O ritmo acelerado da transformação digital, aliado a novas tensões sociais e comportamentais, está a criar um cenário de consumo cada vez mais complexo, ambivalente e exigente. Esta é uma das principais conclusões do relatório “Trend or Hype 2026”, desenvolvido pelo Publicis Groupe, que analisa dez tendências emergentes e o seu verdadeiro impacto na sociedade e nas estratégias das marcas.
O estudo cruza perceções sociais com a visão de profissionais de mercado, procurando distinguir aquilo que são tendências estruturais daquilo que permanece apenas como hype.
Entre a aceleração e o cansaço digital
Um dos fenómenos centrais identificados é o chamado “reequilíbrio digital”, que traduz a necessidade crescente dos consumidores recuperarem controlo sobre a tecnologia.
Num contexto em que o digital se tornou omnipresente, assiste-se a um movimento de racionalização do uso de plataformas e dispositivos. Apesar da forte dependência tecnológica, cresce a perceção de saturação e desconexão emocional, sobretudo entre as gerações mais jovens.
Este fenómeno reflete-se também no consumo: o comércio online mantém crescimento, mas a loja física ganha relevância enquanto espaço de experiência, relação e proximidade.
Consumidores mais impacientes, mas não sempre
Outro dos eixos analisados é a “sociedade impaciente”, marcada por uma expectativa crescente de imediatismo. Dados do estudo indicam que 25% dos consumidores cancela compras se os prazos de entrega não correspondem às expectativas. De igual modo, 30% aumenta a probabilidade de compra com entregas no dia seguinte
Ainda assim, esta lógica não é absoluta. Em contextos de elevado valor percebido, como conteúdos premium ou experiências relevantes, os consumidores continuam dispostos a esperar, revelando uma relação mais complexa com o tempo.
Do hype à estratégia: o gap ainda existe
Um dos insights mais relevantes do relatório é o desfasamento entre a perceção de relevância social e a sua aplicação estratégica pelas empresas. Em vários fenómenos analisados, apenas uma minoria das empresas investe de forma estruturada. De facto, a maioria mantém abordagens táticas ou pontuais e existe ainda uma significativa percentagem que não considera estes temas prioritários.
Este gap revela uma oportunidade clara: muitas tendências já são socialmente relevantes, mas ainda não estão plenamente integradas nas estratégias de negócio.
10 fenómenos que estão a moldar o futuro
O relatório identifica dez dinâmicas-chave que influenciam comportamento e consumo, entre as quais a solidão conectada, a pressão do autocuidado, a nova prosperidade, a escravidão da dopamina e o passado idealizado, a par das já mencionadas.
Cada fenómeno é avaliado com base no que as pessoas dizem e o que efetivamente fazem, permitindo perceber o seu grau de maturidade.
Mais do que listar tendências, o estudo propõe uma reflexão estratégica. Ou seja, as marcas devem evitar seguir modas passageiras e focar-se em criar valor real a partir destes fenómenos.
Num contexto de consumidor mais informado, exigente e consciente, a diferenciação passa por relevância, autenticidade e capacidade de resposta a tensões reais do dia a dia.








