O saldo bancário tornou-se um dos principais indicadores do estado de espírito dos portugueses. Segundo um novo estudo encomendado pela Revolut e conduzido pela Dynata, nove em cada dez cidadãos em Portugal admitem que a sua saúde financeira dita diretamente o seu bem-estar emocional.
A pressão financeira deixou, assim, de estar limitada às faturas, prestações ou contas bancárias. De acordo com os dados divulgados, está a influenciar o sono, as relações sociais, o planeamento do futuro e até as decisões relacionadas com autocuidado.
Ansiedade financeira entra na rotina diária
Portugal poderá estar a enfrentar uma epidemia de “ansiedade financeira”, segundo a Revolut. O estudo indica que 22% dos portugueses assume que pensar em dinheiro é uma fonte diária de stress, valor que sobe para 27% na faixa etária entre os 45 e os 54 anos.
Apesar da pressão, os dados mostram também uma resposta mais ativa por parte dos consumidores. Mais de dois terços dos portugueses afirmam estar já a tomar medidas para proteger a sua tranquilidade financeira. Entre essas medidas estão a análise das despesas diárias, referida por 81% dos inquiridos, o planeamento financeiro estratégico, apontado por 69%, e a manutenção de um orçamento ativo, indicada por 40%.
Autocuidado sacrificado pelo custo de vida
O estudo identifica também aquilo que a Revolut descreve como um “fosso no bem-estar”. Embora o autocuidado esteja cada vez mais presente no discurso público e nas redes sociais, 64% dos portugueses diz já ter interrompido ou evitado atividades de bem-estar devido aos custos.
Entre essas atividades estão inscrições no ginásio, consultas de terapia ou aplicações de meditação. O paradoxo, segundo a análise, está no facto de o dinheiro se ter tornado uma das principais barreiras às atividades que poderiam ajudar a gerir o próprio stress financeiro.
Segurança financeira pesa mais do que felicidade imediata
O conceito de “vida boa” também parece estar a mudar. Para 64% dos portugueses, o dinheiro não compra diretamente a felicidade, mas a segurança financeira sim.
Quando questionados sobre o que mais melhoraria o seu bem-estar, para além de um rendimento mais elevado, referido por 76%, os inquiridos apontam para uma educação financeira mais clara, indicada por 28%, e para melhores apoios ou benefícios financeiros por parte das entidades empregadoras, referidos por 22%.
Dinheiro continua a ser tabu
Apesar da importância crescente do tema, o dinheiro continua a ser uma “luta silenciosa”. O estudo revela que 73% dos portugueses ainda considera o dinheiro um tabu social significativo.
Ao mesmo tempo, 80% dos inquiridos acredita que uma maior transparência levaria a melhores decisões financeiras, sugerindo uma tensão entre a necessidade de falar mais abertamente sobre dinheiro e o peso cultural que ainda rodeia o tema.
“O bem-estar financeiro já não diz apenas respeito à economia. Molda diretamente a saúde das pessoas, a sua paz mental e a capacidade de aproveitarem o dia a dia. Durante anos, o bem-estar foi associado a rotinas e ao autocuidado. Mas, para os portugueses, a verdadeira base do bem-estar é sentirem que têm o controlo do seu dinheiro”, afirma Ignacio Zunzunegui, head of growth da Revolut para o sul da Europa.
Segundo o responsável, os serviços financeiros terão de evoluir para responder a esta realidade. “Na Revolut, a nossa ambição é transformar este stress em controlo, dando mais clareza às pessoas, com as ferramentas necessárias para dominarem o seu dinheiro e, em última análise, devolver-lhes a paz de espírito.”
Redes sociais ganham peso na literacia financeira dos jovens
O estudo revela ainda diferenças geracionais na forma como os portugueses aprendem sobre dinheiro. Entre os jovens dos 18 aos 24 anos, 35% depende das redes sociais e de influenciadores como principal fonte de aprendizagem financeira. Entre os maiores de 65 anos, essa percentagem é de apenas 4%.
A maioria dos portugueses, porém, aprendeu a gerir dinheiro através da experiência pessoal. Segundo os dados, 60% afirma ter aprendido por tentativa e erro, acima da orientação familiar, referida por 45%, e da educação formal, apontada por 20%.
Stress financeiro rouba o sono
O descanso e o sono são, a seguir à nutrição, uma das principais áreas em que os portugueses dizem investir energia para manter uma vida equilibrada, sendo referidos por 23% dos inquiridos.
Contudo, quase um em cada quatro portugueses admite que o stress financeiro é o principal “ladrão” do descanso noturno.
Apesar do tabu associado ao dinheiro, há sinais de maior abertura. Cerca de 51% dos portugueses dizem sentir-se “relativamente confortáveis” em partilhar a sua situação financeira com amigos e colegas, apontando para uma mudança gradual em direção a maior transparência.








