A preparação rigorosa, a definição de objetivos, o apoio especializado e a melhoria contínua que caracterizam os atletas de alta competição podem também ajudar as empresas a executar transformações organizacionais mais complexas.
A conclusão é apresentada pela McKinsey no relatório “What athletes can teach leaders”, que identifica princípios do desporto de elite com aplicação na liderança empresarial, sobretudo num contexto marcado pela digitalização e pela adoção crescente da inteligência artificial.
Tal como o desempenho de um atleta começa muito antes do momento da competição, também uma transformação empresarial depende de preparação, acompanhamento e capacidade de adaptação. O resultado visível constitui apenas a etapa final de um processo que exige disciplina e consistência.
Objetivos claros orientam a transformação
O primeiro princípio destacado pela McKinsey é a necessidade de definir objetivos concretos e critérios que permitam avaliar o progresso.
Os atletas de elite treinam para alcançar metas específicas e acompanham regularmente a evolução do seu desempenho. Nas empresas, a mesma lógica pode ajudar a manter as equipas concentradas nas prioridades e a direcionar melhor os recursos disponíveis.
Uma transformação organizacional torna-se mais difícil quando os colaboradores não compreendem claramente o destino, os resultados esperados ou a forma como o sucesso será medido.
A definição de métricas permite acompanhar a execução, identificar desvios e tomar decisões antes de os problemas comprometerem o resultado final. Também facilita o alinhamento entre diferentes departamentos, níveis de liderança e equipas envolvidas.
Segundo a consultora, a clareza sobre os objetivos aumenta as probabilidades de sucesso das transformações e evita que os projetos se dispersem por demasiadas iniciativas.
Sistemas de apoio são decisivos
O desempenho desportivo raramente depende apenas do atleta. Por detrás dos resultados estão treinadores, preparadores físicos, nutricionistas, fisioterapeutas, analistas e outras estruturas especializadas.
A McKinsey considera que as empresas podem beneficiar de uma abordagem semelhante, construindo sistemas de apoio capazes de acompanhar as equipas durante os processos de transformação.
Isto implica disponibilizar as competências, os recursos e os instrumentos necessários para executar as mudanças planeadas. Pode também exigir novas formas de colaboração entre áreas tecnológicas, operacionais e de negócio.
No caso das transformações digitais e dos projetos de inteligência artificial, não basta adquirir tecnologia ou lançar iniciativas isoladas. As organizações precisam de assegurar formação, governação, acompanhamento técnico e capacidade de integrar as novas soluções nos processos existentes.
A liderança tem, neste contexto, a responsabilidade de criar as condições que permitam às equipas alcançar os objetivos definidos, em vez de depender exclusivamente do esforço individual.
Executar, analisar e corrigir
O terceiro princípio passa por combinar execução com aprendizagem contínua. Os atletas não se limitam a treinar e competir. Analisam os resultados, reveem decisões, identificam fragilidades e ajustam as estratégias em função do desempenho observado.
Nas empresas, esta lógica traduz-se na necessidade de alternar períodos de execução intensa com momentos de avaliação e ajustamento. Uma transformação dificilmente decorre exatamente como foi planeada. As condições de mercado mudam, as prioridades evoluem e algumas soluções podem não produzir os resultados inicialmente esperados. A capacidade de aprender ao longo do processo permite corrigir erros, reforçar as iniciativas que funcionam e abandonar as que deixam de acrescentar valor.
A McKinsey defende, por isso, que a melhoria contínua deve fazer parte da própria execução, e não surgir apenas no final do projeto.
Liderança exige preparação antes da execução
A comparação com o desporto de alta competição evidencia que o desempenho sustentável não resulta apenas de talento, ambição ou intensidade de trabalho. Depende também da qualidade da preparação, da existência de objetivos compreensíveis, do acesso a estruturas de apoio e da capacidade de analisar e melhorar continuamente.
Estes fatores tornam-se particularmente relevantes perante transformações digitais, nas quais as organizações procuram converter investimentos tecnológicos em ganhos concretos de produtividade, crescimento ou eficiência.
Segundo a McKinsey, observar as empresas através da perspetiva do desempenho desportivo pode ajudar os líderes a abordar desafios que anteriormente pareciam difíceis de alcançar.
A principal lição é que as transformações empresariais não devem ser tratadas como esforços pontuais. À semelhança da preparação de um atleta, exigem um sistema consistente, desenvolvido ao longo do tempo e capaz de evoluir perante novos desafios.








