Latas empilhadas de NIVEA Creme, com indicação de 80% de alumínio reciclado

Beiersdorf regista queda de 1,3% nas vendas no terceiro trimestre, penalizada pela Nivea

A Derma e a La Prairie registaram crescimento no terceiro trimestre, mas a quebra de 4,9% da Nivea penalizou o desempenho do grupo, que manteve as perspetivas para 2026.

A Beiersdorf registou vendas orgânicas de 2,4 mil milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, menos 1,3% face ao período homólogo. O desempenho ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, com a Nivea a prolongar a tendência negativa pelo terceiro trimestre consecutivo.

Segundo os resultados divulgados pela Beiersdorf, a marca Nivea registou uma quebra orgânica de 4,9% entre julho e setembro. A empresa atribui o desempenho à pressão temporária nas vendas aos distribuidores, incluindo tensões comerciais e ajustamento dos stocks por parte dos retalhistas. Em comunicado, a Beiersdorf refere que a dinâmica das vendas melhorou face ao segundo trimestre e espera que estes fatores percam gradualmente impacto até ao final do ano.

A evolução da Nivea continua a ser acompanhada pelos investidores, depois de o grupo ter revisto em baixa as perspetivas em agosto, devido a uma procura inferior à esperada. Numa nota citada pela Reuters, os analistas da Bernstein destacam a persistência, durante três trimestres consecutivos, de uma diferença acentuada entre as vendas da Beiersdorf aos retalhistas (sell-in) e as vendas destes ao consumidor final (sell-out).

Derma e La Prairie aceleram o crescimento

No segmento de consumo, as vendas orgânicas recuaram 0,7% no terceiro trimestre e 2,9% nos primeiros nove meses do ano. A evolução foi marcada pelo crescimento das áreas Derma e La Prairie, que contrariaram parcialmente a quebra da Nivea.

A área Derma, que integra as marcas Eucerin e Aquaphor, registou um crescimento orgânico de 10,6%, sustentado pelo desempenho em diferentes regiões e categorias. Entre os fatores destacados pela Beiersdorf estão a expansão da Aquaphor para os cuidados corporais na América do Norte e o lançamento de uma nova solução da Eucerin para pele com tendência acneica.

A La Prairie cresceu 8,5% no trimestre, impulsionada sobretudo pela China, onde a marca mantém uma evolução positiva. Em setembro, lançou Swiss Pristine, uma nova linha de entrada destinada a alargar o alcance a novos consumidores. Já a área de cuidados de saúde, que inclui Hansaplast e Elastoplast, avançou 5,7%, apoiada pela inovação.

Nivea prepara recuperação com novos lançamentos

A Beiersdorf mantém em curso um plano para recuperar o crescimento da Nivea, assente no lançamento de produtos, no reforço da relação entre preço e valor e numa maior adaptação às necessidades dos mercados locais.

Entre as iniciativas estão o conceito de cuidados faciais FACE+, adaptado dos mercados emergentes à Europa, e a edição limitada “Sweet Treats”, nas categorias de gel de banho e desodorizantes.

A empresa prevê ainda reforçar o investimento na marca, nomeadamente através da parceria da Nivea Sun com o Tour de France, a partir de 2027.

O presidente executivo da Beiersdorf, Vincent Warnery, afirmou que, na Nivea, “o nosso plano de recuperação está a progredir bem”, apesar de a marca continuar a registar quebras nas vendas.

tesa pressionada pela escassez de semicondutores

A tesa, divisão de fitas adesivas e soluções autoadesivas do grupo, registou uma quebra orgânica de 4,3% nas vendas do terceiro trimestre. De acordo com a Beiersdorf, a escassez de semicondutores penalizou a atividade de eletrónica. Excluindo esta área, o negócio industrial apresentou uma evolução positiva, com a área de sistemas elétricos a manter o dinamismo e o segmento automóvel a acelerar, apoiado por novos contratos relacionados com veículos elétricos.

O negócio de consumo da tesa permaneceu abaixo do nível do ano anterior, refletindo uma procura mais fraca fora da Europa.

Grupo mantém previsões para 2026

A Beiersdorf confirmou as perspetivas financeiras para 2026, apesar da quebra de 2,8% nas vendas orgânicas nos primeiros nove meses e de uma base de comparação mais exigente no quarto trimestre. Para o conjunto do ano, o grupo prevê uma descida de um dígito baixo nas vendas orgânicas e uma margem operacional, excluindo efeitos extraordinários, de pelo menos 11,8%.

No segmento de consumo, a empresa mantém a previsão de uma quebra de um dígito baixo nas vendas orgânicas e de uma margem operacional de, pelo menos, 11%.

Para a tesa, antecipa vendas orgânicas estáveis ou com um ligeiro crescimento, mas alerta que a escassez de semicondutores poderá penalizar os resultados e a rentabilidade da divisão.

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