LVMH

LVMH resiste ao abrandamento do luxo e fecha 2025 com queda de 1%

O grupo francês LVMH encerrou 2025 com receitas de 80,8 mil milhões de euros, registando uma queda orgânica de apenas 1%, num contexto económico e geopolítico desafiante para o sector do luxo. No quarto trimestre, o grupo conseguiu um crescimento orgânico de 1%, confirmando uma estabilização da atividade e uma melhoria progressiva na Ásia (excluindo o Japão), que voltou a crescer na segunda metade do ano.

Apesar da pressão nas vendas, a LVMH reforçou o seu perfil financeiro. O cash flow operacional aumentou 8%, para 11,33 mil milhões de euros, enquanto a dívida financeira líquida caiu 26%, para 6,85 mil milhões. O lucro líquido atribuível recuou 13%, para 10,87 mil milhões de euros.

A divisão de moda e artigos de marroquinaria, principal motor do grupo, foi afetada pelo ajustamento do sector do luxo. A categoria registou vendas de 37,77 mil milhões de euros, uma queda de 5% em termos orgânicos, e viu o seu resultado operacional recorrente recuar 13%, para 13,209 mil milhões de euros. Ainda assim, manteve uma margem de 35%, num ano em que o grupo associou parte do efeito comparativo a um 2024 impulsionado pelas despesas turísticas, sobretudo no Japão.

Distribuição sustenta resultados

Em paralelo, a distribuição seletiva foi o principal pilar do negócio, com as vendas a subirem para 18,348 mil milhões de euros, um aumento orgânico de 4%, e o resultado operacional recorrente a disparar 28%, para 1,780 mil milhões. A Sephora registou crescimento nas vendas e nos resultados, continuando a ganhar quota de mercado, enquanto a DFS melhorou a rentabilidade, apesar de um contexto internacional que continuou a penalizar a atividade.

O abrandamento mais visível surgiu, no entanto, na área de vinhos e bebidas espirituosas. A divisão fechou o ano com vendas de 5,358 mil milhões de euros, uma queda orgânica de 5%, e reduziu o resultado operacional recorrente em 25%, para 1,016 mil milhões. O grupo apontou para uma procura mais fraca de conhaque e para o impacto das tensões comerciais em mercados-chave como a China e os Estados Unidos.

A área de relógios e joalharia aumentou as vendas em 3% em termos orgânicos, para 10,486 mil milhões de euros, com o resultado operacional recorrente a fixar-se em 1,514 mil milhões, menos 2%. Já a divisão de perfumes e cosmética manteve vendas estáveis em termos orgânicos, nos 8,174 mil milhões de euros, e aumentou o resultado operacional recorrente em 8%, para 727 milhões de euros.

Europa abranda

Por regiões, o grupo assinalou um segundo semestre mais fraco na Europa e crescimento nos Estados Unidos, impulsionado pela procura local. O Japão registou uma queda face a 2024, ano beneficiado pelo forte consumo turístico associado à significativa desvalorização do iene, enquanto a Ásia, excluindo o Japão, apresentou uma melhoria das tendências e regressou ao crescimento na segunda metade do ano.

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