O investimento financeiro através de plataformas digitais consolidou-se em Portugal ao longo de 2025, com a Revolut a registar um crescimento significativo do número de investidores nacionais.
De acordo com dados divulgados pela fintech, o universo de utilizadores portugueses com investimentos ativos aumentou mais de 37%, num ano marcado por maior disciplina financeira, procura de soluções automatizadas e diversificação internacional das carteiras.
O perfil do investidor português na Revolut manteve-se alinhado com a média europeia, com uma idade média de 35 anos e um valor médio de portefólio de cerca de 3.300 euros. As carteiras revelam uma forte orientação para a gestão prudente do risco, com 55% do capital alocado a fundos monetários flexíveis, seguidos por ações norte-americanas (23%) e ETFs (16%), evidenciando uma preferência por instrumentos líquidos e de exposição global.
No segmento acionista, o sector tecnológico voltou a destacar-se. A NVIDIA foi a ação mais comprada e vendida pelos investidores portugueses, acompanhando o entusiasmo em torno da inteligência artificial e do seu impacto transversal na economia. Entre as ações europeias, a Rheinmetall liderou as negociações, refletindo o crescente interesse por empresas ligadas à defesa. Nos ETFs, os produtos ligados ao índice S&P 500, geridos pela Vanguard, mantiveram-se no topo das preferências, confirmando a atratividade de uma exposição ampla e de baixo custo ao mercado dos Estados Unidos.
Investimento automatizado ganha peso
O ano de 2025 marcou também uma mudança estrutural nos hábitos de investimento, com uma maior adesão a soluções automatizadas e regulares. A introdução de planos de investimento em ETFs sem comissões, com contribuições recorrentes a partir de um euro, contribuiu para a adoção de estratégias de longo prazo. Em Portugal, o valor médio mensal investido de forma recorrente foi de 59 euros, com o Vanguard S&P 500 ETF a concentrar quase 37% de todas as transações em ETFs ao longo do ano.
Paralelamente, o recurso a soluções de gestão totalmente automatizada registou um crescimento expressivo. O número de clientes que recorreram ao Robo-Advisor mais do que duplicou em 2025, sinalizando uma procura crescente por modelos de investimento hands-off, orientados para a acumulação gradual de património e para a redução da complexidade associada à gestão de carteiras.
Desigualdades de género persistem
Apesar do crescimento global, os dados revelam que as desigualdades de género no investimento continuam a ser significativas. Em 2025, o montante total investido por homens foi mais de quatro vezes superior ao das mulheres, com um valor médio de quatro mil euros, face aos 2.100 euros registados entre as investidoras. Ainda assim, o número de mulheres que começou a investir aumentou quase 54% ao longo do ano, superando o crescimento registado entre os homens, que foi de 30%.
Falta de capital e medo do risco travam investimento
Um estudo realizado pela Dynata para a Revolut identificou as principais barreiras ao investimento em Portugal. A falta de dinheiro disponível surge como o principal obstáculo, referida por 30% dos inquiridos, seguida pelo receio de perder dinheiro (26%) e pela falta de conhecimento financeiro (20%). O medo de perdas financeiras é particularmente relevante entre as mulheres, enquanto os homens apontam mais frequentemente a escassez de capital como fator limitador.
Olhando para 2026, um em cada cinco portugueses admite sentir ansiedade e incerteza relativamente à sua situação financeira. Ainda assim, quase um terço afirma estar a adotar medidas proativas, como investir, poupar ou apostar na formação. A autodisciplina financeira e a melhoria da educação financeira surgem como prioridades para enfrentar o futuro com maior confiança.
Para Rolandas Juteika, responsável pela área de Wealth and Trading na Revolut para o Espaço Económico Europeu, os dados mostram um mercado em clara maturação. “Cada vez mais portugueses começam a investir mais cedo, adotam hábitos regulares e recorrem a soluções automatizadas. Em 2026, a confiança e a educação financeira serão determinantes para consolidar este caminho”, sublinha.









