Um pequeno número de multinacionais controla a cadeia de abastecimento alimentar global, das sementes aos pesticidas, passando pela transformação industrial e distribuição comercial.
De acordo com o relatório Ipes Food, da responsabilidade do lobby agrícola italiano Coldiretti, este controlo acentuou-se no seguimento das recentes atividades de fusão e aquisição na indústria. A associação adverte que 1,4 mil milhões de agricultores estão “nas mãos de poucos grandes grupos multinacionais, que ditam as regras do mercado e, também, controlam a compra e marketing de produtos agrícolas e alimentares“. De acordo com o Coldiretti, esta prática coloca a liberdade de escolha por parte do consumidor em risco, assim como os standards de segurança alimentar.
O estudo nota que após as fusões da Dow com a Dupont, da Bayer com a Monsanto e da ChemChina com a Syngenta, três empresas podem passar a controlar mais de 70% da produção de plantas para a agricultura e mais de 60% das sementes a nível global. 90% do mercado de cereais é controlado por quatro grupos, designadamente ADM-Archer Daniels Midland, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus Commodities. Já no processamento alimentar, 10 grandes empresas de alimentação e bebidas representam 37,5% da quota das 100 principais empresas. No sector do retalho alimentar, outras 10 empresas são responsáveis por 29,3% das vendas globais, lideradas pela Walmart.
O relatório conclui que por cada euro gasto pelo consumidor em alimentação, menos de 15 cêntimos vão para os agricultores e que o preço de um produto multiplica-se, pelo menos, sete vezes do campo à mesa, devido às “distorções e especulações ao longo da cadeia”.














