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Consumo

Subida do petróleo pressiona preços no setor do consumo global

A recuperação da procura no setor global de bens de consumo mantém-se frágil e poderá abrandar perante a perspetiva de novos aumentos de preços, impulsionados pela subida dos custos energéticos e das matérias-primas, num contexto de tensões no Médio Oriente.

A norte-americana Procter & Gamble alertou para um impacto de cerca de mil milhões de dólares nos lucros do exercício fiscal de 2027, associado ao aumento dos preços do petróleo, que encarece componentes como embalagens, plásticos e logística. O aviso, reporta a Reuters, sinaliza uma intensificação da pressão sobre as cadeias de abastecimento, já a comprimir margens de lucro.

A inflação nos setores alimentar, energético, da saúde e em muitas outras áreas de despesa tem pesado sobre os consumidores e na forma como avaliam o valor. Os acontecimentos geopolíticos recentes elevaram esta preocupação a um novo patamar”, afirmou o diretor financeiro da P&G, Andre Schulten, numa apresentação de resultados.

Em suma, o percurso de compra do consumidor está a mudar todos os dias”, acrescentou Schulten, prevendo um período ainda mais intenso de transformação nos próximos três a cinco anos.

Sinais de recuperação podem ser temporários

Os resultados mais recentes de empresas como Nestlé e Danone indicam um crescimento de volumes no primeiro trimestre, após um período prolongado de estagnação, oferecendo algum alívio quanto à evolução da procura.

Ainda assim, analistas alertam que este retomar poderá ser de curta duração caso as empresas avancem com novos aumentos de preços para compensar custos mais elevados. Nesse cenário, consumidores mais sensíveis ao preço tendem a optar por alternativas mais baratas, incluindo marcas próprias.

Segundo especialistas de mercado, a capacidade das empresas para repercutir integralmente os custos adicionais poderá ser limitada, num contexto de maior cautela por parte dos consumidores.

Poder de fixação de preços em teste

Perante este cenário, o poder de fixação de preços das empresas está a ser testado. A Danone refere que mecanismos de cobertura de risco e ganhos de produtividade têm ajudado a mitigar parte da pressão dos custos, enquanto acelera medidas de eficiência.

Já a Reckitt indica que o conflito no Médio Oriente afetou o desempenho regional, reduzindo o dinamismo registado no início do ano. A empresa aponta também para uma maior substituição por produtos mais económicos nas categorias de saúde e higiene, com impacto nas margens.

Por seu lado, a Keurig Dr Pepper assinala que os consumidores estão a optar por versões mais acessíveis dentro das próprias marcas, levando ao reforço de campanhas promocionais.

Outros gigantes do setor, como Unilever, Coca-Cola, Kimberly-Clark (fabricante da Kleenex) e Mondelēz (dona da Cadbury), ainda não detalharam o impacto do aumento dos preços da energia, devendo fazê-lo nos resultados trimestrais desta semana.

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