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Pandemia acelera a omnicanalidade em 2 a 3 anos

Foto Shutterstock

As medidas aplicadas para combater a Covid-19 fomentaram a adoção do e-commerce, que, em 2020, triplicou o seu ritmo de crescimento na Europa, em comparação com o ano anterior. Nesse sentido, a transformação omnicanal do sector do retalho acelerou dois a três anos.

Assim o indica a Oliver Wyman, que, ao analisar a evolução do comércio eletrónico, em oito países, durante a última década, perspetiva que o canal online venha a representar, em 2030, 30% de todas as vendas a retalho. “A Covid-19 representam um antes e um depois para o e-commerce. Se, antes da pandemia, se começava a verificar uma certa desaceleração nas vendas do canal online, na maioria dos países da Europa, agora, tudo indica que o mais provável é um crescimento sustentado e constante desta atividade”, assegura María Miralles, partner da área de Retail & Consumer Goods da Oliver Wyman para a região EMEA.

 

Mais 31% em 2020

A consultora nota que, em 2010, o comércio eletrónico cresceu, de modo agregado, 31%, valor que compara com os 12% registados um ano antes.

Entre 2010 e 2019, as vendas online na Europa cresceram mais do que as do conjunto do sector retalhista. Enquanto a taxa média anual de crescimento do online, nesse período, se situou nos 14,6%, o conjunto do retalho europeu cresceu a um ritmo de 2% ao ano e as vendas do canal puramente físico de 1%. Pese embora o seu menor ritmo de crescimento, a loja física representava 89% das receitas conjuntas do sector retalhista europeu.

“Estamos convictos de que a loja física continuará a ser o principal canal de retalho durante a próxima década. Agora, o que sucedeu com o e-commerce, no ano passado, evidencia a força do online e que o futuro do retalho é omnicanal. Não só aumentou a confiança dos consumidores nos níveis de serviço e nas soluções de pagamento do canal online, como, além disso, as grandes insígnias e as lojas físicas estão a adicionar funções online que tornam ainda mais atrativa a sua oferta e os consumidores mostram-se cada vez mais híbridos nos seus hábitos: pesquisam e compram online e recolhem na loja, ou o inverso. Como resultado, os limites entre o e-commerce e a loja física estão a esbater-se”, acrescenta María Miralles.

 

30% em 2030

A Oliver Wyman prevê que as vendas online na Europa continuem a crescer 15% ao ano, passando a representar 30% do total do retalho em 2030. Caso este ritmo de crescimento se situe nos 10%, como aconteceu entre 2017 e 2019, aquela percentagem será atingida em 2035.

A consultora considera que o crescimento de 31% de 2020 reflete a excecionalidade das condições, devido à pandemia, e antecipa uma certa moderação, à medida que o processo de vacinação na Europa permita regressar a alguns hábitos de consumo pré-pandemia.

Outro fator que incide na aceleração da transformação do retalho para a omnicanalidade é a digitalização do comércio a retalho organizado. Nos países onde o retalho organizado tem maior prevalência, a quota do e-commerce é mais elevada. “O comércio a retalho organizado está a crescer como proporção do comércio retalhista global e isto é relevante para que opere cada vez mais num formato omnicanal, alimentando, assim, o crescimento do comércio eletrónico. As geografias com taxas mais baixas de comércio retalhista organizado, como Espanha, poderão digitalizar-se mais lentamente”.

 

Oportunidade de negócio

A Oliver Wyman sublinha que a loja física e os pequenos comerciantes independentes ou não organizados têm uma oportunidade de negócio com o desenvolvimento dos seus canais de venda online e consolidação da omnicanalidade.

De acordo com um estudo conduzido junto destes empresários, na Alemanha e em França, no final de 2020, os que contavam com um canal de vendas online tinham mais probabilidades de aumentar as suas vendas. Em concreto, na Alemanha, 51% dos retalhistas inquiridos que vendiam pela Internet afirmou que as suas vendas tinham aumentado nos últimos três anos, em comparação com 38% dos que não vendiam à distância. Em França, a proporção foi de 53% para 40%.

Além disso, a digitalização não canibalizou as vendas físicas, com 99% dos inquiridos em França e 93% na Alemanha a confirmar que aquelas aumentaram ou não variaram desde que começaram a vender online. “A oportunidade para as pequenas lojas independentes provém das suas vantagens competitivas quanto a serviços personalizados, proximidade e comodidade. A abertura de um canal de vendas online representa uma oportunidade para incrementar as vendas e expandir o negócio”.

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