Cerveja a ser servida numa torneira para um copo inclinado Foto Shutterstock

Mercado global de cerveja sem álcool deverá atingir 50 mil milhões de dólares em 2028

A cerveja sem álcool continua a afirmar-se como um dos segmentos de maior crescimento da indústria cervejeira mundial. Segundo projeções do Statista Market Insights, as vendas globais da categoria deverão atingir 50 mil milhões de dólares em 2028, cerca de 43,3 mil milhões de euros, mais do dobro do valor registado em 2020.

Apesar deste crescimento, a cerveja sem álcool continua a representar uma parcela relativamente reduzida do negócio global: pouco mais de 5% das receitas mundiais da cerveja. Ainda assim, o ritmo de expansão tem sido muito superior ao do segmento alcoólico, com crescimentos de dois dígitos em quatro dos cinco anos analisados pela Statista, sendo 2020 a única exceção.

Mercado já valia 34,1 mil milhões de dólares em 2023

Em 2023, o mercado mundial de cerveja sem álcool gerava cerca de 34,1 mil milhões de dólares em receitas, cerca de 29,6 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual, de acordo com dados do Statista Consumer Market Insights utilizados também em investigação académica sobre a evolução global do mercado cervejeiro. A projeção aponta para os referidos 50 mil milhões em 2028.

A trajetória contrasta com um sector cervejeiro tradicional, que tem enfrentado um contexto mais desafiante, e ajuda a explicar o reforço das gamas low e no alcohol por parte dos grandes grupos internacionais.

A Statista identifica a cerveja sem álcool como um dos pontos de crescimento da indústria, depois de a categoria ter sido durante muitos anos tratada como um segmento secundário.

Saúde e moderação alargam ocasiões de consumo

Por detrás deste crescimento está uma alteração na relação dos consumidores com as bebidas alcoólicas. Saúde, bem-estar e moderação têm aumentado a procura por alternativas que permitam manter a experiência associada ao consumo de cerveja sem a presença, ou com uma presença muito reduzida, de álcool.

Esta evolução permite também à categoria disputar ocasiões de consumo onde a cerveja tradicional enfrenta limitações. Almoços durante a semana, momentos antes de conduzir, atividade desportiva ou situações em que o consumidor simplesmente opta por não ingerir álcool tornam-se oportunidades adicionais.

A próprio Statista cita a Heineken para ilustrar esta transformação. O grupo cervejeiro identifica uma procura crescente por bebidas refrescantes destinadas a adultos, com menor teor alcoólico ou sem álcool, associando esta tendência à crescente preocupação com saúde e bem-estar.

2020 interrompeu temporariamente crescimento

A progressão da cerveja sem álcool não foi, contudo, totalmente linear. Em 2020, a categoria sofreu um recuo associado à pandemia de Covid-19, aos confinamentos e às alterações dos hábitos de consumo, particularmente devido à forte redução das ocasiões out-of-home.

A recuperação posterior voltou, contudo, a colocar o segmento numa trajetória de crescimento.

Os dados mostram também como a cerveja sem álcool tem conseguido ultrapassar a condição de alternativa ocasional para conquistar maior espaço nos portefólios das cervejeiras, nos lineares do retalho e na restauração.

De nicho a categoria estratégica

A dimensão projetada para 2028 ajuda a explicar por que razão a categoria se tornou estratégica para os fabricantes. O crescimento não depende apenas da substituição da cerveja tradicional. A possibilidade de aumentar o número de ocasiões em que uma cerveja pode ser consumida constitui um dos principais argumentos para o investimento no segmento.

Ao mesmo tempo, a evolução das técnicas de produção e a maior diversidade de referências procuram responder a uma das tradicionais barreiras à categoria: a diferença percebida de sabor e experiência relativamente às versões alcoólicas.

Apesar de representar ainda pouco mais de 5% das receitas globais da cerveja nos dados apresentados pela Statista, a trajetória coloca a cerveja sem álcool entre as áreas que poderão ganhar maior peso no mercado durante os próximos anos.

Os dados complementam também o retrato dos hábitos de consumo de cerveja: não está apenas a mudar quantas pessoas bebem cerveja, mas também que cerveja escolhem e em que momentos a consomem.

Publicidade

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Siga-nos em sidebar-1