatório em que a Meta ocupa esta posição.

Paralelamente, o TikTok está em crescimento. Embora o volume de fraudes com origem nesta plataforma permaneça relativamente baixo, quando comparado com plataformas mais estabelecidas, a percentagem de burlas iniciadas na aplicação é agora seis vezes superior à registada no mesmo período do ano anterior.

Apesar da natureza mutável da fraude, a prevalência das burlas de compras mantém-se relativamente constante. No entanto, 2025 testemunhou um crescimento alarmante nas burlas de emprego a nível global. Estas aumentaram quase três vezes mais em relação ao ano anterior e representam agora 22% de todos os casos de burla.

Portugal

Portugal não foge à tendência, com os dados a apontarem que 25% de todas as burlas reportadas tiveram origem no Telegram, durante o ano de 2025. As burlas de compras também se revelaram a ameaça mais prevalente para os clientes nacionais, representando 53% de todos os casos reportados.

Porém, embora as burlas de compras sejam as mais comuns, as burlas imobiliárias resultam nas perdas financeiras mais elevadas. Em 2025, as vítimas de fraude imobiliária perderam, em média, 2.665,32 euros por pessoa. Em contraste, as burlas de compras tiveram uma média de 388,36 euros por vítima.

Face aos números reportados, a Revolut anunciou acolher com “satisfação as novas regulamentações antifraude da União Europeia, bem como a sua estratégia direcionada, especificamente no que diz respeito à fraude em pagamentos no âmbito do futuro Regulamento de Serviços de Pagamento (PSR) e do futuro quadro da UE para o combate à fraude online”. Adicionalmente, a empresa apela às autoridades para que reforcem as regulamentações existentes – particularmente no que diz respeito à responsabilidade e supervisão das plataformas digitais. Pede também que deem prioridade a medidas preventivas mais ambiciosas para proteger eficazmente os cidadãos contra estas ameaças emergentes.

“O rápido crescimento das burlas com origem no Telegram mostra a velocidade com que as táticas criminosas se adaptam. A Revolut está a processar milhares de milhões de pontos de dados para se manter na vanguarda, mas o ecossistema digital é apenas tão forte quanto o seu elo mais fraco. Precisamos que as empresas de redes sociais assumam as suas responsabilidades. Proteger os utilizadores deve ser uma prioridade partilhada por todo o setor, incluindo as plataformas onde estas burlas nascem”, refere Woody Malouf, head of financial crime da Revolut.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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