A Pernod Ricard encerrou o primeiro trimestre do exercício fiscal de 2027 com vendas de 2.234 milhões de euros, uma diminuição orgânica de 0,9%, refletindo a persistência de dificuldades nos mercados chinês e norte-americano. O desempenho foi, contudo, menos negativo do que o antecipado pelos analistas, que apontavam para uma contração de 1,7%.
Os resultados, divulgados esta quinta-feira, 15 de outubro, mostram um mercado internacional de bebidas espirituosas marcado por diferentes velocidades de crescimento. Enquanto as vendas recuaram significativamente na China e nos Estados Unidos, a Índia voltou a destacar-se como um dos principais motores de expansão do grupo.
Proprietária de marcas como Absolut, Jameson e Martell, a Pernod Ricard manteve as suas perspetivas para o conjunto do exercício, antecipando uma evolução globalmente estável das vendas.
China regista queda de 25%
A China continua a representar um dos principais desafios para a multinacional francesa. As vendas no mercado chinês diminuíram 25% no trimestre, refletindo a procura enfraquecida e a redução dos inventários ao longo da cadeia de distribuição.
Apesar da contração, a Pernod Ricard considera que existem sinais de melhoria nas tendências subjacentes do consumo, mantendo uma postura de otimismo prudente relativamente à evolução do mercado.
A empresa acompanha particularmente as mudanças nos hábitos de consumo, incluindo uma maior preferência por ocasiões privadas, em detrimento do consumo de bebidas alcoólicas fora de casa.
Mauve Croizat, responsável financeira do grupo, admitiu que os ajustamentos dos inventários na China poderão continuar durante o restante exercício.
Estados Unidos continuam sob pressão
Nos Estados Unidos, as vendas recuaram 10%, num contexto de menor procura e de redução de existências por parte dos distribuidores.
O desempenho evidencia as dificuldades que continuam a afetar o mercado norte-americano de bebidas espirituosas, depois de vários anos de crescimento impulsionado pela valorização das categorias premium.
A normalização da procura está a obrigar os fabricantes a adaptar os planos comerciais e a gerir com maior prudência a produção e os inventários. A Pernod Ricard antecipa que este processo de ajustamento poderá prolongar-se durante o exercício fiscal de 2027.
Índia cresce 19% e ganha importância estratégica
Em contraste com a China e os Estados Unidos, a Índia registou um crescimento de 19% nas vendas, consolidando-se como um dos mercados mais dinâmicos da Pernod Ricard.
O grupo tem vindo a beneficiar da expansão do consumo de bebidas espirituosas, do desenvolvimento do segmento premium e da evolução das redes de distribuição no país.
A importância crescente deste mercado está a levar a empresa a avaliar uma eventual entrada em bolsa da sua operação indiana. A Pernod Ricard confirmou que está a desenvolver trabalhos preparatórios para uma possível oferta pública inicial, embora a decisão final continue dependente da aprovação do conselho de administração.
Segundo Mauve Croizat, caso a operação avance, a sua execução poderá demorar alguns meses, dependendo das condições do mercado. A possível entrada em bolsa representaria uma nova etapa na estratégia do grupo para reforçar a valorização das suas operações internacionais.
Grupo mantém previsões para 2027
Apesar da contração das vendas nos dois principais mercados, a Pernod Ricard reiterou a expectativa de uma evolução globalmente estável das receitas no exercício iniciado a 1 de julho.
A empresa pretende igualmente proteger a margem operacional orgânica através de uma gestão rigorosa dos custos e de medidas de eficiência.
A médio prazo, mantém o objetivo de crescimento das vendas entre 3% e 6% até 2029, embora antecipe que o desempenho se situe na parte inferior desse intervalo.
O grupo encontra-se a desenvolver iniciativas destinadas a melhorar a produtividade e a competitividade, numa altura em que a indústria internacional de bebidas espirituosas enfrenta um período prolongado de ajustamento.









