A Procter & Gamble encerrou o exercício fiscal de 2026, terminado em junho, com vendas líquidas de 75.450 milhões de euros, mais 3,3% do que no ano anterior.
A empresa apresenta o crescimento arredondado de 3%, refletindo um contributo positivo de dois pontos percentuais das taxas de câmbio e de um ponto percentual dos preços. Os volumes e a composição das vendas permaneceram globalmente estáveis, enquanto o crescimento orgânico foi de 1%.
O resultado líquido atribuível à P&G atingiu 13.911 milhões de euros, praticamente em linha com os 13.848 milhões de euros registados no exercício anterior. O resultado diluído por ação aumentou 2%, para 5,74 euros, e o resultado ajustado por ação avançou 1%, para 5,97 euros.
Beleza lidera crescimento
A divisão de beleza apresentou o desempenho mais dinâmico, com as vendas a aumentarem 7%, para 13.891 milhões de euros. O crescimento resultou de uma subida de 4% nos volumes, de um contributo cambial de 2% e de um aumento de 1% nos preços.
O segmento inclui categorias como cuidados capilares, cuidados pessoais e cuidados de pele, comercializadas através de marcas como Pantene, Head & Shoulders, Herbal Essences, Olay e SK-II.
No quarto trimestre, as vendas orgânicas de beleza cresceram 4%. Os cuidados capilares avançaram a um ritmo médio de um dígito, impulsionados pelo aumento dos volumes na Ásia-Pacífico e na Europa e pela evolução dos preços na América Latina e na região asiática.
Os cuidados pessoais também cresceram a um ritmo médio de um dígito, enquanto a atividade de cuidados de pele permaneceu estável. O crescimento da marca premium SK-II foi compensado pela redução dos volumes na China.
Gillette e cuidados de saúde crescem 4%
A área de grooming, que integra marcas como Gillette e Braun, aumentou as vendas em 4%, para 5.997 milhões de euros. O contributo das taxas de câmbio e dos preços compensou uma descida de 1% nos volumes. No último trimestre do exercício, as vendas orgânicas do segmento permaneceram estáveis, com o impacto positivo dos preços associados à inovação a ser neutralizado pela redução dos volumes.
A divisão de cuidados de saúde também cresceu 4%, para 10.798 milhões de euros. Os preços contribuíram com dois pontos percentuais e as taxas de câmbio com três pontos, enquanto os volumes recuaram 2%.
Entre abril e junho, as vendas orgânicas da divisão diminuíram 1%. A higiene oral registou uma quebra média de um dígito, condicionada pelos menores volumes na América do Norte e na China, enquanto os produtos de saúde pessoal cresceram, beneficiando de preços mais elevados e de maior procura no mercado norte-americano.
Cuidados do lar superam 26 mil milhões de euros
A divisão de cuidados dos tecidos e do lar, a maior da P&G, faturou 26.280 milhões de euros, mais 2% do que no exercício anterior. O crescimento resultou de um aumento de 1% nos preços e de um efeito cambial positivo de igual dimensão, com os volumes a permanecerem estáveis. A área inclui marcas como Ariel, Tide, Fairy, Febreze, Swiffer e Ambi Pur.
No quarto trimestre, as vendas orgânicas permaneceram inalteradas. Os cuidados dos tecidos registaram um crescimento ligeiro, apoiado sobretudo pela Europa, mas os cuidados do lar recuaram devido à redução dos volumes na América do Norte.
A divisão de cuidados do bebé, femininos e familiares aumentou as vendas em 1%, para 17.686 milhões de euros. Os volumes diminuíram 1%, compensados por um impacto cambial positivo de dois pontos percentuais.
Quarto trimestre termina com vendas orgânicas estagnadas
Entre abril e junho, as vendas líquidas da P&G aumentaram 2%, para 18.381 milhões de euros. Contudo, as vendas orgânicas permaneceram inalteradas, uma vez que os volumes, os preços e a composição da faturação não contribuíram para o crescimento.
A beleza foi a única divisão com uma evolução orgânica claramente positiva, de 4%. A atividade de grooming e os cuidados dos tecidos e do lar ficaram estáveis, enquanto os cuidados de saúde recuaram 1% e os cuidados do bebé, femininos e familiares diminuíram 2%.
O resultado líquido atribuível à empresa caiu 16% no trimestre, para 2.639 milhões de euros. O resultado diluído por ação diminuiu 15%, para 1,09 euros, e o resultado ajustado por ação recuou 3%, para 1,24 euros.
A evolução foi condicionada pelo aumento das despesas de venda, gerais e administrativas e pela redução da margem bruta. A margem operacional reportada trimestral desceu 2,2 pontos percentuais, para 18,6%.
Grupo devolve mais de 13 mil milhões de euros aos acionistas
A P&G gerou um fluxo de caixa operacional de 16.954 milhões de euros no exercício, acima dos 15.446 milhões de euros registados no ano anterior. O investimento atingiu 3.822 milhões de euros.
A produtividade ajustada do fluxo de caixa livre alcançou 100%. A empresa devolveu mais de 13 mil milhões de euros aos acionistas, através de 8.870 milhões de euros em dividendos e cerca de 4.335 milhões de euros na recompra de ações.
Em abril, a P&G aumentou o dividendo pelo 70.º ano consecutivo. A empresa distribui dividendos sem interrupção há 136 anos.
P&G antecipa crescimento até 3% em 2027
Para o exercício fiscal de 2027, a P&G prevê que as vendas reportadas e orgânicas cresçam entre 1% e 3%. A empresa estima que a descontinuação de algumas marcas, formatos de produto e modelos de entrada no mercado retire entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais ao crescimento orgânico.
O resultado diluído por ação deverá aumentar entre 1% e 5%, enquanto o resultado ajustado por ação poderá manter-se estável ou crescer até 3%, situando-se entre 5,97 e 6,16 euros.
A P&G antecipa um impacto negativo, depois de impostos, próximo de 867 milhões de euros, resultante do aumento dos custos das matérias-primas, energia e transportes. A empresa prevê ainda pressões de 130 milhões de euros relacionadas com juros, outros 130 milhões de euros devido à redução das receitas não operacionais e 43 milhões de euros associadas às taxas de câmbio.
O grupo continuará a executar o plano de reorganização do portefólio, da cadeia de abastecimento e da estrutura interna anunciado em 2025. Os encargos do programa deverão totalizar entre 867 milhões e 1.387 milhões de euros antes de impostos, ao longo de dois anos, tendo mais de metade sido reconhecida no exercício agora concluído.








