As empresas da cadeia alimentar enfrentam riscos crescentes de cibersegurança associados à dependência de fornecedores tecnológicos e de serviços externos. Segundo uma análise divulgada pela Prosegur Cybersecurity, 22,5% das violações de segurança registadas globalmente em 2025 envolveu terceiros ou fornecedores, evidenciando a importância dos riscos associados às cadeias de abastecimento.
A crescente integração entre sistemas informáticos, equipamentos industriais, logística e refrigeração tornou as operações das empresas mais eficientes, mas também ampliou os potenciais pontos de entrada de ataques informáticos.
Incidente em França expõe vulnerabilidades
O recente ciberataque que afetou sistemas de refrigeração associados a supermercados franceses trouxe nova atenção à segurança dos equipamentos conectados no retalho alimentar. Segundo a Prosegur Cybersecurity, o incidente relacionado com sistemas da Danfoss demonstrou como uma vulnerabilidade tecnológica pode produzir consequências físicas e operacionais em empresas que dependem dos mesmos fornecedores.
A interligação entre equipamentos de frio, plataformas tecnológicas e sistemas de gestão torna particularmente relevante a segurança dos acessos externos e das atualizações de software.
A empresa considera que os ataques à cadeia de abastecimento duplicaram em 2025 face ao ano anterior, com um custo médio estimado de 4,33 milhões de euros por incidente, segundo os dados compilados na sua análise.
Portugal registou mais incidentes
A Prosegur cita os dados do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), segundo os quais foram registados 3.864 incidentes em Portugal durante 2025, um aumento de 40% em relação ao ano anterior. O comunicado refere ainda um crescimento de quase 300% nas notificações relativas a sistemas vulneráveis recebidas pelo CNCS entre 2021 e 2025.
Estes indicadores demonstram a necessidade de reforçar a segurança dos sistemas conectados, especialmente nas empresas que dependem de operações contínuas de produção, armazenagem e transporte.
A utilização de inteligência artificial está também a alterar o funcionamento dos ciberataques. Segundo a Prosegur, estas ferramentas permitem automatizar a identificação de fornecedores, pesquisar vulnerabilidades e desenvolver campanhas de engenharia social mais convincentes.
Os fornecedores externos podem representar uma porta de entrada particularmente sensível quando dispõem de credenciais de acesso aos sistemas dos seus clientes. De acordo com o relatório “NIS Investments 2025”, da ENISA, 90% das organizações europeias já aplica medidas específicas de controlo sobre fornecedores. Ainda assim, os ataques a terceiros e à cadeia de abastecimento permanecem entre as principais preocupações das empresas.
Proteção exige segurança ao longo de toda a cadeia
Luís Martins, diretor-geral da Prosegur Cybersecurity Portugal, considera que a segurança das organizações depende cada vez mais da robustez tecnológica do conjunto de parceiros e fornecedores. A empresa recomenda reforçar a gestão dos acessos externos, monitorizar integrações críticas, atualizar regularmente os sistemas e investir na formação dos colaboradores.
Para o retalho alimentar, estas medidas assumem particular importância devido à dependência de sistemas de refrigeração, plataformas logísticas e equipamentos industriais conectados. A digitalização continuará a criar oportunidades de eficiência, mas exigirá uma abordagem de segurança que ultrapasse os limites de cada empresa e inclua toda a rede de fornecedores.









