Conceito visual ligado à economia circular, sustentabilidade e reutilização, mostrando duas mãos a unir símbolos de ciclo/reaproveitamento, com enquadramento urbano ao fundo. Ideal para temas de reciclagem, circularidade, ESG, logística reversa ou consumo sustentável Foto Shutterstock

Mistura de políticas pode reduzir extração de materiais na Europa em 15% até 2030

Estudo conclui que combinar medidas sobre produção e consumo acelera economia circular com impacto económico limitado

Uma combinação equilibrada de políticas dirigidas à produção e ao consumo poderá reduzir em 15% a extração de materiais na Europa até 2030, com um custo estimado de cerca de 1% do PIB europeu. A conclusão é de um novo estudo de avaliação de políticas públicas para apoiar a transição para a economia circular na União Europeia.

A investigação, divulgada no âmbito do serviço Science for Environment Policy da Comissão Europeia, defende que a economia circular exige uma abordagem integrada, capaz de reduzir a dependência de matérias-primas virgens e prolongar o uso dos recursos ao longo do ciclo de vida dos produtos.

O estudo alerta que as atuais políticas climáticas europeias, por si só, não são suficientes para travar o aumento do consumo de materiais, num contexto em que a procura global de bens poderá duplicar até 2050 devido ao crescimento populacional e económico.

Os investigadores analisaram diferentes cenários de políticas públicas, incluindo medidas fiscais sobre a extração de matérias-primas, incentivos ao uso de materiais reciclados, prolongamento da vida útil dos produtos e estratégias para reduzir padrões de consumo mais intensivos em recursos.

Segundo os resultados, as políticas orientadas para a procura– como mudanças nos hábitos de consumo, ecodesign e aumento da durabilidade dos produtos – revelam maior eficácia na redução global da utilização de materiais. Um dos cenários modelados aponta para uma redução de 2,3% na extração de materiais e de 2,6% na pegada material associada ao consumo.

Já as políticas fiscais centradas na produção, como taxas sobre a extração de minerais ou metais, podem gerar efeitos mais limitados e até provocar “fugas de materiais”, transferindo a produção para países terceiros sem reduzir significativamente o consumo europeu.

O estudo sublinha, por isso, a importância de combinar instrumentos económicos, medidas de design de produto, políticas de reutilização e estratégias de consumo sustentável, numa lógica transversal a toda a cadeia de valor.

Apesar dos custos económicos associados à transição, os autores consideram o impacto “modesto”, sobretudo porque a análise não contabiliza benefícios indiretos, como melhoria da saúde pública, redução da poluição ou aumento da biodiversidade.

Impactos sociais

A avaliação alerta, contudo, para possíveis impactos sociais, nomeadamente um agravamento das desigualdades salariais entre trabalhadores qualificados e não qualificados. Segundo os investigadores, a deslocação da atividade económica de sectores intensivos em materiais para áreas mais ligadas ao conhecimento e engenharia poderá penalizar empregos menos especializados.

O estudo conclui que a transição para a economia circular exigirá políticas adaptadas à realidade de cada país europeu, uma vez que os impactos variam significativamente entre Estados-membros. Países como a Roménia poderão alcançar reduções superiores a 14% na extração de materiais, enquanto outros mercados da Europa de Leste apresentam reduções mais moderadas.

A Comissão Europeia considera a economia circular um dos pilares centrais do Pacto Ecológico Europeu, tendo atualizado o Plano de Ação para a Economia Circular em 2020 como parte da estratégia para reduzir resíduos, aumentar a eficiência dos recursos e reforçar a competitividade industrial europeia.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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