A produção mundial de cerveja voltou a recuar em 2025, num contexto de pressão sobre o consumo nos mercados mais maduros. O volume global ficou em cerca de 1.896 milhões de hectolitros, uma descida de 0,7% face ao ano anterior, segundo os dados da BarthHaas utilizados pela Statista.
Apesar da quebra, a produção mantém-se relativamente estável em torno dos 1,9 mil milhões de hectolitros, depois de um longo período de expansão iniciado no final da década de 1990. Em 1998, a produção mundial situava-se próximo dos 1,3 mil milhões de hectolitros.
O comportamento global esconde, contudo, diferenças significativas entre regiões. Europa, Américas e Ásia produziram menos cerveja em 2025, enquanto África voltou a crescer, contrariando a tendência do mercado.
África é a exceção à quebra global
A produção africana aumentou 2,6%, para 166,7 milhões de hectolitros, impulsionada, entre outros mercados, pela África do Sul.
O continente destaca-se assim num cenário predominantemente negativo e prolonga a trajetória de crescimento que já tinha apresentado nos anos anteriores.
Nas Américas, a evolução foi mais desigual. A produção na América do Norte recuou 1,9%, enquanto América Central e América do Sul cresceram 1,3% e 1,7%, respetivamente.
A alteração do equilíbrio regional acompanha também o comportamento diferenciado dos grandes mercados cervejeiros, num momento em que vários países maduros enfrentam menor procura por cerveja alcoólica tradicional.
Europa recua 1,6%
Na Europa, a produção diminuiu 1,6% em 2025. A Alemanha, um dos maiores produtores mundiais e o principal mercado cervejeiro da União Europeia, registou uma quebra superior a 5%. O país tem sido particularmente afetado pela redução estrutural do consumo de cerveja, sobretudo entre consumidores mais jovens.
A evolução europeia integra uma tendência mais ampla de pressão sobre o mercado cervejeiro tradicional, à medida que mudam os hábitos de consumo e crescem alternativas com menor teor alcoólico ou sem álcool.
A própria BarthHaas considera que, apesar de a produção global se manter próxima dos níveis dos últimos anos, a indústria enfrenta mudanças na estrutura dos estilos de cerveja e uma redução continuada da quantidade de lúpulo utilizada na produção.
Ásia continua a ser determinante
A produção asiática caiu 1,2%, para 586,7 milhões de hectolitros. O crescimento registado na Índia não foi suficiente para compensar as quebras observadas na China, Japão, Vietname, Coreia do Sul e Myanmar.
A China continua, ainda assim, a ser o maior produtor de cerveja do mundo, seguida pelos Estados Unidos. O Brasil permanece igualmente entre os principais mercados produtores.
A dimensão chinesa faz com que pequenas variações no mercado tenham um impacto significativo na evolução do volume global.
Produção cresceu cerca de 46% desde 1998
O olhar de longo prazo apresentado pela Statista permite contextualizar a atual estabilização. A produção mundial passou de aproximadamente 1,3 mil milhões de hectolitros em 1998 para perto de 1,9 mil milhões atualmente, um aumento na ordem dos 46%.
A maior parte desse crescimento aconteceu nas primeiras décadas do período analisado. Mais recentemente, a indústria tem demonstrado dificuldade em regressar a uma trajetória sustentada de expansão, particularmente depois da pandemia.
Ao mesmo tempo, a evolução do volume total conta apenas parte da história. O mercado está a deslocar-se para segmentos de maior valor, cervejas premium, propostas artesanais e, sobretudo, alternativas com baixo ou nenhum teor alcoólico.
Como mostram também os dados recentes da Statista sobre a categoria, a cerveja sem álcool cresce muito acima do mercado tradicional, beneficiando de tendências de moderação, saúde e procura de novas ocasiões de consumo.
Grandes cervejeiras também sentem a pressão
A tendência é igualmente visível nos maiores grupos mundiais. As 40 maiores cervejeiras venderam aproximadamente 1.586 milhões de hectolitros em 2025, menos 3,1% do que no ano anterior. A AB InBev manteve a liderança, com 484,2 milhões de hectolitros, seguida pela Heineken, com 235,7 milhões.
Perante a redução dos volumes tradicionais, a BarthHaas identifica as cervejas sem álcool e de baixo teor alcoólico e a diversificação para categorias adjacentes de bebidas entre as prioridades estratégicas dos grandes fabricantes.
Para 2026, a expectativa da organização aponta para uma estabilização da produção mundial: o crescimento previsto em África, Ásia, América Central e América do Sul deverá ser compensado pelas quebras na Europa e na América do Norte.








