Pessoa a utilizar um telemóvel com ecrã tátil

Tecnologia: dois em cada três portugueses gastam mais por influência dos jovens

53% apontam a pressão social como principal fator nas escolhas tecnológicas, enquanto 46% acreditam que os jovens aceitariam equipamentos recondicionados

Dois em cada três portugueses já viveram ou presenciaram situações em que as preferências dos mais novos levaram a gastos superiores ao inicialmente previsto na compra de tecnologia.

O tema surge num contexto de pressão sobre os orçamentos familiares. Segundo os dados mais recentes do Observador Cetelem, divulgados esta semana, a despesa média por estudante no regresso às aulas é de 579,28 euros, enquanto 79% das famílias afirmam cortar noutras despesas para fazer face aos custos.

Os dados resultam de um estudo promovido pela refurbed, marketplace de equipamentos recondicionados, e realizado pela Appinio, que analisou a influência dos jovens portugueses nas decisões familiares de compra de tecnologia.

Quem decide?

Apesar dessa pressão, a decisão permanece maioritariamente do lado dos adultos. Cerca de um terço (32%) indica que quem paga tem a palavra final, enquanto os restantes referem uma negociação equilibrada ou preferências dos jovens que acabam por ceder à decisão familiar.

Apenas 11% consideram que os jovens decidem de forma autónoma.

A dimensão social assume um papel relevante. Cerca de 53% dos inquiridos consideram que fatores como marca, estatuto ou grupo de pares são o principal fator das escolhas tecnológicas, enquanto outros 34% admitem que essa influência é apenas parcial, a par das necessidades funcionais. Apenas 6% acreditam que a escolha é puramente racional, assente nas funcionalidades e na qualidade do equipamento.

O argumento mais frequente é o de que “todos os amigos têm o mesmo modelo”, referido por 31%, acima de justificações ligadas à durabilidade ou desempenho dos equipamentos.

Recondicionados ganham espaço

O mercado de equipamentos recondicionados encontra terreno favorável junto das famílias portuguesas. Questionados sobre a reação provável de um jovem perante um dispositivo recondicionado certificado, mais barato do que um equivalente novo, cerca de 46% consideram que o jovem aceita ou acaba por aceitar o equipamento, contra 18% que anteveem uma recusa imediata.

Para 29%, a aceitação dependeria do conhecimento dos benefícios destes equipamentos, enquanto 36% consideram que a reação varia de pessoa para pessoa.

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