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Tecnologia

Portugal sofre mais de 2.000 ataques cibernéticos por semana

As organizações portuguesas sofreram, em janeiro, uma média de 2.110 ataques cibernéticos por semana, segundo dados da Check Point Research, unidade de Threat Intelligence da empresa de cibersegurança Check Point Software. O valor representa um aumento de 12% face ao período homólogo e acompanha a tendência mundial de crescimento das ameaças digitais.

A nível global, as organizações enfrentaram em média 2.090 ataques por semana, um aumento de 3% relativamente a dezembro e de 17% em termos homólogos. A escalada é atribuída, em grande parte, ao reforço da atividade de ransomware e ao aumento da exposição de dados resultante da utilização de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa (GenAI).

Os dados de janeiro mostram que os ataques cibernéticos não estão apenas a aumentar, estão também a tornar-se mais sofisticados e oportunistas”, afirma Rui Duro, Country Manager para Portugal da Check Point Software. “Os grupos de ransomware estão a acelerar as suas campanhas e a utilização não controlada de GenAI está a criar novos pontos cegos para as organizações. Uma abordagem prevention first, com proteção em tempo real suportada por IA, é a única forma eficaz de travar os ataques antes de causarem danos operacionais ou financeiros.

Adopção de GenAI

A rápida adoção de ferramentas de GenAI nas organizações continua a introduzir vias de alto risco para fugas de dados. Em janeiro, um em cada 30 prompts de GenAI submetidos a partir de redes corporativas representou um risco significativo de exposição de dados sensíveis, afetando 93% das organizações que utilizam ferramentas de GenAI. Uma parte adicional destes prompts continha informação potencialmente sensível, incluindo documentos internos, identificadores pessoais, dados de clientes e código fonte proprietário.

As organizações utilizaram, em média, 10 ferramentas de GenAI diferentes por mês, muitas das quais não são geridas nem enquadradas em estruturas formais de governação, aumentando a probabilidade de fugas acidentais de dados, infiltração de ransomware e ataques cibernéticos potenciados por IA.

Educação lidera ataques globais

A nível global, o sector da Educação manteve-se como o mais atacado a nível global, com uma média de 4.364 ataques semanais por organização, um aumento de 12% face ao ano anterior. As entidades governamentais surgem em segundo lugar, com 2.759 ataques semanais, mais 8% em termos homólogos. O sector das Telecomunicações subiu para a terceira posição, com 2.647 ataques por semana, também um aumento de 8%, refletindo a intensificação dos ataques a infraestruturas críticas orientadas para a conectividade e ecossistemas suportados por 5G.

A nível regional, a América Latina registou o maior volume de ataques, com uma média de 3.110 ataques por organização por semana, um crescimento de 33% em termos homólogos. A região APAC seguiu-se com 3.087 ataques, mais 7%. África registou 2.864 ataques, uma diminuição de 6%. A Europa apresentou um crescimento de 18% e a América do Norte um aumento de 19% face ao ano anterior.

Em Portugal, os três setores mais afetados são Educação, Administração Pública e Serviços Financeiros.

Ransomware sobe 10%

O ransomware manteve-se como uma das ameaças mais destrutivas em janeiro, com 678 incidentes reportados publicamente, representando um aumento de 10% face a janeiro de 2025. A América do Norte concentrou 52% de todos os casos conhecidos, seguida da Europa com 24%, confirmando que os atacantes continuam focados em regiões economicamente mais valiosas.

Os Estados Unidos representaram, por si só, 48% das vítimas globais de ransomware, seguidos pelo Reino Unido com 5%, Canadá e Alemanha com 4% cada, Itália com 3% e Espanha também com 3%.

Em termos sectoriais, os Serviços Empresariais foram os mais afectados, com 33% dos incidentes, seguidos pelo Retalho com 15% e pela Indústria com 11%, sectores onde a continuidade operacional é crítica e a disrupção oferece elevada capacidade de extorsão aos atacantes.

Os principais grupos de ransomware em janeiro foram o Qilin, responsável por 15% dos casos, o LockBit com 12% e o Akira com 9%, sendo colectivamente responsáveis por uma parte significativa das divulgações de vítimas.

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