Símbolo de aviso de alerta em fundo tecnológico ilustrando ciberataques Foto Shutterstock

Portugal regista mais de 2.400 ciberataques semanais por organização

Portugal continua acima da média mundial em número de ciberataques. De acordo com o mais recente relatório global de ciberameaças da Check Point Research relativo a maio de 2026, as organizações portuguesas registaram uma média de 2.407 ciberataques por semana, mais 7% do que no mesmo período do ano anterior.

O valor compara com uma média global de 2.055 ciberataques semanais por organização, que representa um aumento homólogo de 2%, apesar de traduzir uma diminuição de 7% face ao mês de abril.

Ransomware cresce 48%

Apesar da ligeira redução no volume global de ataques em maio, a Check Point Research alerta que o cenário de ameaça continua ativo. O destaque do mês foi o ransomware, com 698 ataques divulgados em maio, um crescimento de 48% face ao mesmo período de 2025. Trata-se do maior aumento anual registado em 2026.

Os sectores mais afetados por ransomware foram as empresas de serviços, responsáveis por 35% dos incidentes reportados, seguindo-se o retalho e a indústria.

Para Omer Dembinsky, data research manager da Check Point Research, os dados mostram que uma descida pontual no volume de ataques não deve ser interpretada como um abrandamento estrutural da ameaça. “Os números de maio demonstram que uma redução temporária do volume de ataques não significa uma diminuição do risco. Os cibercriminosos continuam a adaptar-se constantemente, alterando técnicas, ferramentas e momentos de ataque”, afirma.

O responsável acrescenta que “o ransomware continua a crescer e a adoção acelerada de IA generativa está a criar novas superfícies de exposição para as organizações”.

Educação continua a ser o sector mais atacado

A nível global, o sector da educação voltou a liderar o ranking dos mais visados, com uma média de 4.641 ataques semanais por organização, mais 7% do que no ano anterior. Seguem-se o sector do Governo, com 2.620 ataques semanais, e as telecomunicações, com 2.583 ataques semanais.

A Check Point Research identificou ainda crescimentos expressivos em sectores tradicionalmente menos associados à cibercriminalidade, como a agricultura, com uma subida de 51%, a hotelaria, turismo e lazer, com 24%, e a construção e engenharia, com 23%.

Retalho entre os sectores mais visados em Portugal

Em Portugal, os sectores mais atacados foram educação, Governo, serviços financeiros, telecomunicações, empresas de serviços, retalho e indústria. A predominância da educação e da administração pública acompanha a tendência global, confirmando que organizações que gerem grandes volumes de utilizadores, dados e informação crítica continuam entre os principais alvos dos atacantes.

Para o retalho, a presença entre os sectores mais visados reforça a relevância da cibersegurança num momento em que as operações dependem cada vez mais de sistemas conectados, plataformas digitais, pagamentos eletrónicos, dados de cliente, cadeias de abastecimento e soluções de inteligência artificial.

América Latina é a região mais atacada

A América Latina voltou a liderar o ranking global de ataques, com uma média de 3.149 ataques semanais por organização, mais 13% do que no ano anterior.

Embora África tenha registado uma redução de 20% face ao período homólogo, continua entre as regiões mais atacadas, devido aos elevados volumes de atividade maliciosa observados.

No conjunto das regiões, a Check Point Research considera que a diminuição global verificada em maio representa sobretudo uma pausa temporária, e não uma inversão da tendência.

Na distribuição geográfica dos incidentes de ransomware, a América do Norte concentrou 49% dos ataques, seguida da Europa, com 22%, e da região APAC, com 19%.

Os Estados Unidos concentraram, sozinhos, 43% de todas as vítimas publicamente divulgadas.

Qilin lidera grupos de ransomware

O ecossistema de ransomware continua fragmentado, mas alguns grupos mantêm uma posição dominante. Em maio, o grupo Qilin liderou com 14% dos ataques publicados, seguido do The Gentlemen, com 10%, e DragonForce, que completou o pódio dos grupos mais ativos.

Os três principais grupos foram responsáveis por cerca de 39% dos ataques conhecidos, enquanto dezenas de outros grupos continuaram a operar em paralelo.

A adoção de ferramentas de inteligência artificial generativa continua a crescer rapidamente nas organizações, mas os controlos de segurança não acompanham o mesmo ritmo. Segundo a Check Point Research, um em cada 25 prompts submetidos em ambientes empresariais apresenta elevado risco de fuga de informação sensível.

A análise indica ainda que 91% das organizações que utilizam regularmente ferramentas GenAI foi afetado por este risco e que 22% dos prompts continha informação potencialmente sensível.

Empresas usam em média nove ferramentas GenAI

O relatório mostra que as empresas utilizam, em média, nove ferramentas de IA generativa diferentes.

Cada colaborador gera cerca de 70 prompts por mês, aumentando a exposição potencial de propriedade intelectual, credenciais, dados internos e informação estratégica.

Para a Check Point Research, a utilização não controlada destas plataformas cria novas superfícies de risco e exige políticas claras de segurança, monitorização e governação de dados.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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