Carla Esteves, diretora executiva UniMark e Aqui é Fresco
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O comércio de proximidade também se preparou para a Covid-19

A pandemia da Covid-19 veio confinar-nos ao espaço do lar, reduzindo o nosso espaço profissional e laboral. Com esta crise de saúde pública, a maioria de nós não sai de casa desde meados de março, data da primeira declaração do estado de emergência. Apenas o faz para aquisição de bens essenciais, farmácia ou se tiver de ir trabalhar.

Com o decorrer dos dias, e para não enfrentar as filas dos grandes espaços comerciais, começaram a aumentar as compras online, mas os prazos de entrega dilatados, no mínimo de três a quatro semanas, fizeram com que muitos começassem a optar pelas lojas de proximidade. Um “regresso ao passado” que fez reativar costumes antigos e que, para muitos de nós, estavam adormecidos. A facilidade da encomenda por telefone, ou online, e a entrega no conforto do nosso lar, e em curto espaço de tempo, traduziu-se numa grande vantagem, especialmente para os grupos considerados de risco.

A rede Aqui é Fresco está a reorganizar-se, a reinventar-se e é, exatamente, em tempos de crise que se destaca o que de melhor temos para oferecer. Na nossa ação coletiva, vamos além da influência das quase 800 lojas que dispomos em Portugal, com os meios digitais, nomeadamente as redes sociais onde estamos presentes, a serem âncoras para estarmos perto dos nossos aderentes e consumidores, numa comunhão de interesses entre o retalho e indústria.

Encontramo-nos, de facto, a viver tempos delicados, sem prazo para acabar, com a duração desta crise a ser determinante para a dimensão final do problema económico gerado. Embora saibamos que as compras online vão sempre existir, e fazem parte também do nosso processo de crescimento, temos perfeita consciência de que os recursos humanos são e serão sempre, igualmente, uma parte fundamental da cadeia logística. Por mais que se automatizem os processos, o comércio de proximidade não irá nunca abdicar disso.

Existe, no entanto, a parte delicada desta equação: o risco de contágio. Sabemos que 85% dos infectados não têm sintomas. Basta um funcionário infectado, mesmo que assintomático, para ser obrigado, e bem, a ficar em “quarentena”, bem como todas as pessoas que contactaram com esse funcionário. Isto pode fazer com que toda uma empresa encerre ou uma operação fique, profundamente, afetada. Felizmente que, até ao momento, nenhum dos associados da rede verificou qualquer caso, mesmo em zonas de risco, como foi o caso de Ovar, o que nos deixa bastante tranquilos quanto à eficiência das medidas adotadas pelos nossos cash & carries, que conseguiram, a par da segurança de todos os seus trabalhadores e parceiros de negócio, manter a atividade.

Temos também realizado todos os esforços para conseguir dar resposta ao aumento da procura. Até ao momento, lográmos não registar quebras de nenhum bem essencial. Numa altura em que tanto se fala de açambarcamento, temos tido o privilégio de, nesta área de negócio, assistir ao que de melhor as pessoas têm para dar e conseguem fazer. Um sentimento de comunidade e partilha, onde as compras para os vizinhos mais seniores e dificuldades não são esquecidas. Como qualquer crise, a da Covid-19 também trouxe oportunidades e conferiu, seguramente, um renovado sentido ao conceito de comércio de proximidade.

Não existe, presentemente, qualquer plano para reforçar equipas, seja nas lojas, ou nos cash. Mantemos as existentes, as quais trabalham, nalguns casos, por turnos, noutros ampliados para assegurar o normal funcionamento da empresa, não raras vezes com grande esforço individual. Têm sido duplicadas as linhas de pedidos, feita uma reposição constante, ampliados os horários e intensificadas as ações destinadas à mercadoria de primeira necessidade.

As equipas comerciais estão a reforçar o stock, nomeadamente de produtos essenciais e de primeira necessidade.

Nos serviços centrais optou-se por estabelecer equipas de trabalho paralelas, permitindo que realizem a sua atividade em teletrabalho. Foram ainda canceladas as reuniões presenciais e a insígnia está a optar por videoconferências, como sistema de comunicação alternativa. O nosso compromisso com os nossos parceiros é estar sempre presentes, nos bons momentos e, especialmente, nos menos bons também.

Mesmo em tempos de crise, a economia tem de funcionar e os bens alimentares essenciais, área de negócio onde estamos inseridos, estão de boa saúde e a operar, quer em regime de “smartworking”, quer na linha da frente das operações.

Consideramos estar bem preparados para enfrentar esta situação. Obviamente que nem sempre tudo corre como gostaríamos, imponderáveis acontecem e, por vezes, existe défice no fornecimento, como já aconteceu com produtos de higiene do lar, álcool, arroz ou conservas. Assumir essa circunstância não é, de todo, sinal de fraqueza.

Outro ponto a favor é que a cesta de compras dos consumidores portugueses tem atualmente “moldes de sobrevivência”, mais económica e racional.

Contudo, é expectável que, depois de passada esta fase em que os portugueses prepararam a vida para a quarentena, haja procura de produtos que tornem “a vida em casa mais suportável”, pelo que haja produtos menos essenciais que cresçam, como alguns das categorias de bebidas ou de beleza, uma vez que, nesta fase, não é possível saídas como, por exemplo, idas ao cabeleireiro.

Seja qual for o desfecho desta situação de impacto imprevisível, o comércio de proximidade demonstrou, uma vez mais, que nos bons e nos maus momentos soube, e vai estar, ao lado dos portugueses.

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