As vendas mundiais de vestuário e calçado desportivo deverão ultrapassar os 500 mil milhões de dólares (433,9 mil milhões de euros) até 2030, com o sector a crescer mais rapidamente do que o conjunto do mercado da moda, segundo as projeções da Euromonitor International.
Entre 2025 e 2030, o mercado global de sportswear deverá apresentar uma taxa média anual composta próxima de 5%, enquanto o crescimento do conjunto do vestuário e calçado deverá ficar abaixo de 4%. Em 2025, mais de um em cada cinco artigos de vestuário e calçado vendidos mundialmente já pertencia à categoria desportiva.
O desempenho é impulsionado pela maior atenção à saúde e ao bem-estar, pela utilização crescente de roupa desportiva no quotidiano e por consumidores mais seletivos, que estão dispostos a pagar por produtos que combinem desempenho, durabilidade e versatilidade.
Consumidores privilegiam compras com maior valor percebido
A pressão sobre o poder de compra está a levar os consumidores a avaliar de forma mais rigorosa as compras relacionadas com moda. Em vez de adquirirem vários produtos indiferenciados, parte do mercado está a concentrar a despesa em artigos considerados mais duradouros e úteis.
A Euromonitor designa esta tendência como procura por sportswear de “grau de investimento”: produtos que justificam um preço superior através da qualidade, da inovação técnica, da durabilidade e da possibilidade de serem utilizados em diferentes contextos.
“Os consumidores estão a dar prioridade ao bem-estar, às experiências e às categorias essenciais, tornando-se simultaneamente mais seletivos nas compras de moda”, explica Marguerite Le Rolland, responsável global de análise de moda da Euromonitor International.
Segundo a analista, esta evolução está a aumentar a procura por artigos que ofereçam simultaneamente desempenho desportivo e valor para o estilo de vida.
Mercado divide-se entre preço e qualidade
A transformação dos hábitos de compra está a acentuar a polarização do mercado. De um lado, encontram-se consumidores muito sensíveis ao preço, que procuram opções acessíveis e com uma relação clara entre custo e benefício. Do outro, estão compradores disponíveis para pagar mais por inovação, conforto, especialização técnica e maior longevidade.
Esta divisão pode pressionar as marcas posicionadas no segmento intermédio, sobretudo quando não apresentam uma diferenciação suficientemente clara para justificar o preço.
As empresas terão, por isso, de definir se pretendem competir através da acessibilidade ou da valorização do produto. A tentativa de ocupar simultaneamente os dois espaços poderá tornar mais difícil comunicar uma proposta reconhecível pelo consumidor.
Bem-estar sustenta resiliência do sector
Apesar da incerteza macroeconómica e do aumento dos riscos geopolíticos, a moda desportiva continua a demonstrar maior resiliência do que outras áreas do vestuário. A Euromonitor considera que a procura é sustentada por mudanças estruturais, incluindo a valorização de estilos de vida mais saudáveis, a maior participação em atividades físicas e a integração do vestuário desportivo na utilização diária.
A fronteira entre moda, desempenho e utilização quotidiana está também a tornar-se menos definida. Produtos originalmente desenvolvidos para corrida, treino ou atividades ao ar livre passaram a ser utilizados no trabalho, nas deslocações e nos momentos de lazer.
Até 2030, a quota do sportswear nas vendas mundiais de vestuário e calçado deverá aumentar para 28%, reforçando a influência da categoria sobre o conjunto da indústria da moda.
Ásia-Pacífico será a região com maior crescimento
A região da Ásia-Pacífico deverá apresentar o crescimento mais rápido até ao final da década, beneficiando do aumento dos rendimentos, da expansão das classes médias e da integração dos canais digitais no retalho.
Índia e sudeste asiático deverão contribuir de forma significativa para o crescimento adicional do mercado, apoiados pela expansão do comércio eletrónico e pelo aumento da participação em atividades relacionadas com desporto, exercício e bem-estar.
A América do Norte deverá, contudo, permanecer como o maior mercado mundial em valor. A utilização de roupa desportiva no quotidiano, a procura por categorias orientadas para o desempenho e o desenvolvimento do segmento feminino continuarão entre as principais oportunidades da região.
Europa, Médio Oriente e África manterão igualmente um papel relevante nas estratégias internacionais, embora com diferenças consideráveis entre mercados, níveis de rendimento e hábitos de consumo.
Dados e adaptação local ganham importância
A diversidade regional significa que as marcas dificilmente poderão crescer através de uma estratégia global uniforme. A Euromonitor destaca a utilização de dados e a adaptação local como fatores decisivos para identificar modalidades em crescimento, ajustar preços, adequar os produtos às características físicas e culturais dos consumidores e escolher os canais de distribuição mais eficazes.
“As marcas que aproveitarem estas oportunidades através da análise de dados e de estratégias de localização estarão mais bem posicionadas para alcançar o sucesso global”, indica Marguerite Le Rolland.
A expansão do mercado será também acompanhada por maior concorrência entre os grandes fabricantes internacionais, marcas especializadas, operadores locais e empresas de moda que estão a integrar características técnicas nas suas coleções.
O crescimento até 2030 não deverá, assim, resultar apenas de mais consumidores praticarem desporto. A principal oportunidade estará na capacidade de as marcas responderem a um consumidor que procura produtos funcionais, duradouros e adequados a diferentes momentos do dia.








