O Lidl consolidou-se como a cadeia de supermercados mais sustentável da Europa, segundo o novo Superlist Environment Europe 2026.
O ranking avaliou 27 retalhistas em oito mercados europeus. A iniciativa foi coordenada pelo think tank holandês Questionmark em parceria com organizações como a WWF Netherlands, a Madre Brava, a ProVeg International e a associação Physicians Association for Nutrition (PAN DACH).
O estudo comparou cadeias com presença em mercados como Alemanha, Países Baixos, França, Polónia, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido e avaliou dois indicadores centrais: a adequação dos planos climáticos às metas do Acordo de Paris e o esforço para reequilibrar as vendas de proteínas, favorecendo alternativas de base vegetal.
Lidl destaca-se na transição alimentar e climática
No topo da lista figura o Lidl Países Baixos, considerado o mais alinhado com os critérios climáticos e de transição alimentar. Seguem-se o Lidl Polónia, com as posições três e quatro ocupadas pelas cadeias holandesas Albert Heijn e Jumbo respetivamente. Outras presenças fortes incluem o Lidl Alemanha e o Lidl Espanha, reforçando o desempenho consistente do grupo em vários mercados.
Em sentido inverso, o estudo aponta fragilidades significativas em cadeias com grande peso no retalho europeu. O E.Leclerc surge no último lugar, seguido pela Coop (Suécia) e pelo Aldi Nord (Alemanha), devido à menor transparência dos objetivos climáticos e a esforços considerados insuficientes na promoção de modelos alimentares mais sustentáveis.
Compromissos concretos
No ano passado, o Lidl anunciou um compromisso de aumentar em 20% a proporção de alimentos baseados em plantas vendidos até 2030, em comparação com 2023, uma iniciativa alinhada com a transição para dietas mais sustentáveis e de menor impacto ambiental.
Especialistas envolvidos no relatório sublinham que, embora dois terços dos supermercados incluam a redução de vendas de proteínas animais nos seus planos climáticos, menos de metade fixou metas mensuráveis e de curto prazo para o aumento de proteínas vegetais nas vendas. Além disso, nove retalhistas nem sequer mencionam essa transição, dificultando uma avaliação completa do seu impacto.
O estudo realça que apenas sete cadeias divulgaram planos detalhados de redução de emissões a curto prazo, entre as quais o Lidl (Alemanha, Espanha, Países Baixos e Polónia), a Albert Heijn e o Carrefour, evidenciando um nível ainda limitado de transparência e metas mensuráveis no sector.
Sector ainda distante das metas climáticas
Apesar de o ranking destacar líderes, os investigadores alertam que o sector do grande consumo europeu ainda está longe de cumprir os objetivos do Acordo de Paris e alcançar reduções significativas de emissões. Só cinco cadeias — ICA (Suécia), Jumbo (Países Baixos), Kaufland (Alemanha), Migros (Suíça) e Rewe (Alemanha) — conseguiram reduzir emissões desde que começaram a relatá-las. Noutras, as emissões continuam a subir ou não há dados anuais completos que permitam avaliar tendências claras.
Este relatório ganha ainda mais relevo face à importância dos supermercados na cadeia alimentar: mais de 70% dos consumidores europeus compram a maior parte dos seus alimentos nesses canais, o que confere aos retalhistas uma responsabilidade significativa na transição para sistemas alimentares mais climaticamente responsáveis.
Para o sector do grande consumo, este ranking reforça a pressão crescente sobre os retalhistas para assumirem um papel ativo na descarbonização do sistema alimentar europeu, num contexto em que consumidores, reguladores e investidores exigem métricas claras, metas mensuráveis e resultados verificáveis.













