medicamentos perda de peso

Retalhistas britânicos devem evitar posicionar refeições GLP-1 como nicho, alerta GlobalData

Consultora defende aposta em benefícios nutricionais transversais para garantir procura sustentada

A rápida introdução, em janeiro, de refeições prontas associadas a medicamentos GLP-1 pelos supermercados britânicos tem características de resposta a uma tendência de curto prazo, mas a oportunidade de crescimento está em posicionar estes produtos como opções saudáveis e inclusivas, defende a consultora GlobalData.

À medida que os fármacos para perda de peso com efeito supressor do apetite alteram padrões de consumo, os retalhistas que apresentarem estas refeições como escolhas equilibradas para o público em geral — e não apenas para utilizadores de GLP-1 — estarão melhor colocados para gerar procura sustentada e fidelização, sustenta a consultora.

De acordo com um estudo recente da University College London, cerca de 1,6 milhões de adultos em Inglaterra, País de Gales e Escócia recorreram a medicamentos para perda de peso entre o início de 2024 e 2025. Com a redução do apetite a influenciar as decisões de compra, os consumidores tendem a privilegiar porções mais pequenas e maior densidade nutricional por caloria.

“Os retalhistas devem expandir as gamas inspiradas em GLP-1 destacando benefícios universalmente apelativos, como elevado teor de proteína, fibra e densidade nutricional, em vez de centrarem a comunicação apenas na terminologia GLP-1. Os vencedores serão os que tratarem estas refeições como ‘saudáveis primeiro’ e não ‘GLP-1 primeiro’”, afirma Eleanor Simpson-Gould, analista sénior na GlobalData.

Apostas distintas nas gamas GLP-1

A GlobalData aponta como exemplos mais consistentes a gama de mini refeições da Co-op, integrada na plataforma Good Fuel – Power up Your Plate, e a proposta Nutrient Dense da Marks & Spencer, por manterem uma abordagem inclusiva que também atrai consumidores em busca de conveniência e opções mais saudáveis.

Em contrapartida, a gama Applied Nutrition GLP-1 Friendly da Morrisons apresenta uma associação mais explícita ao medicamento. Embora tal estratégia possa impulsionar compras imediatas associadas à tendência, poderá limitar o apelo junto de consumidores que procuram discrição ou simplesmente refeições equilibradas.

A consultora nota que a posição da Morrisons é parcialmente explicada pela capacidade de vender medicamentos GLP-1 através do seu negócio de farmácia, permitindo articular a oferta farmacêutica e alimentar num mesmo ecossistema.

Segundo Simpson-Gould, a futura disponibilização generalizada de versões orais de GLP-1 no Reino Unido deverá aumentar a penetração destes medicamentos, reforçando a necessidade de os retalhistas desenvolverem gamas orientadas por benefícios e capazes de perdurar para além do atual entusiasmo em torno da perda de peso.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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